Otimismo com comércio global se impõe e bolsas de NY fecham em alta

Um dia de otimismo e de apetite amplo por ativos considerados mais arriscados deu o tom dos negócios nesta quarta-feira, 12, e fez com que os mercados acionários americanos encerrassem o pregão com ganhos expressivos. No pano de fundo, estiveram, novamente, as negociações comerciais entre Estados Unidos e China e o otimismo manifestado por Donald Trump quanto a um acordo entre as duas maiores potências econômicas.

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,64%, aos 24.527,27 pontos; o S&P 500 subiu 0,54%, para 2.651,07 pontos; e o Nasdaq avançou 0,95%, para 7.098,31 pontos.

O ambiente positivo de terça-feira já havia sido desenhado à medida que a China teria se comprometido a baixar tarifas sobre automóveis americanos de 40% para 15% após conversas entre o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e o representante comercial americano, Robert Lighthizer. O presidente Donald Trump também se fez presente e se mostrou otimista quanto a um possível acordo com a China. Em entrevista, ele disse que poderia intervir no caso envolvendo a prisão da diretora-financeira da Huawei, Meng Wanzhou, caso isso ajudasse a fechar um pacto com os chineses.

Também nesta quarta-feira, o Wall Street Journal informou que a China planeja substituir uma política industrial por um programa que promete maior acesso a empresas estrangeiras em uma tentativa de resolver as tensões comerciais com os EUA. A aproximação entre os dois países acalmou alguns receios de que uma atividade comercial mais fraca poderia desacelerar ainda mais a economia global. “Se você tiver algum tipo de alívio, provavelmente haverá mais dinheiro a ser ganho do que a ser perdido. Achamos que essa desaceleração do crescimento global tende a ser muito moderada”, comentou o estrategista global de ações e chefe de pesquisa das Américas do HSBC, Ben Laidler.

No cenário de menor escalada das disputas comerciais sino-americanas, papéis de empresas que compõem o setor industrial do S&P 500 foram procurados pelos investidores. A ação da Boeing subiu 1,45%, a da 3M avançou 1,19% e a da Caterpillar apresentou ganho de 1,73%. “Uma resolução sobre o comércio global é uma das questões mais importantes para os mercados em 2019. O ângulo positivo é que os negociadores americanos e chineses parecem estar fazendo um esforço, mas acho que, neste momento, qualquer ausência de más notícias é uma boa notícia”, afirmou o diretor global de estratégia de crédito do BNP Paribas, Viktor Hjort.

Apesar do forte avanço dos papéis industriais, empresas de tecnologia viram suas ações liderarem os ganhos após um período de perdas consideráveis, que fizeram com que Facebook (+1,70%), Amazon (+1,24%), Apple (+0,28%), Netflix (+3,60%) e Alphabet (+1,14%) entrassem em “bear market”. Um dos motivos que aterrorizou os investidores e motivou a expressiva correção foi o temor de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) fosse mais duro com suas medidas de aperto.

Dados desta quarta-feira, contudo, mostraram que a inflação de novembro não surpreendeu. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA ficou estável na passagem de outubro para novembro e apresentou alta anual de 2,2% – ambos os resultados em linha com a mediana das projeções de analistas coletadas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O núcleo do indicador também veio em linha com as estimativas ao apresentar ganho anual de 2,2% e alta mensal de 0,2% no mês passado. (Com informações da Dow Jones Newswires)

(Victor Rezende, São Paulo)

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