Parte de talude desmorona em Barão de Cocais; sem impacto em barragem, diz Vale

Atualizado

A Defesa Civil de Minas Gerais informou que parte do talude da mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, desmoronou durante a madrugada desta sexta-feira, 31. Conforme o relato repassado pela Vale, empresa responsável pela mina, não houve impacto na barragem Sul Superior.

Barragem Gongo Seco, do vale – Reprodução/Google Maps

O temor das autoridades é que, com o desprendimento de partes maiores do talude, seja gerado um abalo sísmico capaz de fazer com que a barragem se rompa, atingindo os municípios de Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.

“Segundo a Vale, hoje, por volta das 5h, aconteceu um pequeno desplacamento do talude da mina de Gongo Soco. Foi um desprendimento de uma parte insignificante, segundo o empreendedor (a Vale) que caiu dentro da cava, ali foi acondicionado e não trouxe nenhuma característica de gatilho ou de possível tremor que viesse a ter consequência na barragem Sul Superior”, afirmou o coordenador-adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, Flavio Godinho.

As ações de monitoramento prosseguem na barragem. “Já era previsto que esse talude poderia romper na sua totalidade ou partes dele, e isso vem se concretizando a cada dia que aumenta a velocidade desse deslocamento”, disse o representante da Defesa Civil.

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Segundo o último relatório da Agência Nacional de Mineração (ANM), divulgado ontem, 30, ao meio dia, a velocidade de deformação do talude, que é a descida, aos poucos, do material, era de 24,6 centímetros por dia na porção inferior do talude e 29,1 centímetros em pontos mais críticos.

A Vale afirmou, em nota, que identificou o desprendimento de “fragmentos do talude norte” da cava da mina.

“Esses blocos se acomodaram no fundo da cava. As primeiras avaliações indicam que o material está deslizando de forma gradual, o que até o momento corrobora as estimativas de que o desprendimento do talude deverá ocorrer sem maiores consequências”.

A empresa diz, ainda, que a cava e a barragem são monitoradas 24 horas por dia de forma remota, com uso de radar e “estação robótica capazes de detectar movimentações milimétricas”, além de sobrevoos com drone.

A barragem está em nível máximo de alerta desde o fim de março e a Zona de Autossalvamento (ZAS), onde não há possibilidade de escapar a tempo em caso de rompimento da barragem, foi evacuada em 8 de fevereiro. “A Vale reitera que manterá a comunidade de Barão de Cocais informada da situação”.

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