Para usuários, qualidade do transporte coletivo intermunicipal não acompanha reajustes

Atualizado

O aumento das tarifas do transporte coletivo intermunicipal da Grande Florianópolis refletiu negativamente entre a maioria dos usuários nesta segunda-feira (24), primeiro dia útil após o reajuste. O reajuste médio de 6,6% entrou em vigor a partir da meia-noite de domingo (23). Em 2018, o aumento foi de 4,99%.

Reajuste médio das tarifas intermunicipais foi de 6,6% e entrou em vigor a partir da meia-noite de domingo (23) – Bruna Stroisch/ND

Para Vilmar Ventura, 51 anos, a qualidade do transporte não acompanha o reajuste das passagens. Como usuário do transporte, ele percebe que as linhas oferecidas são insuficientes para suprir a demanda da população. “Todos os anos tem reajuste, mas a maioria dos ônibus seguem sucateados e, dependendo do bairro, a escassez de horários é bem grande”, avaliou o comerciário que trabalha no Centro.

Vilmar destaca ainda a diferença entre as linhas que atendem a Capital e as que realizam o transporte intermunicipal. “Eu morava no Estreito e tinha ônibus toda a hora. Hoje, eu moro em Palhoça e, no meu bairro, nós ficamos quase duas horas esperando um ônibus. Não vejo a hora de vender meu imóvel para voltar a morar em Florianópolis.”

A estudante Neiva Ribeiro de Souza, 36 anos, moradora do bairro Forquilhas, em São José, precisou deixar a moto na oficina e se deslocar para o Centro de Florianópolis de ônibus nesta segunda-feira (24).

“É um absurdo esse aumento porque a maioria da população precisa do ônibus para trabalhar. Acredito que os estudantes não deveriam nem pagar a passagem. Todo o ano tem reajuste, mas não reflete na melhoria do transporte, no conforto do povo”, avaliou a estudante.

Para Vilmar Ventura, de 51 anos, apesar dos reajustes, não há evolução em termos de qualidade dos veículos – Bruna Stroisch/ND

Graziela Amaral de Souza, de 29 anos, também é usuária do sistema, pois trabalha como técnica de enfermagem no Centro e mora em São José. Para ela, o aumento seria justo se fosse revertido em melhorias nos veículos, que estão em situação precária, apesar do alto valor das passagens.

Já Cleyce Anastácia Silva Sampaio, 31 anos, é moradora do bairro Forquilhas, em São José, reclama do peso no orçamento dos trabalhadores. “O valor da passagem aumenta, mas o salário do trabalhador não. Fica bem complicado. Não adianta aumentar o valor e continuar com ônibus superlotados”, disse a manicure.

Andreza Francisco, de 41 anos, estava acompanhada da filha Emanuela, de quatro anos na manhã desta segunda e disse que foi pega de surpresa. “Não sabia do aumento, mas acho caro demais. Sorte que a Emanuela ainda não precisa pagar a passagem. Aproveita, minha filha!”, brincou a dona de casa que mora em Biguaçu e costuma visitar a mãe no Centro de Florianópolis.

Leia também:

Para Isaque Silva dos Santos, 25 anos, que trabalha no Centro e mora em Palhoça, se a passagem não fosse subsidiada pela empresa em que trabalha, não teria condições de pagar o valor. “Muitas pessoas não têm condições de pagar esse valor tão alto todos os dias”, relata Isaque.

Já Selma Pereira da Silva, de 39 anos, moradora do Continente, se diz satisfeita com o transporte intermunicipal. “No lugar onde eu morava antes [interior do Paraná], não tinha transporte público de qualidade e nem tantos horários de ônibus. Não tenho do que reclamar, para mim está bom como está”, diz a dona de casa.

Selma Pereira da Silva, moradora do Continente, se diz satisfeita com o transporte intermunicipal – Bruna Stroisch/ND

Reajuste

As empresas de transporte de passageiros, por meio dos sindicatos, pediram a atualização dos valores das tarifas entre 10% e 22,89%, alegando que “a defasagem tarifária e a acentuada queda de passageiros sobrecarregaram sobremaneira o equilíbrio econômico-financeiro do contrato”.

O setor considera ainda que, devido ao reajuste salarial conferido à categoria de trabalhadores e os aumentos dos valores do óleo diesel, as tarifas ficarão aquém da real necessidade do sistema. O salário e o vale alimentação dos trabalhadores corresponde a quase metade dos valores das passagens.

“O poder público tem o dever jurídico de proceder os reajustes anuais, sob pena de provocar um desequilíbrio na equação econômico-financeira das operadoras, mas em respeito a modicidade tarifária e, principalmente, ao usuário, a decisão do Conselho de Administração foi a de conceder um reajuste médio de 6,6%”, justificou o secretário estadual da Infraestrutura, Carlos Hassler.

Tarifas de ônibus

Confira os novos valores das tarifas na Grande Florianópolis:

  • Patamar I — R$ 4,40
  • Patamar II — R$ 4,80
  • Patamar III — R$ 4,90
  • Patamar IV — R$ 6,65
  • Patamar V — R$ 6,75
  • Patamar VI — R$ 8,00
  • Patamar VII — R$ 8,25
  • Patamar VIII — R$ 8,50
  • Patamar IX — R$ 8,65

Trânsito