Perdas na distribuição de água na Grande Florianópolis chegam a 43%

Atualizado

As ocorrências de falta de água na Grande Florianópolis poderiam ser amenizadas ou até mesmo eliminadas se não houvessem tantas perdas no percurso da água entre Sistema Integrado da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) e os consumidores. A avaliação é do professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Ramon Lucas Dalsasso, a partir de dados obtidos no Snis (Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento).

Em três anos, de 2015 a 2017, o índice de perda de água aumentou em 10%, saiu dos 36% para 43%, maior que a média de Santa Catarina (37%) e do Brasil (38%). “Dez por cento é muita água jogada fora. Daria para atender 50 mil pessoas agora com a vazão reduzida. Em plena captação seriam 90 mil pessoas. A falta de planejamento gera prejuízos. As necessidades surgem muito rápido com o aumento populacional e as políticas públicas não acompanham”, afirmou Dalsasso.

“Se as perdas fossem reduzidas, em 10 ou 12 anos não haveria problemas e nem precisaria investir em expansão de rede”, comentou Ramon Lucas Dalsasso, que leciona Sistema de Abastecimento de Água na UFSC.

Vazamento leva milhares de litros d’água pelo bueiro – Marcela Ximenes/ND

São contabilizados como perdas no sistema de distribuição de água os vazamentos, as ligações clandestinas e a falha na medição do consumo. “O índice de perdas na distribuição de água dá uma ideia da diferença entre o volume de água que é distribuído e o que é efetivamente contabilizado como consumo por parte da população”, segundo o relatório do Snis. O Snis é gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e reúne informações de todos os prestadores de serviços públicos de água e esgoto.

Outra medida importante apontada pelo especialista é a ampliação da captação do rio Cubatão do Sul, que tem maior capacidade em relação ao rio Vargem do Braço, também chamado de Pilões.

O professor citou que a Casan tem se aproximado da universidade para tratar das perdas no fornecimento. Procurada, a Casan não informou quais ações a companhia têm para combater essas perdas registradas no Snis.

Monitoramento

As ocorrências de falta de água continuam se acumulando nos bairros mais afetados pela intermitência do abastecimento. Mas, de acordo com a Casan, “desde sexta-feira o Sistema Integrado da Grande Florianópolis se mantém estável, com bons níveis de enchimento dos reservatórios”. As pontas de rede e os bairros mais altos ainda exigem atenção da área operacional o que, segundo a Casan, “mostra que o monitoramento ponto a ponto da Companhia está permitindo o abastecimento”.

Em Florianópolis e São José o fornecimento está sob controle, segundo a Casan, com casos pontuais sendo atendidos sempre que necessário.

De acordo com o setor de meteorologia da Epagri Ciram, não há previsão de chuvas significativas para os próximos dias.

Mais conteúdo sobre

Meio Ambiente