Açude em que menina de dois anos morreu será desativado, no Oeste de SC

Atualizado

A morte da venezuelana Yannelis Cermeno Acostam, de 2 anos e meio, chocou os mais de cinco mil moradores do município de Guatambu, no Oeste do Estado. A menina morreu afogada em um açude próximo da casa da família na linha Flor. O corpo foi encontrado por volta das 17h desta terça-feira (3).

Yannelis Cermeno Acosta – Arquivo pessoal/Divulgação/ND

A agricultora Marlene França foi quem encontrou o corpo da menina no açude. Ela conta que a mãe da criança foi até o quintal da casa e pediu se alguém tinha visto a filha. 

“Respondemos que não, mas que ela poderia ter ido para rua, pois, o portão estava aberto. Em seguida pensei, ‘meu Deus, ela foi no açude’, aí eu desci e avistei ela. Eu me desesperei”, disse a agricultora. 

Ao encontrar a pequena Yannelis, os moradores entraram no açude para resgatar a criança e acionaram o socorro. “Pulamos no açude e tiramos ela. Fizemos os primeiros socorros. Sai na rua e gritei, aí veio o vizinho Araújo, que é um policial aposentado, aí ele ajudou no procedimento”, disse Marlene. 

Uma equipe da Secretaria de Saúde de Guatambu socorreu a menina e levou até a unidade de saúde do município. A equipe pediu apoio do Samu e do Saer-Sara que deram continuidade do atendimento. 

Segundo o Samu, a menina sofreu uma parada cardíaca, mas foi revertida pela equipe médica após uma hora de trabalho. Visto a dificuldade de realizar alguns procedimentos na aeronave, os médicos optaram levar a vítima até o hospital de ambulância. 

A Polícia Militar realizou a escolta da viatura até o Hospital Materno Infantil, em Chapecó, mas no caminho a menina sofreu uma nova parada cardíaca e faleceu ao dar entrada na unidade de saúde. O deslocamento durou aproximadamente 12 minutos.

Família venezuelana 

Yannelis morava com o pai, mãe e dois irmãos menores de idade em uma casa simples e alugada. A agricultora, que é dona do imóvel, conta que chegaram no município há 10 dias. 

“Nós alugamos para o João e a Elen. Depois de um tempo ela conseguiu trazer a irmã, o marido e os três filhos, inclusive a Yannelis,  que estavam em Roraima. Eles chegaram na noite de 25 de agosto”, relembrou Marlene. 

O pai e a tia da vítima tinham exames médicos marcados para esta quarta-feira (4), pois, conseguiram emprego. 

Desespero

Marlene voltou ao local do acidente na manhã desta quarta-feira – RICTV/Divulgação

Marlene mora no local há 14 anos e disse nunca presenciou uma situação semelhante. “O desespero é muito grande. Eu nunca tinha visto uma coisa dessas e, espero que nunca mais precise ver.  Eu sou mãe e avó, não consigo entender como foi acontecer uma coisa dessas, é muito triste, estou sem chão”, contou a moradora, ainda emocionada. 

A família decidiu que vai desativar o açude onde ocorreu o acidente. “Ficamos esperando a polícia vir fazer perícia e vamos largar água do açude, porque agora vai ficar os dois meninos”, finalizou Marlene. 

O IGP (Instituto Geral de Perícias) periciou o local na manhã desta quarta-feira. O resultado do laudo deve ficar pronto em 30 dias.

Yannelis foi velada na Capela da Paz, em Guatambu. O corpo foi sepultado no início da tarde desta quarta-feira.

Velório ocorreu durante esta quarta-feira – RICTV/Divulgação

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