Para a Cipla, houve salvação

Carlos Junior/ND

Cipla saiu de prejuízo de R$ 10 milhões, em 2007, para lucro em 2010

No dia 31 de maio de 2007, quando 80 agentes da Polícia Federal dominaram as instalações das empresas Cipla e Interfibra, nenhum dos então 660 funcionários imaginava que rumos a empresa tomaria dali em diante ou se continuariam a ter um emprego no dia seguinte. Mas a certeza que eles têm hoje é que a decisão da Justiça Federal de intervir foi a melhor saída para a recuperação da companhia.

Neste mês, quase cinco anos depois da intervenção, será a primeira vez em toda a história do grupo Cipla que o 13º salário dos funcionários será pago em parcela única, no dia 30. Os trabalhadores da Interfibra ainda vão receber de acordo com a legislação, com pagamento de metade em novembro e a outra metade em dezembro, mas o fato na Cipla já é considerado uma vitória pelo administrador judicial Rainoldo Uessler, nomeado pela Justiça em 2007.

“Saímos de um prejuízo de R$ 10 milhões, em 2007, para um lucro de R$ 2,6 milhões, em 2010. Precisamos controlar tudo para pagar salários e fornecedores em dia todos os meses, por isso essa antecipação deve ser comemorada”, explica Uessler, que também foi nomeado pela Justiça para ser o administrador judicial da Busscar Ônibus SA e fiscalizar as ações da empresa pelos próximos meses. A diferença é que, na Busscar, Uessler não vai administrar a empresa, como fez com a Cipla e a Interfibra, será apenas um fiscal do judiciário.

A intervenção na Cipla foi necessária porque a empresa deixou de recolher tributos por quatro anos e sete meses e não atendia às decisões da Justiça. “Neste período, um grupo político de extrema esquerda vendeu falsas esperanças aos trabalhadores e deixou de agir dentro da legalidade”, explica Uessler, sobre a gestão da empresa nas mãos dos funcionários, após uma forte greve em 2002, que culminou com a saída dos proprietários e acionistas da administração do grupo Cipla, que incluía também a Interfibra e a Profiplast (atual Unipol). Hoje o grupo é composto apenas pela Cipla e pela Interfibra, ambas administradas pela Justiça, representada por Uessler.

O grupo ainda tem dívidas, que somam cerca de R$ 300 milhões e vêm sendo pagas gradativamente, mas os cerca de R$ 500 milhões em patrimônio dos antigos proprietários, que estão bloqueados, seriam suficientes para pagar todos os compromissos. “Mas o mais importante nesse período de intervenção, além da recuperação da empresa e da confiança dos fornecedores e clientes, foi a restauração dos empregos, da auto-estima, do respeito e da dignidade dos trabalhadores”, resume Uessler.

O renascimento da Cipla

Quando incitaram os trabalhadores a invadir e destruir a agência do INSS de Joinville, os líderes que conduziam a administração da Cipla/Interfibra esperavam alcançar o objetivo de estatizar as empresas e ter o perdão das dívidas. O que não imaginavam era que a atitude violenta produziria uma atitude imediata da Justiça. Nos dias que se seguiram à intervenção, a Polícia Militar fazia o controle de quem podia ou não entrar na fábrica.

Rainoldo Uessler afirma que foi recebido sob aplausos dos funcionários. “Durante os quatro anos e sete meses de comando dos trabalhadores, liderados por extremistas políticos, a produção parou em vários momentos para participação em passeatas, mobilizações e protestos, todos com motivação política”, conta Uessler. “Na verdade, a única coisa que queriam era trabalhar honestamente e receber seus salários em dia.”

Segundo o administrador judicial, só nos 55 meses anteriores à intervenção, o movimento de esquerda acumulou R$ 53 milhões em dívidas. “Recursos foram desviados, viagens e gastos desnecessários foram feitos”, explica Uessler.

Quando assumiu a gestão da Cipla/Interfibra, Uessler teve cinco meses para realizar uma auditoria e diagnosticar se a recuperação era viável. Com a confirmação, as empresas se mantiveram funcionando e não há prazo para o fim da intervenção.

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