Operação Alcatraz: Nappi Júnior buscava “engenharia patrimonial” para legalizar imóveis

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Deflagrada na manhã do dia 30 de maio de 2019, a Operação Alcatraz interrompeu os planos do ex-secretário adjunto de Administração Nelson Castello Branco Nappi Júnior.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), a intenção era “legalizar” o patrimônio adquirido com recursos de origem ilícita, fruto de propinas pagas por empresas que firmaram contratos com o governo do Estado.

A ideia era constituir uma holding (empresa que detém a maior parte das ações ordinárias de outras empresas) a partir do escritório de advocacia e do Empório Cristiane Rios. A empresa é da esposa de Nappi, também investigada na Operação Alcatraz.

A investigação apura um alegado esquema de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos através da Secretaria de Estado da Administração.

As informações são da ex-sócia de Nappi, a advogada Michelle Oliveira da Silva Guerra, que entregou o esquema em depoimento no acordo de delação premiada firmado com o MPF. Depoimento foi revelado nesta quarta-feira (12) o ND+ e a NDTV.

De acordo com Michelle, Nappi revelava “preocupação” em legalizar o patrimônio, em especial os imóveis, e buscava o que ela definiu como “engenharia patrimonial” para atingir o objetivo.

Confira trecho do depoimento:

Questionada no depoimento se a engenharia passava pelo Empório Cristiane Rios, ela confirmou que sim:

“Como era uma loja de decoração com objetos caros, que tinha uma margem de lucros que depende muito da procura – objeto de decoração cada um paga o que acha que deve pagar – isso conseguiria dar musculatura para o rendimento da esposa para poder justificar essa engenharia patrimonial”, explicou.

Entre os imóveis estão um apartamento de cobertura na Beira-Mar Continental, no Bairro Estreito, avaliado em R$ 2 milhões. Também há um apartamento à beira-mar na Praia da Cachoeira do Bom Jesus, no Norte da Ilha, avaliado em R$ 1,7 milhão, além de salas comerciais na região central de Florianópolis, inclusive a que abrigava o escritório Michelle Guerra Advocacia, na Avenida Rio Branco.

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Constam ainda no rol de bens considerado pelos investigadores incompatíveis com o rendimento do ex-secretário (cerca de R$ 16 mil/mês) carros de luxo, motos aquáticas e a participação em uma lancha que fica guardada no Iate Clube de Santa Catarina.

As informações prestadas por Michelle constam da primeira parte da delação e agora serão confrontadas pela PF e pelo MPF a fim de comprovar sua efetiva veracidade.

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