“Passar 6 dias recuperando corpos, com tantos soterrados, mexeu com todos”, conta bombeiro

Atualizado

Destacados para reforçar o trabalho de busca por sobreviventes e resgate de vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, 10 bombeiros militares de Santa Catarina voltaram ontem ao Estado. Descontando o tempo de trajeto ida e volta, o grupo ficou seis dias em Minas Gerais. Em conversa com o ND, o capitão Renan Ceccato, 34, falou sobre a magnitude da tragédia, da mobilização solidária e da contribuição decisiva dos quatro cães na localização dos corpos em meio à lama.

ENTREVISTA/Renan Cesar Ceccato, capitão do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina

IMPRESSÕES
“O impacto foi muito grande, mesmo com toda a experiência na região do Alto Vale. Essa impressão foi unânime, devido à magnitude do evento. Nunca tínhamos nos deparado com uma tragédia dessa magnitude. Foram cerca de 10 quilômetros de devastação e uma quantidade de óbitos muito acima do que estávamos acostumados. Outra coisa que chamou a atenção foi a solidariedade. O clamor social levou a Brumadinho muitos voluntários e bombeiros de outros Estados, além de integrantes dos órgãos de Defesa Civil. Quem estava trabalhando na zona quente estava  incansável. Dormíamos cerca de 4 a 5 horas por noite. Todos queriam colaborar o máximo possível durante o tempo que ficariam lá. E muitos se prontificaram a voltar.”

DIFICULDADE
“Sem dúvida, a principal dificuldade foi o terreno. Porque apresentava riscos – alguns pontos com 12 a 15 metros de profundidade e com lama mole -, mas também pela dificuldade de caminhar para progredir nas buscas. Os cães sofreram muito por causa da lama, ficavam exaustos, o que exigiu trabalho preventivo, apoio veterinário e escala para que eles trabalhassem sob muito sol. Além disso, encontramos estruturas muito grandes colapsadas, como a usina de processamento do minério. Estruturas de metal comprometidas, com corpos lá dentro a serem resgatados.”

CÃES
“Os quatro cães de Santa Catarina tiveram muito sucesso para encontrar corpos pelo tipo de técnica de treinamento que recebem. Eles foram colocados em áreas com mais possibilidade de encontrarmos corpos (indícios). A partir das indicações deles, as equipes faziam as escavações manuais ou com máquinas.”

 REFLEXÃO
“A missão a que estamos acostumados é de entregar às famílias as pessoas vivas, salvas, resgatadas. Essa é a nossa satisfação. Uma missão como essa é muito extraordinária: passar 6 dias só recuperando corpos, com tantas pessoas soterradas, mexe muito com todos. Tanto eu, com oito anos de experiência, como colegas com mais de 30 anos de trabalho no Corpo de Bombeiros.”

KNOW-HOW
“Como nosso Estado está acostumado com catástrofes naturais – enxurradas, enchentes, deslizamentos etc -, nossa capacitação técnica com os cães e em intervenções em áreas deslizadas, por exemplo, fazem a diferença. Temos cursos que são referência nacional e até na América Latina.”

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“Passar 6 dias recuperando corpos, com tantos soterrados, mexeu com todos”, conta bombeiro

ENTREVISTA/Renan Cesar Ceccato, capitão do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina

Destacados para reforçar o trabalho de busca por sobreviventes e resgate de vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho, 10 bombeiros militares de Santa Catarina voltaram ontem ao Estado. Descontando o tempo de trajeto ida e volta, o grupo ficou seis dias em Minas Gerais. Em conversa com o ND, o capitão Renan Ceccato, 34, falou sobre a magnitude da tragédia, da mobilização solidária e da contribuição decisiva dos quatro cães na localização dos corpos em meio à lama.

Capitão Renan Ceccato, de capacete branco, em busca por corpos em Brumadinho (MG) - Divulgação, ND
Capitão Renan Ceccato, de capacete branco, em busca por corpos em Brumadinho (MG) – Divulgação, ND

IMPRESSÕES
“O impacto foi muito grande, mesmo com toda a experiência na região do Alto Vale. Essa impressão foi unânime, devido à magnitude do evento. Nunca tínhamos nos deparado com uma tragédia dessa magnitude. Foram cerca de 10 quilômetros de devastação e uma quantidade de óbitos muito acima do que estávamos acostumados. Outra coisa que chamou a atenção foi a solidariedade. O clamor social levou a Brumadinho muitos voluntários e bombeiros de outros Estados, além de integrantes dos órgãos de Defesa Civil. Quem estava trabalhando na zona quente estava  incansável. Dormíamos cerca de 4 a 5 horas por noite. Todos queriam colaborar o máximo possível durante o tempo que ficariam lá. E muitos se prontificaram a voltar.”

DIFICULDADE
“Sem dúvida, a principal dificuldade foi o terreno. Porque apresentava riscos – alguns pontos com 12 a 15 metros de profundidade e com lama mole -, mas também pela dificuldade de caminhar para progredir nas buscas. Os cães sofreram muito por causa da lama, ficavam exaustos, o que exigiu trabalho preventivo, apoio veterinário e escala para que eles trabalhassem sob muito sol. Além disso, encontramos estruturas muito grandes colapsadas, como a usina de processamento do minério. Estruturas de metal comprometidas, com corpos lá dentro a serem resgatados.”

CÃES
“Os quatro cães de Santa Catarina tiveram muito sucesso para encontrar corpos pelo tipo de técnica de treinamento que recebem. Eles foram colocados em áreas com mais possibilidade de encontrarmos corpos (indícios). A partir das indicações deles, as equipes faziam as escavações manuais ou com máquinas.”

 REFLEXÃO
“A missão a que estamos acostumados é de entregar às famílias as pessoas vivas, salvas, resgatadas. Essa é a nossa satisfação. Uma missão como essa é muito extraordinária: passar 6 dias só recuperando corpos, com tantas pessoas soterradas, mexe muito com todos. Tanto eu, com oito anos de experiência, como colegas com mais de 30 anos de trabalho no Corpo de Bombeiros.”

KNOW-HOW
“Como nosso Estado está acostumado com catástrofes naturais – enxurradas, enchentes, deslizamentos etc -, nossa capacitação técnica com os cães e em intervenções em áreas deslizadas, por exemplo, fazem a diferença. Temos cursos que são referência nacional e até na América Latina.”

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