Parentes de militares são nomeados em cargos comissionados no governo catarinense

Atualizado

O governo de Santa Catarina nomeou diversos parentes de militares em cargos comissionados entre janeiro e fevereiro deste ano. As nomeações são de filhos, mulheres e maridos de oficiais que também foram promovidos recentemente para cargos de chefia na Casa Militar e nos gabinetes do governador e da sua vice, Daniela Reinehr (PSL).

Governador que é coronel da reserva durante ato de posse do novo comando da corporação

Um dos homens fortes do governador Moisés, o coronel João Carlos Neves Júnior, que assumiu a chefia da Casa Militar, teve seu filho nomeado como assessor jurídico da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, com salário de R$ 4,7 mil. A nomeação de Neto foi uma das primeiras a motivar reações negativas e no dia 15 de fevereiro ele pediu exoneração do cargo.

Já o Chefe do Cerimonial da Casa Militar, tenente-coronel Ricardo Alexandre Sabatini Silva, teve a mulher, Deborah Sabatini, nomeada no início de fevereiro como Gerente do Sistema de Comunicação. Situação parecida ocorreu com Tatiana Cadore da Silva, mulher do Coordenador Militar do Gabinete da vice-governadora, tenente Coronel Fred Hilton Gonçalves da Silva, que foi nomeada para cargo de assessora técnica no gabinete da vice-governadora.

Os ajudantes de ordens do governador e da vice também tiveram seus cônjuges nomeados. A mulher do capitão Anderson Luiz Ciotta, Heloísa Helena Battisti, que também é oficial militar, assumiu cargo na equipe do Cerimonial do Governador. Já o soldado Rafael de Faccio Ferreira de Azevedo, que estava lotado em Chapecó e é marido da major Andréia Cristina Fergitz, ajudante da vice, vai assumir cargo na casa militar. Faccio, que respondia ação penal por agressão, acabou absolvido pela Justiça Militar no último dia 4 fevereiro, seis dias depois de ser nomeado.

Mesmo sem ser nomeada em Diário Oficial, chama a atenção também a presença de Susi Padilha como fotógrafa do governador e da vice. Susi é mulher do tenente-coronel Alessandro Marques, sub-chefe da Casa Militar. Segundo assessoria do governo, a fotógrafa trabalhou de forma voluntária na campanha e atualmente integra o quadro da Comunicação Social como funcionária terceirizada.

Militares deixam quartéis e assumem cargos no governo

Não há um número consolidado de quantos militares já deixaram os batalhões da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros para assumirem cargos de livre nomeação do governador Carlos Moisés. Mas desde que assumiu, o governador tem demonstrado preferência por membros da PM e Bombeiros em postos chaves da administração.

Militares foram indicados em cargos na Administração, Educação, Saúde, Gabinete do Governador e da vice-governadora. No Diário Oficial do dia 29 de janeiro, por exemplo, em um único ato, o governo promoveu mais de 30 militares, praças e oficiais, em diversos cargos da Casa Militar.

O ND também teve acesso a uma minuta de decreto onde o governador pretende declarar de interesse Bombeiro Militar as funções exercidas por membros da corporação na Secretaria de Educação. Decreto semelhante já foi assinado, quando do primeiro ato de Moisés, para incluir militares na Secretaria de Administração.

Minuta de decreto que declara de interesse Bombeiro Militar a presença de membros da corporação na Secretaria de Educação. – Reprodução/ND

Não há informações, no entanto, se o governo vai promover a reposição de agentes da Segurança que estão deixando seus postos para exercerem funções em gabinete.

Atualmente, os militares comandam as pastas da Saúde, Administração, Segurança Pública e Infraestrutura.

Governo diz que não há ilegalidade nas nomeações

Por meio de nota, assinada pelo secretário Executivo da Casa Militar,  João Carlos Neves Júnior, o Governo justificou que as nomeações questionadas se tratam de “profissionais técnicos, com experiência comprovada na área para a qual foram designados”.

Neves também informou que seu filho, João Carlos Neves Neto, já teria pedido exoneração do cargo de assessor jurídico da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania. Segundo a nota, a exoneração foi anterior a divulgação da lista de nomes de militares e seus parentes nomeados.


Leia íntegra da nota:

1. Por iniciativa própria e para evitar quaisquer mal-entendidos, João Carlos Neves Neto pediu sua exoneração do cargo de Assessor Jurídico da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, fato anterior ao envio das mensagens apócrifas.

2. A respeito das demais nomeações, ressalta-se que foram analisadas previamente pelo setor de Governança, o qual não constatou quaisquer ilegalidades.

3. Destaca-se que os nomeados são profissionais técnicos, com experiência comprovada na área para a qual foram designados. No mais, não podem ser prejudicados pelo fato de serem parentes de outros servidores.

Florianópolis, 22 de fevereiro de 2019.

JOÃO CARLOS NEVES JÚNIOR
Secretário Executivo da Casa Militar

Política