Pescadores de Florianópolis atingem em dois dias o pico da safra da tainha

A combinação da lua em quarto crescente, com a viração do vento de sul para norte/nordeste e ligeira aquecida na água era a combinação que os pescadores do litoral catarinense esperavam para continuar de olho no mar à espera de uma boa safra de tainhas. Iniciada em 1° de maio para as parelhas de arrasto de praia com canoas a remo e 15 dias depois para botes sem porão equipados com redes de emalhe e anilhas com capacidade de carga inferior a 10 toneladas, a captura atingiu o pico nesta quinta e sexta-feira.

Marco Santiago/ND

Foram pescadas 960 toneladas non litoral catarinense

Em Florianópolis, onde predominam as tradicionais canoas de garapuvu, nestes dois dias foram capturadas de 10 e 15 mil peixes [em torno de 20 toneladas]. Os maiores cercos foram realizados em praias do Norte da Ilha – no canto leste da praia dos Ingleses, com mais de 6.000 arrastadas e amontoadas na areia, e na Lagoinha de Ponta das Canas, onde a soma das redadas de quinta e sexta somaram 5.200 tainhas.

Também houve lanços menores nas praias de Canasvieiras e Daniela, no Norte. No Sul da Ilha, cardumes foram cercados com êxito no Morro das Pedras e no Campeche, informou o presidente da Federação das Colônias de Pescadores de Santa Catarina, Ivo Silva, de 62 anos.

Segundo ele,  já foram pescadas 960 toneladas, das quais 270 toneladas foram em Florianópolis com participação importante da frota de botes equipados com redes caça de malha — para cercar cardumes a uma milha da costa. A expectativa da Federação é fechar a safra, em 31 de julho, com total entre 1.500 e 2.000 toneladas.

Lagoinha é destaque na captura com método tradicional

Enseada estratégica durante o curso para desova, a Lagoinha tem sido nos últimos anos um dos mais bem sucedidos redutos da pesca artesanal em Florianópolis. Neste ano, o maior lanço foi o de quinta-feira (25), quando foram capturados 3.700, parte distribuída entre moradores da comunidade que ajudaram no arrastão e vendida ali mesmo, a preços que variaram entre R$ 15 e R$ 20 a unidade, com maior valorização para os peixes com ovas. Desde o início da safra já foram 12 mil tainhas, contabiliza Marcos Reis da Luz, 39, um dos patrões da cooperativa de 26 canoas e redes que detém as licenças de dois ranchos na praia.

A maior parte dos cercos na Lagoinha, segundo Marquinhos, foi feita  com a canoa Carolina, de sete metros e equipada com rede de 300 braças [550 metros], adequada para cardumes medianos [entre 500 e 5.000 peixes] avistados mais próximos da costa. “É uma embarcação pé quente”, brinca o pescador.

Nos dois últimos cercos bem sucedidos na Lagoinha os cardumes seguiam de sul para norte e encostaram repentinamente na enseada. “Não era peixe que estava parado por aqui. Este vinha viajando, e entrou na enseada por causa da viração. O rebojo [vento sul] traz o peixe para a desova, mas é na calmaria da mudança para nordeste que tudo acontece”, explica. A expectativa de Marquinhos e colegas da Lagoinha, assim como nas demais praias da costa leste/sul da Ilha é que mar e clima continuem propícios à pesca neste fim de semana.

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