Parente de família presa em porão por nove anos fala sobre a fazenda

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A descoberta de uma família vivendo isolada em uma fazenda durante 9 anos enquanto esperava o fim do mundo chocou a Holanda. Apesar disso, o caso  não surpreendeu o irmão de Josef B, o austríaco de 58 anos que mantinha cinco jovens sem contato com o mundo exterior, a maior parte do tempo em um celeiro.

O irmão de Josef, Franz B, contou à televisão austríaca que suspeitava que o homem encontrado era seu irmão, mas só teve certeza quando alguns detalhes sobre o caso foram divulgados.

Família vivia em condições péssimas e se alimentava de uma horta – Foto: Reprodução Youtube

Franz não tem contato com o irmão, e nem quer ter. Ele descreve Josef como inteligente, egoísta e uma pessoa que busca o próprio sucesso sempre.

Segundo o jornal austríaco Kronen Zeitung, ele vive em uma fazenda a 150 quilômetros de Viena, capital do país, que foi herdada por ele depois da morte dos pais.

Depois que Franz assumiu o comando da fazenda, Josef exigiu que o irmão o pagasse por seus serviços. “Ele sempre quis dinheiro e sempre procurou seu próprio benefício”, disse o irmão.

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Vendeu herança

Josef se mudou e morou em uma série de lugares, até chegar na casa de uma tia idosa, que o nomeou herdeiro da fortuna. Ele ficou no lugar por dez anos, entre 1998 e 2008. Franz disse que, durante o tempo em que viveu no lugar, o irmão tirou o altar que a tia tinha na casa e outros artigos religiosos.

Quando a tia morreu, ele vendeu a propriedade e se mudou para outra cidade. Franz não esconde a mágoa que tem do irmão, principalmente depois da morte dos pais.

Família holandesa ficou 9 anos se protegendo do fim do mundo – Foto: Reprodução Youtube

“Quando outro irmão ligou para dizer que nosso pai havia morrido, Josef disse que não se importava. Ele também não foi ao funeral. E quando a nossa mãe morreu, há um ano e meio, ele não apareceu”.

Josef também deixou para trás as duas filhas, frutos de um relacionamento com uma mulher que conheceu em uma seita. “Em 2006 ou 2007, Josef deixou sua esposa e filhos para trás e foi para a Holanda. Suas filhas, agora adultas, tentaram em vão entrar em contato com ele em 2017”, contou o irmão.

Josef foi preso e interrogado na quarta-feira (16), e a polícia disse que ele não é o pai de nenhum dos cinco jovens encontrados com ele. Todos foram atendidos por hospitais da região e alguns dos adolescentes não sabiam que exisitiam outras pessoas no mundo além deles.

Ligação com seita

Segundo a mídia holandesa, Josef B e os outros cinco jovens faziam parte da seita Moonskete, ou culto à lua. O culto era liderado pelo pastor sul-coreano Sun Myung Moon, que se considerava um messias.

A seita ficou conhecida internacionalmente nos anos 70 e 80 e era acusada de fazer lavagem cerebral nos membros e tirar dinheiro deles.

Moon e a esposa foram acusados de antissemitismo e homofobiaa e não podiam entrar em diversos países europeus. Moon morreu em 2012.

Josef e os jovens viviam a base de doações, segundo o portal holandês Nos, que destacou que Josef havia feito muito pela seita. Ele teve um derrame há três anos e ficou paralisado. A polícia encontrou uma grande quantidade de dinheiro na fazenda.

Abertura de cicatrizes na Áustria

O caso abre feridas antigas na vida dos austríacos. O país já foi vítima de outros dois crimes midiáticos: o sequestro da pequena Natascha Kampusch, em 1998, e o caso de incesto de Josef Fritzl, que escondeu e abusou da filha por anos.

No caso de Natascha, a menina foi sequestrada enquanto estava a caminho da escola e ficou desaparecida por 8 anos. O homem a tratou como uma escrava sexual, até que ela conseguiu escapar, em 2006.

O caso de Fritzl chocou a Áustria. O homem forjou o desaparecimento da própria filha, que estava presa em um porão secreto na casa. Ela ficou refém do pai por 24 anos e foi abusada cerca de 3 mil vezes. Ela deu à luz sete filhos com o pai, e um deles morreu logo após o nascimento.

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