PAPO CABEÇA COM José Roberto Leal (Zezinho)

Deficientes ainda enfrentam barreiras, diz o presidente da Aflodef, que lidera a luta por melhores condições de vida e inclusão social

Ele tem um humor contagiante, sempre de alto astral e contando belas histórias de sua vida e de Florianópolis. Ao mesmo tempo é o líder carismático de uma causa extraordinária: a inclusão e o respeito aos deficientes físicos. Cadeirante – foi vítima de paralisia infantil, aos 11 meses de idade –, ele já se arrastou pelas ruas do Centro quando trabalhava como camelô. Hoje é presidente da Aflodef (Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos) e da Associação dos Comerciantes do Camelódromo Municipal de Florianópolis.

Qual a situação do deficiente físico na atualidade?

Zezinho – Mesmo com a Lei 5.296 (acessibilidade), de 2004, a situação ainda é complicada. Continuamos com problemas no transporte público, nas barreiras arquitetônicas em escolas, repartições públicas e outros equipamentos. O maior problema é com o Estado, que não cumpre um termo de ajustamento de conduta. Estamos cobrando, recorrendo ao Ministério Público Estadual.

E na Capital, especificamente?

Zezinho – Temos que reconhecer o trabalho do secretário de Educação do município, professor Rodolfo Joaquim Pinto da Luz. Mais de 70% das escolas municipais estão preparadas para os deficientes físicos.

Quantos deficientes físicos estão cadastrados na Aflodef?

Zezinho – Associados à Aflodef são 6.300 pessoas com algum tipo de deficiência. No Censo de 2000 tínhamos 14,5% pessoas nessa condição (algum tipo de deficiência). No Censo de 2010, 27,2%, só em Florianópolis. São três causas principais: armas de fogo, acidentes de trânsito e acidentes de trabalho (construção civil).

O poder público colabora com a Aflodef?

Zezinho – Estávamos com dificuldades para renovar convênios com o município. Mas a situação vai se normalizar. Há 40 pessoas na fila de espera para cadeiras de rodas, próteses e muletas e 10 para cadeiras motorizadas (específicas para tetraplégicos). E nossas oficinas, com a renovação do convênio com a prefeitura, vão voltar a consertar cadeiras. A Aflodef atende ainda a outros municípios, fora da Grande Florianópolis.

Você falou que o transporte público também é problemático. Não há respeito à lei?

Zezinho – Há apenas 111 ônibus da frota adaptados, mas nem todas as linhas atendem aos deficientes físicos. No caso dos amarelinhos é outro problema. Eles alegam que se trata de um “transporte diferenciado” e não oferecem condições. Os intermunicipais são piores ainda: têm o símbolo colado na lataria, mas não têm o elevador.

E a inclusão pelo trabalho?

Zezinho – São mais de 400 incluídos no Primeiro Emprego, com apoio de órgãos públicos como a Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil, e também dos Correios e Caixa Econômica Federal.

Sobre Florianópolis: quais as tuas melhores lembranças da cidade?

Zezinho – Eu sou um homem do Mercado Público. Me criei aqui, desde os nove anos de idade, ajudando meu pai, que tinha 18 filhos. Este é meu mundo, onde tenho amigos que não me veem como um deficiente, mas como um cidadão. Tenho uma vivência muito rica neste ambiente, entre o mercado e o camelódromo. E uma grande saudade da praia do Vai Quem Quer, que ficava entre o mercado e a Casas da Água, destruída pelo aterro da Baía Sul.

Divulgação Martinho Ghizzo

Urbanismo

Alternativa

“O projeto Viva a Cidade, desenvolvido pela primeira vez em Florianópolis, mostra que os moradores da capital catarinense têm sede de viver, de sair para as ruas e encontrar alternativas bacanas de entretenimento e convivência”. Opinião do leitor Marcelo Pereira Martins, que pede mais organização (como estacionamentos públicos abertos após as 14h dos sábados) nas próximas edições.

Rua das artes

Atores, músicos, pintores, escritores, bailarinos, entre outros interessados em se apresentar de forma individual ou coletiva podem comparecer ao Corredor das Artes (Rua dos Artistas), entre as ruas Victor Meirelles e Saldanha Marinho, aos sábados. Uma equipe da Secretaria Municipal de Cultura de Florianópolis vai auxiliar e orientar a ocupação ordenada do espaço público.

Néri Pedroso

Urbanismo

Novo visual

Florianópolis ganhou um novo visual, mais limpo, com a demolição da sede da Federação Catarinense de Remo, “caixote” que ficava ao lado do Terminal Rodoviário Rita Maria. Alguém disse que, para o serviço ficar completo, só falta o prédio do Centro Sul, outra excrescência arquitetônica que serve de cartão de visita na entrada da cidade. Ah, sim, tem o “pinicão” da Casan também…

Liberou geral

“O malabarismo diário para se livrar dos entregadores de panfletos de prostituição no Centro de Floripa…”. Observação de Aristóteles Silveira, sobre um problema grave no calçadão de Florianópolis, tão sério quanto o dos ambulantes ilegais.

Negligência

No filme francês “Três Mundos”, em cartaz no Paradigma Cine Arte, o mundo de três desconhecidos se cruza após um grave acidente de carro. O motorista do veículo, Al (Raphaël Personnaz), a mulher da vítima e a testemunha ocular veem suas vidas mudarem ao procurar explicações para o acontecido. A negligência de Al, que estava alcoolizado na hora do acidente, prova mais uma vez que bebida e direção não combinam. 

Lixo de…

A Prefeitura de Florianópolis e o Comitê para Democratização da Informática de Santa Catarina (CDI-SC) fecharam uma parceria para estimular a doação e o reaproveitamento de equipamentos eletrônicos usados. A partir desta segunda-feira (5), as seis unidades de atendimento do Pró-Cidadão terão postos de coleta de eletrônicos e equipamentos de informática.

… valor social

O material recebido será encaminhado para o projeto Reciclatec, do CDI-SC, que recicla e reaproveita os equipamentos em ações de inclusão digital. Além de captar e tratar todo o resíduo eletrônico, o CDI-SC também qualifica pessoas de comunidades com baixa renda. O projeto prevê a realização de cursos específicos para desmontagem e separação do resíduo eletrônico em partes recicláveis.

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