Pescadores artesanais fazem lances bem-sucedidos no fim de semana e superam safra passada

Em 15 dias de pescaria, em maio, foram capturadas 304 toneladas, e junho começa bem. Mesmo assim, pescadores protestam em Florianópolis

Denisar Pacheco/Divulgação/ND

Pescadores da Pinheira contam com a ajuda da comunidade para puxar a rede

Dois dias seguidos de pescaria bem-sucedida nas praias do Sonho, da Pinheira e na Ponta do Papagaio, em Palhoça, com pelo menos 8.500 unidades, ou 15 toneladas, capturadas desde domingo pelas tradicionais redes de arrasto e canoas de um pau só, servem de alento aos pescadores artesanais de Florianópolis. A expectativa é que parte do cardume avistado na segunda-feira naqueles costões, calculado em aproximadamente 50 mil tainhas, comece a passar a partir desta terça pelas enseadas da Ilha.

É o que também espera Amauri Félix, 39 anos, que no domingo repetiu um ritual praticamente esquecido na Caieira da Barra do Sul, onde o mar grosso se mistura às águas calmas da baía Sul. No domingo à tarde, ele não conteve as lágrimas ao presentear amigos com tainhas desmalhadas ali mesmo na praia. “Fazia muito tempo que não se pescava tanto de uma só vez na comunidade. Tomara que venha mais”, disse. Em um único lance com rede de caça de malha ele trouxe 1.043 peixes malhados.

Amauri Félix é um dos tripulantes do bote Corsário, que no início da noite de ontem ajudou os camaradas da rede do Cacau, na praia de Naufragados, a transportar as 11 mil tainhas (16 toneladas) capturadas no único lance do dia. “Tem muito peixe passando pela boca da barra sul da Ilha”, avisou.  A dificuldade de acesso noturno pela trilha mobilizou praticamente todas as embarcações de médio porte da comunidade para transporte do cardume capturado até a prainha da Caieira, de onde era transferido para caminhões de atravessadores.

Os números da temporada de pesca mudam todos os dias. Até sexta-feira, quando fechou o período de 15 dias de pesca em maio, 304 toneladas já haviam sido computadas na estatística da Fepesc (Federação dos Pescadores de Santa Catarina). Os três primeiros meses de junho confirmam a tendência e, segundo o presidente Ivo Silva, já garantiram safra superior ao ano passado, quando foram pescadas 400 toneladas.

 Com a chegada desta nova remessa ao Mercado Público, hoje cedo, a previsão de Ivo Silva é de baixa no preço ao consumidor. “Por enquanto está estável, mas, se continuar neste ritmo, logo a tainha estará ainda mais barata”, diz. Segundo Silva, a safra atual deve superar os números dos quatro últimos anos em Santa Catarina.

Protesto na Capital para garantir novas regras

Os indícios de boa safra, no entanto, são insuficientes para acalmar os pescadores artesanais de Santa Catarina. Lideranças de colônias de todo o Estado, de Passos de Torres, ao Sul, a Itapoá, ao Norte, foram convocados pela Fepesc para protesto nesta terça, em Florianópolis. Pela manhã, estarão no Ministério da Aquicultura e Pesca, onde pretendem entregar documento que à tarde levarão bancadas partidárias na Assembléia Legislativa.

Os motivos são muitos, entre eles, reforçar o pedido de antecipação da safra para 1º de maio, a partir de 2014. Também querem esclarecimentos sobre portaria que limita o uso de uma embarcação para cada espécie pescada. “É mais uma medida para inviabilizar a pesca artesanal, e deixar caminho aberto para a indústria”, diz Obadias Gonçalves Ferreira, 86, representante da colônia de Laguna.

Segundo o presidente da Fepesc, Ivo Silva, os pescadores também cobrarão a liberação de pelo menos 5 mil carteiras de pescadores, retidas no ministério. Outra reivindicação é o licenciamento de pescadores que precisaram recorrer à Justiça para cercar da praia com canoas motorizadas, como ocorre da praia do Camacho, em Jaguaruna, a Passos de Torres.

Botes da Ilha pescam com caças de malha em Laguna

Maior parte da safra atual é atribuída a botes com redes de caça de malha, modalidade introduzida há pouco mais de 30 anos como alternativa às redes de arrasto de praia. Equipados com redes de cerco com até 800 metros de comprimento, alguns inclusive com guincho, casario e sonda para identificação do peixe, os botes navegam dentro do limite de cinco milhas da costa e só cercam quando localizam os cardumes.

Para evitar novo fracasso, neste ano botes da Barra da Lagoa, da Armação e do Pântano do Sul estão navegando cada vez mais longe da Ilha. Chegam a viajar de quatro a seis horas para cercar nas imediações de Imbituba e Laguna.

São embarcações de pequena autonomia, que podem ficar no mar no máximo dois dias, sempre perto da costa ou portos. “Mas estão fazendo viagens de bate e volta. Chegam ao ponto de pesca, cercam, recolhem as redes com os peixes e voltam no fim do dia”, explica Ivo Silva.

Cada bote leva seis tripulantes – mestre, contramestre, chumbareiro, dois camaradas e, no caso de viagens longas, o cozinheiro. A capacidade de carga varia de três a cinco toneladas.

 

Safra 2013

Maio/total – 304 toneladas

Junho/parcial – 50 toneladas

 

Safra/toneladas

2006– 1.124

2007 – 2.192

2008– 923

2009 – 1.198

2010 – 780

2011 – 617 –

2012 – 420

Dados: Federação dos Pescadores de Santa Catarina

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