Padrasto acusado de matar bebê em Joinville é solto e revolta pai biológico

Três meses após a morte da bebê Helloyse Gabriella Francisco, de pouco menos de dois anos, o padrasto Willian Kondlatsch de Morais, acusado de matá-la por asfixia, foi solto e deve aguardar a data do julgamento em liberdade. Helloyse foi encontrada na piscina de uma casa vizinha e ele responde por feminicídio.

Menina completaria 2 anos uma semana após o crime- Foto: Arquivo Pessoal

A garotinha foi morta no dia 20 de dezembro e no dia seguinte o padrasto foi preso em Joinville. Agora, foi colocado em liberdade após decisão da Justiça que, embora tenha pronunciado Willian ao júri popular, acatou o pedido do Ministério Público para que ele fosse colocado em liberdade.

Apesar da decisão do juiz de submeter o acusado ao Conselho de Sentença, o caso pode ter novos desdobramentos, uma vez que o Ministério Público pediu que a investigação fosse novamente remetida à Polícia Civil para diligências complementares.

Promotor do caso, Ricardo Paladino explica que o próprio MP fez o pedido para que o acusado fosse colocado em liberdade, ao menos até que fossem cumpridas as diligências adicionais solicitadas e “sanados os pontos de dúvida”.

Ele afirma, ainda, que, para a promotoria, já está provada a materialidade do crime, porém, há algumas dúvidas com relação a comprovação da autoria.

“Por conta disso, a posição do Ministério Público foi de que o réu não deveria ser pronunciado e, com isso, complementadas as investigações que, inclusive, têm a finalidade de cobrir as lacunas que eu entendi que haviam durante a investigação, notadamente em relação a algumas provas que foram colhidas durante o processo criminal. A posição do juiz foi um pouco diversa. Ele soltou o réu acompanhando o pedido do MP, mas direcionou o réu para ser submetido ao Tribunal do Júri”, explica.

A partir daí, explica o promotor, o MP solicitou novas diligências que, segundo ele, são para “esclarecer alguns pontos que, na minha ótica, ficaram duvidosos”.

“O objetivo do MP é um só, ter plena certeza de quem foi o autor desse crime e na minha concepção, até este momento, não há essa plena certeza e, por isso, entendi que seria necessário complementar as investigações de modo que não restasse nenhuma dúvida”, ressalta.

“A injustiça continua”, diz pai de Helloyse

Horas antes de buscar a filha após decisão judicial que concedia a guarda da garotinha de pouco menos de dois anos, Lucas Vinícius dos Santos recebeu uma notícia que nenhum pai espera receber. A filha – Helloyse Gabriella Francisco – havia sido morta.

Já se passaram mais de três meses desde que, ao invés de buscar a filha para levá-la para casa, ele teve que buscar o corpo de Helloyse no IML (Instituto Médico Legal). Agora, Lucas afirma que a dor, que sequer havia amenizado, parece ter aumentado e o motivo é o sentimento de injustiça, segundo ele.

O pai de Helloyse recebeu a informação de que o padrasto da menina e acusado pela morte foi solto e aguardará o julgamento em liberdade. “Eu fiquei todo esse tempo calado, esperando, porque eu pensei que isso iria passar, que minha filha não teria morrido em vão, mas a injustiça continua”, lamenta.

Pai buscaria Helloyse no sábado, mas garota foi morta na sexta-feira  Foto: Arquivo Pessoal

Desde o dia em que a menina foi morta, o pai carrega uma pilha de documentos e fotos. Entre os papéis, ele sempre mostra o processo de pedido de guarda, as decisões, os relatórios e a decisão final, que determina a guarda de Helloyse.

Além disso, ele guarda fotos que, para ele, são provas dos maus-tratos sofridos pela menina. Nas imagens, ele mostra hematomas que via a cada visita da menina. “No domingo anterior eu estava brincando com ela e no outro eu estava enterrando a minha filha. Eu não tenho mais lágrimas para chorar, eu só quero justiça”, lembra.

Lucas lamenta não ter conseguido salvá-la a tempo. “Eu comecei a lutar pela minha filha e eu consegui, mas quando consegui foi tarde demais. Agora ela está morta”, fala.

Para o pai de Helloyse, não existe dúvida de que a filha foi vítima de maus-tratos e foi morta e a notícia de que o acusado foi solto o deixou sem chão. “A justiça está sendo falha. Não quero que isso aconteça com mais ninguém”, diz.

Agora, fala o pai, a casa que já estava preparada para receber Helloyse ficou com um buraco que nunca será preenchido. “O quarto dela está vazio, as roupinhas dela estão lá, os brinquedos estão lá esperando mais um domingo que ela iria vir, mas ela não vem mais”, lamenta.

“O acusado não cometeu esse crime. Quem cometeu? É uma pergunta que precisa ser respondida”, diz advogado

O advogado de Willian Kondlatsch de Morais é veemente ao dizer que o acusado não cometeu o crime e cita o posicionamento do Ministério Público como base para a afirmação.

Adilson Corrêa destaca que o próprio MP se convenceu que não existem indícios suficientes de autoria e pediu a impronúncia do acusado porque teria, segundo ele, entendido que Willian é inocente.

Piscina, na casa vizinha, onde a bebê foi encontrada – Foto: Polícia Civil

“O Ministério Público sustenta que houve crime, mas está convencido que o acusado não é o autor. Essa materialidade se sustenta com base nos laudos do IGP, que dizem que há lesões, uma lesão muito específica na língua da criança que sugere asfixia. Se de fato houve um crime, a realidade é: o acusado não foi o autor desses fatos porque todas as provas e as testemunhas que estavam no local, inclusive os vizinhos que estavam quando ele a retirou da piscina, afirmam com veemência que ele estava salvando a menina”, reforça o advogado.

O advogado ressalta que a defesa irá recorrer e pedir a impronúncia do acusado, assim como o Ministério Público, neste primeiro momento. “Ele encontrou a criança afogada. O Ministério Público entende que houve crime. Mas quem cometeu o crime? Essa é uma pergunta que precisa ser respondida”, ressalta Adilson.

Segundo ele, ao recorrer, a defesa espera que o caso inteiro retorne à Polícia Civil para que o caso possa ser esclarecido.

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