Os sete erros de Moisés à frente do Governo de Santa Catarina

nd+ listou os equívocos na condução do povo catarinense que culminaram na crise administrativa na Casa d´Agronômica em meio à pandemia de coronavírus

Eleito com a promessa de que traria a nova politica e tornaria Santa Catarina cada vez mais forte, Carlos Moisés da Silva tem visto sua administração entrar em colapso e sua base estrutural de governo nas últimas semanas. A pandemia do Coronavírus apenas evidenciou a crônica de uma tragédia anunciada muito antes da chegada da pandemia.

Com o discurso de novos ares, Moisés se ampara na honestidade para se defender de críticas sobre a competência de sua gestão. Mas os incêndios que o bombeiro diz apagar refletem apenas que Santa Catarina, com sua vocação industrial e empreendedora exige muito mais do que honestidade, requisitos obrigatórios para qualquer gestor público. Ser honesto não é diferencial.

O ND+ elencou os sete erros que levaram o caos para a atual gestão:

1. Fuga das câmeras e microfones

Desde que foi conduzido ao segundo turno na eleição de 2018 na “onda Bolsonaro”, o desconhecido Comandante Moisés adotou um tratamento à imprensa incompatível com quem busca um lugar na cadeira de chefe do executivo de um estado. Sem conceder entrevistas, ele se limitou a fazer suas manifestações por meio de redes sociais e propaganda obrigatória, fugindo dos questionamentos dos jornalistas, comportamento descolado dos princípios democráticos que rege a nossa constituição. Pesquisa do Grupo ND trouxe exatamente esse ponto fraco do governador sobre como ele se comunica com o cidadão catarinense e com a sociedade civil organizada.

2. falta de diálogo com as instituições

Uma das principais reclamações de prefeitos, entidades de classe e demais poderes é a falta de diálogo por parte do governador. Moisés, aparentemente, precisou de muito tempo já sentado na principal cadeira do Centro Administrativo para entender o que é governar. Tempo que Santa Catarina não tem para esperar, pois os anseios dos catarinenses têm urgência. Demandas levadas de todos os cantos do Estado até a Capital, a resposta aos municípios é lenta. A pandemia mostrou que as ações tomadas por Moisés não condiziam com a realidade. A prefeitura de Florianópolis, por exemplo, precisou restringir ainda mais os decretos de isolamento social assinados pelo governador, por julgá-los insuficientes. Já outros municípios, como Joinville e Criciúma, chegaram a recorrer à Justiça – sem sucesso – para buscar a liberação do transporte público e maior flexibilização em suas cidades. Afinal, qual é o critério?

3. Equiparação salarial a procuradores 

O governador autorizou o aumento nos salários de procuradores do Estado em outubro de 2019 com um impacto de R$ 7,7 milhões aos cofres públicos. A justificativa era equiparar o salário com os procuradores da Alesc, na casa dos R$ 35 mil. A medida abriu caminho para um pedido de impeachment feito pelo defensor público Ralf Guimarães Zimmer Júnior, posteriormente arquivado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia. Mas a sociedade já passou a abrir os olhos para os atos do executivo.

4. Rompimento com o bolsonarismo

Carlos Moisés não pode esquecer em nome de quem se elegeu governador. Alçado ao poder na “onda Bolsonaro”, Moisés recuou do alinhamento com o presidente da república e desvinculou seu nome cada vez mais da linha do PSL, seu partido. Entrou em conflito com os deputados da ala ideológica ligadas ao Planalto, com a vice-governadora Daniela Reinehr e passou a ser alvo do fogo amigo dos eleitores que votaram nele em 2018. Santa Catarina é o estado onde Bolsonaro mais teve apoio nas urnas, portanto virar as costas para esse eleitorado soou como uma traição.

5. Hospital de campanha em Itajaí

com a pandemia do novo coronavírus se alastrando pelo Mundo, criou-se a necessidade de reforço no sistema de saúde do Estado.  Uma das opções foi a construção de um hospital de campanha em Itajaí. O problema foi o alto custo da obra: R$76 milhões, mais de sete vezes o orçamento de uma unidade com a mesma função em Anápolis (GO). A obra foi proibida pela Justiça e o governo chegou a anunciar outros hospitais durante coletiva de imprensa, mas que não saíram do papel.

6. Respiradores fantasmas abalam as estruturas do governo

Governador Carlos Moisés atualiza dados sobre o coronavírus em Santa Catarina – Foto: Reprodução InstagramGovernador Carlos Moisés atualiza dados sobre o coronavírus em Santa Catarina – Foto: Reprodução Instagram

Caiu como uma bomba em Santa Catarina a reportagem do site The Intercept Brasil de que o governo do Estado teria comprado por R$ 33 milhões, pagos de forma adiantada, 200 respiradores artificiais cujos modelos e prazos de entrega foram alterados depois da assinatura do contrato com a Veigamed, empresa do Rio de Janeiro sem experiência em negociar esse tipo de equipamento. Sem conseguir explicar o procedimento, o governo exonerou uma servidora da Secretaria de Estado da Saúde. Em seguida, foi a vez do secretário da pasta, Helton Zeferino, entregar o cargo. O caso se tornou inquérito policial e corre em segredo de Justiça, mas chegou ao nome de Douglas Borba, secretário da Casa Civil, que em 9 de maio prestou depoimento à Polícia Civil em Florianópolis, após operação Oxigênio.

7. “Desespero” e cerceamento à imprensa

Em 8 de maio, Moisés participou de uma videoconferência com empresários do LIDE. Durante sua fala, ele afirmou que a compra dos respiradores, alvo de investigação judicial, foi feita num momento de desespero. No mesmo encontro, ele criticou o trabalho da imprensa e chegou a insinuar um pedido de boicote por parte dos empresários aos veículos de comunicação, o que causou revolta dos setores ligados à comunicação.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Notícias

Loading...