País da burocracia

Por desconfiar do ser humano, o papel e um tabelionato valem mais do que a palavra

O Brasil, de tanta burocracia, já teve até ministro da desburocratização, o economista Hélio Beltrão, no governo João Figueiredo. Ele dizia que “No Brasil, em vez de se colocar o falsário na cadeia, obrigam-se todas as pessoas a provar sistematicamente, com documentos, que não são desonestas”.

Por desconfiar do ser humano, o papel e um tabelionato valem mais do que a palavra.

Numa pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, 63% dos brasileiros disseram que a burocracia é importante para evitar o uso indevido do dinheiro público. Porém, 80% consideraram o Brasil muito burocrático e 68% queriam que o combate à burocracia fosse prioridade do governo.

Inventar documentos e papéis para comprovar qualquer serviço é bem coisa de brasileiro.

Atestado de vida, de pobreza, de idoneidade moral, cópias autenticadas em cartório ou não que comprovam endereços, retirada de documentos, cópias de identidade, de CPF, de carteira de trabalho, etc. Tudo isso faz o contribuinte desembolsar valores que geralmente não são computados no orçamento do trabalhador, mas se fosse, faria muita diferença.

Não vejo nada sendo feito para que se desburocratize a nossa vida.Haja papelada a ser comprovada, tendo que ser guardada mesmo após adotados todos os procedimentos e pagamentos de taxas, bem como as mais diversas contas do dia dia.

Para tudo se paga, mesmo aquelas que a população deveria saber que pode obter de graça e sem necessidade de comprovação.