Peixe de lagoa se firma como alternativa na Grande Florianópolis

Piscicultura. Cultivo toma espaço das culturas tradicionais da região

Marcos Horostecki/ND

Produtor Luiz Sardo se prepara para a próxima temporada de verão

São João Batista – Sem fazer contas ou planejamentos complexos, há quase vinte anos o agricultor Luiz Sardo, 58 anos, decidiu aproveitar a oferta abundante de água em sua propriedade, na comunidade de Colônia, município de São João Batista e iniciar uma pequena produção de peixes. Com o apoio do município escavou uma lagoa e comprou as primeiras tilápias. Não demorou muito para que ele percebesse que “plantar peixe” poderia dar tanto ou até mais resultado que a lavoura de fumo, tradicional na região. De palestra em palestra sobre as técnicas de produção e aproveitando o talento para o comércio, o plantio foi ficando de lado e em pouco tempo a propriedade se transformou numa grande área de lazer. Já conta com lagos para pesca esportiva, piscinas para espantar o calor no verão e até uma pista particular de motocross.

O cultivo de peixes para que eles sejam pescados esportivamente e consumidos à beira das lagoas de criação é a principal aposta dos piscicultores do Vale do Rio de Tijucas. Pelo menos dez propriedades da região já operam neste regime, embora somente em São João Batista, o número de piscicultores seja muito maior. Segundo o secretário de agricultura do município, Marcelo Xavier, os produtores já somam mais de 80. Tanto que o município mantém, ano após ano, um programa de distribuição e venda de alevinos, os filhotes dos peixes. “A maioria ainda cultiva para subsistência ou para o lazer, mas alguns já despertaram para a atividade, principalmente para o sistema de pesque e pague”, comenta.

O município distribui cerca de 60 mil alevinos por ano, uma quantidade pequena se considerado o número de psicultores, mas a expectativa é de que o pescado continue crescendo, aproveitando o vácuo de culturas que estão perdendo espaço, como arroz e o fumo. Essa semana, dezenas de propriedades promovem a despesca de Páscoa, para garantir o peixe para a semana Santa.

Preconceito com peixe de lagoa está diminuindo

Marcos Horostecki/ND

Tilápia é o peixe mais “plantado” na região

Na propriedade de Luiz Sardo, a expectativa é comercializar cerca de 400 quilos de tilápias até sexta-feira. O agricultor nem precisa se deslocar até a cidade para vender. Os compradores vão até às lagoas, distantes cerca de dez quilômetros de São João Batista. “Com o tempo o pessoal está perdendo um pouco aquele preconceito com o peixe de lagoa. Depois que prova pela primeira vez, a maioria volta”, comemora.

Para Sardo, a comercialização direta na propriedade é uma vantagem. Um quilo de tilápia limpa e frita, pescada ou não pelo cliente, sai por R$ 10,00. Mais que o dobro do que ele receberia se vendesse a produção para um atravessador. O resultado permite mais investimentos em rações e na qualidade dos peixes.

Esse ano o produtor foi obrigado a comprar pescado de vizinhos e até de outras regiões para atender a demanda. Por isso ele já está se preparando para o próximo verão. Colocou para criar mais de 5 mil tilápias e está diversificando a oferta, com pacus, que são peixes tradicionais do Pantanal e com matrinxãs, que são originários da Amazônia. A preocupação é com a queda das temperaturas, durante os próximos meses. “Já estou acelerando um pouco a produção, já que durante o inverno as tilápias crescem bem menos’, complementou.

Acesse e receba notícias de Florianópolis e região pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Notícias