Papo cabeça com Frederico Campos Didoné

Jovem engenheiro civil dedica-se a garantir uma programação de cinema de qualidade em Florianópolis

Filmes iranianos ou iraquianos, alemães ou franceses, canadenses, brasileiros ou italianos, que normalmente não entram em cartaz nos cinemas de shoppings, têm espaço garantido em Florianópolis desde junho de 2010, quando o jovem engenheiro civil Frederico Campos Didoné começou a concretizar um sonho – a abertura de uma sala alternativa de cinema, apoiada pela Paradigma Brasil Solutions (e que, por isso, recebeu o nome de Paradigma Cine Arte). A iniciativa ganhou a adesão do público ávido por lançamentos não convencionais. Hoje o Paradigma administra também o Cinema do CIC e, em breve, deve abrir uma nova sala, na região central da cidade.

Daniel Queiroz/ND

Frederico Didoné

Como surgiu o Paradigma Cine Arte?

Frederico Campos Didoné – Sempre gostei muito do bom cinema, acompanhava pela imprensa lançamentos no Rio e São Paulo e não entendia por que esses filmes não chegavam aqui. Um dia conversei com Gérson Schmidt, da Paradigma Brasil Solutions, ele gostou da ideia e passou a me apoiar. Como sou sócio da construtora que desenvolveu o Corporate Park Center e, tendo nesse empreendimento um auditório, resolvi instalar ali a sala de projeção. As pessoas não acreditavam, por causa da localização, mas deu certo.

O Cinema do CIC era a nossa referência para filmes alternativos. Você acabou assumindo também esse desafio?

Frederico Campos Didoné – Quando criamos o Paradigma, o Cinema do CIC estava fechado havia um ano. No final de 2011 fomos convidados para administrar provisoriamente aquele espaço. A experiência tem sido bem-sucedida.

São públicos diferentes?

Frederico Campos Didoné – Sim. Eu diria que as duas salas atendem a públicos “geográficos”, ou seja, no Paradigma vão moradores mais do Norte da Ilha. No CIC, públicos da UFSC, Udesc e dos bairros próximos.

Mais alguma sala projetada?

Frederico Campos Didoné – Estamos estudando – por enquanto, é apenas um projeto – uma sala também para a região central de Florianópolis. Temos certeza que há público para isso.

Dos filmes exibidos no Paradigma, quais os que tiveram mais público?

Frederico Campos Didoné – Lixo Extraordinário, um documentário, ficou em cartaz por cinco semanas, com frequência superior a quatro mil pessoas. Também Medianeiras, com quase duas mil pessoas. E Pina, que está em cartaz, é outro sucesso. Nosso público é muito fiel.

A projeção digital ajudou nessa consolidação do Paradigma?

Frederico Campos Didoné – Sim, porque tem custo menor, é mais prática. Mas pretendemos adquirir um projetor 35 milímetros, para realizar festivais com filmes antigos, que não estão digitalizados, mas disponíveis nas distribuidoras.

Você nasceu no Rio Grande do Sul, mas vive aqui há 17 anos. O que mais gosta em Florianópolis?

Frederico Campos Didoné – Eu escolhi morar aqui, porque Florianópolis tem inúmeros predicados fundamentais, entre os quais a qualidade de vida. Outro aspecto que considerei nessa escolha é o conjunto de oportunidades na capital catarinense, que favorece o empreendedorismo.

Como produtor cultural e engenheiro civil, qual a tua visão dos nossos problemas?

Frederico Campos Didoné – Acho que falta planejamento, infraestrutura, a cidade não é organizada, cresce com problemas ambientais e muita coisa irregular. Essa desorganização pode atrapalhar o desenvolvimento e o futuro da cidade.

Inferno…

“A época do encaminhamento da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) pelo Executivo ao Legislativo é um verdadeiro inferno astral para o Judiciário”. Comentário do desembargador José Carlos Carstens Köhler, na última sessão do Pleno, ao referir-se às escaramuças pela divisão do quinhão entre os poderes constituídos.

…astral

Este ano, está em debate a proposta de corte orçamentário dos poderes em benefício de um fundo para combater a miséria no Estado, sob responsabilidade do Executivo.

Doideira

Tem doido para tudo. Diante de toda a polêmica envolvendo a exoneração de Cláudio Monteiro, um grupo sem noção lançou nas redes sociais a candidatura do delegado… à prefeitura de Florianópolis. Era só o que faltava.

Frase

“Infeliz do povo que precisa de heróis”. Bertolt Brecht, dramaturgo alemão (1898-1956).

Shaft

“Fora da polícia ele pode matar a bandidagem. Fogo neles Shaft mané!”, empolgou-se um cidadão na sexta-feira (6). Shaft foi um policial justiceiro em filme realizado em 1971, que teve uma continuação produzida no ano 2000, com Samuel L. Jackson no papel central.

Perfis

Alguns perfis de redes sociais são de uma sinceridade comovente. Vejam este, de Sandro Penedo: “Avaiano e manezinho da ilha assumido. Acredita que os governantes têm que governar primeiro para o nativo e depois pensar nos turistas”. Não é perfeito?

Espertezas

O ilhéu Lelê, da Cachoeira do Bom Jesus, resolveu tirar um mês de folga da profissão de pintor de casa para integrar um grupo de pescadores no Rio Grande do Sul. Voltou perplexo, perguntando: “Como pode o camarão custar para o pescador R$ 1,50 o quilo e ser vendido em nosso mercado a R$ 17,00? Da mesma forma a tainha com ova, vendida pelo pescador a R$ 2,50 cada”.

******

É, Lelê, quem ganha são os atravessadores. Não é lei de mercado; é lei dos espertos.

Divulgação

Memória

Vista de Florianópolis, registrada do Morro da Mariquinha

Tempos…

Neste domingo de Páscoa (8), é sempre bom rever Florianópolis, ainda com características de aldeia, numa época não indicada na foto, mas seguramente muito anterior a 1956, ano em que a Assembleia Legislativa foi incendiada (siga a rua do meio até a esquina, onde há um prédio de dois andares, com uma cúpula no telhado – essa era a sede da AL, onde depois foi a Telesc).

… de aldeia

Vê-se ainda o complexo do Colégio Coração de Jesus – à direita – e a Avenida Hercílio Luz arborizada, na parte inferior, onde hoje é o chamado Paredão. Outro ponto interessante é a Rua Anita Garibaldi, no seu formato original, sem edifícios (primeira rua à esquerda).