Perita pede registro de vazamentos no rio do Brás e Casan diz ser impossível levantar dados

Justiça realizou vistorias nesta quarta no sistema de tratamento de esgoto do Norte da Ilha. Laudo técnico pode sair em 15 dias

O juiz federal Marcelo Krás Borges inspecionou nesta quarta-feira (20) o rio do Brás e as estações elevatória e de tratamento de esgoto da Casan no Norte da Ilha. A visita foi motivada por uma ação civil pública do MPF (Ministério Público Federal), de 2014, que tem a Casan como ré e investiga possíveis irregularidades no sistema de tratamento de esgoto em Canasvieiras.

Flávio Tin/ND

Justiça contratou engenheira sanitária para acompanhar a vistoria

A engenheira sanitária Bernadete Regina Steinwandter, contratada pela Justiça, acompanhou o trabalho e solicitou à Casan dados dos projetos das duas estações, além de informações sobre a eficiência de tratamento para produzir laudo técnico em até 15 dias – prazo que ainda pode ser renegociado entre as partes.

A Casan, que foi cobrada pelo juiz para ser rápida na entrega da documentação, se comprometeu a repassar as informações ainda nesta semana. Borges não quis conversar com a imprensa.

Entre o extenso volume de informações solicitadas por Bernadete à Casan estão a descrição completa do sistema de esgotamento sanitário de Canasvieiras, indicando a localização em planta da rede coletora, elevatórias, linhas de recalque, estação de tratamento e emissário final.

Outro quesito considerado importante pela engenheira começou a ser observado já na vistoria desta quarta-feira, quando ela visualizou internamente um poço de sucção da estação elevatória do rio do Brás – outros precisarão ser vistoriados – com a intenção de verificar se há registros ou marcas nas paredes internas que indiquem que o nível de esgoto superou a cota de saída da tubulação.

“Também solicitamos à Casan que nos repasse todos os extravasamentos que ocorreram na estação elevatória do rio do Brás desde o início da operação”, disse ela.

A Casan, por meio do superintendente da Região Metropolitana de Florianópolis, Lucas Barros Arruda, disse durante a vistoria que é impossível levantar esses dados.

“Nem os extravasamentos ocorridos no final do ano, nos dias 29 e 31 de dezembro, serão possíveis de precisar”, afirmou.

Bernadete também solicitou à Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente) os relatórios de balneabilidade em Canasvieiras nos últimos dois anos. Ela pretende cruzar as informações com os dados de funcionamento da estação elevatória para saber se nas ocasiões em que a praia registrou muitos pontos impróprios aconteceram extravasamentos de esgoto.

Questionada se serão coletadas amostras do esgoto tratado pela Casan, Bernadete disse que quem fará essas amostras será a companhia. “São dados do monitoramento da Casan, e não haverá análise independente”, destacou.

O procurador João Marques Brandão Neto, que representa o MPF até 29 de janeiro na ação de autoria da procuradora Analúcia Hartmann, disse que a vistoria serviu como prova judicial.

Na sexta-feira, uma audiência na sede da Justiça Federal ouvirá testemunhas para concluir a juntada de provas na ação de atentado contra a Casan, instaurada com o objetivo de desobstruir imediatamente a foz do rio do Brás – o que ocorreu de forma natural na manhã de 15 de janeiro.

Essa ação será incluída à ação principal do MPF, que tem o objetivo de fazer com que a Casan solucione os problemas de extravasamento de esgoto em Canasvieiras, assim como seja obrigada a apresentar cronograma de ações para a despoluição completa da faixa de praia e do mar naquela localidade, inclusive no que concerne à foz do Rio do Brás, entre outras medidas.


ICMBio afirma que situação do rio Papaquara mudou

Segundo o chefe da Estação Ecológica de Carijós, Silvio Souza, a situação do rio Papaquara mudou nesta quarta-feira quando a pluma de esgoto que estava presa às margens da SC-401 desceu até a rodovia Virgílio Várzea, próximo à garagem da empresa de ônibus Canasvieiras.

“Isso ocorreu por conta da limpeza do canal que liga o Brás ao Papaquara, e aquela água que estava estagnada no Papaquara foi empurrada e desceu uns 200 metros pelo rio. Estamos monitorando a situação diariamente, e essa água suja ainda não chegou à estação ecológica de Carijós”, revelou Sílvio.

Ele considera a situação com dois lados, um bom e outro ruim: “É bom que dá uma circulada na água, mas é ruim porque aquela água suja se espalhou. No médio prazo pode ser que melhore, mas agora é muito ruim. Veremos como essa água suja vai se comportar, se vai se diluir ou não”, falou.

Nesta quarta, na terceira medição realizada este ano, a Fatma voltou a considerar seis pontos da praia de Canasvieiras como próprios para banho, e dois deles impróprios.

Os pontos próprios para banho se localizam em frente às ruas José Daux, das Flores, Acarí Margarida e Afonso Cardoso da Veiga; assim como no canto esquerdo da praia, próximo às pedras, e na frente da avenida das Flores.

O lado esquerdo do trapiche – ponto mais próximo à foz do rio do Brás – e o ponto em frente à rua Heitor Bittencourt permanecem sem condições para o banho de mar.

Os dados de balneabilidade relativos a Canasvieiras e outras praias da Ilha estão disponíveis no site da Fatma, mas o relatório completo da balneabilidade no Estado será divulgado na sexta-feira.

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