Operação Chabu causa surpresa e movimenta Florianópolis nesta terça-feira

A notícia da detenção do prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, nesta terça-feira (18), causou surpresa para a população e também classe política. No gabinete do Executivo, o silêncio predominava nesta manhã. Somente uma nota oficial curta e sem detalhes foi emitida. Gean foi detido durante a Operação Chabu, da Polícia Federal.

Já na Câmara de Vereadores, mesmo sem sessão no plenário nesta manhã, alguns servidores dos gabinetes e parlamentares falavam sobre o caso em uma manhã mais movimentada do que o normal.

Operação Chabu foi principal assunto nos corredores da Câmara de Florianópolis – Arquivo/Marco Santiago/ND

Ainda sem detalhes sobre a operação até então, vereadores decidiram falar sobre o assunto. Entre eles, o ex-assessor de comunicação do governo de Gean, e agora vereador na Câmara, Fabrício Corrêa (PSB), que se disse surpreso com a notícia. Já o presidente da Casa, Roberto Katumi (PSD), informou que ficou sabendo pela imprensa, mas preferiu não comentar o caso.

“Me surpreende muito essa prisão. Eu conheço o Gean faz muitos anos e o que eu posso dizer é que me surpreende muito. Claro que a operação é importante, mas a gente tem que analisar com calma o que aconteceu de fato”, disse Fabrício.

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No gabinete da prefeitura, assessores e servidores informaram que a agenda do prefeito estaria cancelada. No local, que também foi alvo de mandado de busca e apreensão, policiais descaracterizados foram vistos saindo do prédio levando documentos.

Ainda nesta manhã, Gean era esperado para a inauguração da terceira faixa da Via Expressa, junto ao Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. No entanto, a visita acabou não acontecendo.

Na sede da PF em Florianópolis, na Beira-mar Norte, o dia inteiro foi movimentado. A todo o momento viaturas e agentes entravam e saíam do prédio que, em frente, foi local de espera da imprensa que aguardava novidades.

Por meio de nota oficial, a assessoria de comunicação Polícia Federal explicou que não haveria coletiva porque o inquérito está em segredo de Justiça. A relatoria é do desembargador federal Leandro Paulsen.

Ao todo, foram expedidos pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), em Porto Alegre, 23 mandados de busca e apreensão, e sete de prisão.

Entenda a Operação Chabu

Após análises dos materiais apreendidos durante a Operação Eclipse, deflagrada em agosto de 2018, a Polícia Federal apurou que a suposta organização criminosa construiu uma rede composta por um núcleo político, empresários, e servidores da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal lotados em órgão de inteligência e investigação. O objetivo era embaraçar investigações policiais e proteger o núcleo político em troca de vantagens financeiras e políticas.

Durante as investigações foram apuradas várias práticas ilícitas, dentre as quais destacam-se o vazamento sistemático de informações a respeito de operações policiais a serem deflagradas até o contrabando de equipamentos de contra inteligência para montar “salas seguras” a prova de monitoramento em órgãos públicos e empresas.

As provas obtidas durante as investigações apontam a prática de crimes de associação criminosa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, corrupção ativa, além da tentativa de interferir em investigação penal que envolva a suposta organização criminosa.

O nome dado à operação, Chabu, significa dar problema, dar errado, falha no sistema, e é usado comumente em festas juninas, quando os fogos de artifício falham. Segundo a Polícia Federal, o termo era empregado por alguns dos investigados para avisar da existência de operações policiais que viriam a acontecer.

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