Perfil Contra Assédio Joinville reúne casos e denuncia assediadores

Criado por estudante de 16 anos, perfil em rede social alerta mulheres para casos de assédio nas ruas, bares, baladas e transporte coletivo da cidade

“Quero avisar as meninas que tem um cara com um carro cinza, infelizmente não sei a marca do carro. É um cara, parece baixinho, uns 35 a 45 anos. Ele anda seguindo várias meninas aqui nos loteamentos. Me seguiu, mas parou quando fui para um lugar movimentado. Já seguiu três amigas minhas, em dias diferentes e a mãe de uma amiga.”

Este é apenas um dos inúmeros relatos reunidos e publicados em um perfil no Instagram. O “Contra Assédio Joinville” foi criado para “relatar e alertar outras pessoas contra casos de assédio e assediadores nas ruas, estabelecimentos ou ônibus de Joinville”.

Perfil reúne relatos de assédio em Joinville – Foto: Reprodução/InstagramPerfil reúne relatos de assédio em Joinville – Foto: Reprodução/Instagram

Idealizado pela estudante Edna Thayná, de 16 anos, o Contra Assédio centraliza casos de assédio na cidade e os objetivos são claros: informar, alertar e denunciar. E a motivação para a criação do perfil é a mesma publicada quase que diariamente: o assédio.

Criadora do perfil também já foi vítima de assédio em ônibus

A estudante conta que, em 2018, ouviu o relato de um caso de assédio que aconteceu com uma amiga, dentro do transporte coletivo em Joinville. Além disso, ela mesma também havia sido assediada enquanto estava indo para a escola. “Foi quase na mesma época que criei o perfil. Estava de ônibus, indo para a escola, de uniforme e com o ônibus lotado. Todo mundo vê e ninguém fala nada”, conta.

Para ela, o Contra Assédio tem a importante função de dar voz às mulheres que sofrem assédio e para quem vê esse tipo de situação. “É pra denunciar e dizer que isso acontece e que precisamos fazer alguma coisa”, ressalta.

– Foto: Reprodução/Instagram– Foto: Reprodução/Instagram

Criado há um ano e três meses, o perfil já recebeu mais de 300 relatos de mulheres assediadas nas ruas, baladas, bares e em ônibus. Até o momento, a estudante afirma que os casos ocorrem, em sua maioria, nas ruas da cidade, “No transporte público também tem bastante, mas não é na mesma proporção”, explica.

Mulheres reconhecem suspeito através de relato e denunciam caso à polícia

Entre os casos chocantes que recebe, Edna destaca uma denúncia recente que acabou se transformando em uma cascata de casos de mulheres assediadas pelo mesmo homem, na mesma região. Ela conta que o suspeito agia na avenida Santos Dumont, na zona Norte da cidade, e sempre estava de moto, abordando e assediando mulheres que estivessem andando na rua ou esperando pelo ônibus na parada.

“Me chocou pela quantidade de posts que recebi. Depois que eu postei a denúncia, vários outros relatos chegaram com vídeo, foto, placa e até identidade da pessoa, de tantas mulheres que ele estava assediando há tanto tempo”, diz.

As mulheres se reconheceram, se identificaram e, unindo as informações, conseguiram fazer boletim de ocorrência formalizando os assédios.

Além de oportunizar o espaço, divulgar, denunciar, o perfil também tornou a criadora “mais atenta”. “A gente percebe que é real, que não é só com a gente, que todo mundo tem esse tipo de receio e em todo lugar”, destaca.

Atualmente, com mais de 4 mil seguidores, a página também dá dicas de cuidados pessoais, de legislação e também de indícios que podem fazer com que as mulheres identifiquem possíveis abusos, assédios e relações abusivas.

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