Evolução patrimonial de ex-secretário confirma suspeitas na Operação Alcatraz, diz MPF

Atualizado

Um dos fatos que mais chamaram a atenção dos investigadores foi a evolução patrimonial do ex-secretário adjunto de Administração, Nelson Castello Branco Nappi Júnior, e sua mulher, Cristiane.

De acordo com relatório do Ministério Público Federal, a quebra do sigilo fiscal demonstrou que ambos “possuem um patrimônio efetivo bem acima de sua capacidade financeira declarada e renda advinda de suas atividades laborais”.

MPF afirmou que evolução patrimonial de ex-secretário confirma suspeitas na Operação Alcatraz – Google Maps/Reprodução

No documento, o procurador da República André Stefani Bertuol destaca que, em junho de 2018, Nappi recebeu o salário líquido de R$ 12.765,16 como servidor público do Estado. Já a mulher não possuía renda declarada perante o Fisco até 2014, além de não apresentar nenhuma movimentação financeira até 2016.

Com a quebra do sigilo autorizada pela Justiça, foi constatado que apenas as aquisições em notas fiscais eletrônicas em nome do casal representaram o valor de R$ 2.187.514,38 no intervalo entre 2012 e 2016.

Outros fatos também demonstram o “patrimônio incompatível do casal e a ocultação de bens”, destaca Bertuol. É o caso do “apartamento de luxo” no condomínio Águas Claras Residence, na Cachoeira do Bom Jesus, adquirido pelo valor de R$ 1,2 milhão e “em relação ao qual nunca houve a regularização formal da propriedade perante o Cartório de Registro de Imóveis”, segundo o procurador.

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A mesma forma de agir, define o membro do MPF, “se deu em relação ao apartamento de luxo cobertura duplex do Condomínio Infinity Residence, localizado no Bairro Estreito, adquirido pelo valor de R$ 2,8 milhões, cuja propriedade, conforme destacado na representação da PF, “aparentemente será repassada para a empresa de fachada GIC – Administradora de Bens Próprios, de propriedade de Cristiane”.

Escritório fazia lavagem de dinheiro

Outro indício está relacionado ao escritório da advogada Michelle Guerra, apontado como instrumento para lavagem de dinheiro por Nappi. Impedido de advogar em razão do cargo que ocupava no governo, ele “apenas fez cessar o vínculo formal com a sociedade de advogados, permanecendo, de fato, com o controle integral do escritório através de interposta pessoa, situação que lhe possibilita ocultar o patrimônio advindo de origem criminosa”.

Além de e-mails de Michelle a Nappi informando sobre detalhes na reforma da sala, outro fato que comprovaria a participação do ex-secretário no escritório de advocacia é uma procuração para que movimentasse livremente a conta-corrente do estabelecimento.

Em análise da Receita Federal, é destacado que o escritório é optante pelo Simples Nacional, com operação e movimentação financeira “relativamente baixas”.

“No entanto suas aquisições chamam atenção e são totalmente incompatíveis com o perfil de um pequeno escritório de advocacia. Do valor de R$ 969.262,82 em aquisições feitas com emissão de nota fiscal eletrônica, R$ 915.711,49 são feitas em concessionárias de veículos, incluindo quatro veículos de luxo (…)”, exemplifica o procurador da República em relatório sigiloso.

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