Pesquisador da FGV fala a prefeitos catarinenses sobre crise econômica

Prefeitos catarinenses que prestigiaram a posse da nova diretoria da FECAM (Federação Catarinense de Municípios), na tarde desta terça-feira (15), também participaram da palestra com o doutor em economia Samuel Pessôa, pesquisador da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que apresentou os contextos políticos e econômicos que levaram o Brasil a sua maior recessão em 120 anos, segundo afirmação do próprio pesquisador.

Pessôa elencou três tópicos para contextualizar o momento que o país enfrenta no pós-crise e diz que condição necessária, e não suficiente, para o ajuste fiscal é a aprovação da reforma da Previdência.

Samuel Pessôa diz que PT violou regras não escritas da política e agravou ainda mais crise econômica - Divulgação/ND
Samuel Pessôa diz que PT violou regras não escritas da política e agravou ainda mais crise econômica – Divulgação/ND

“Primeiro é preciso interpretar a crise que atingiu o país entre 2014 e 2016, quando tivemos a maior perda do PIB per capta em 120 anos. Na sequência faço uma análise do governo Bolsonaro, do que podemos esperar, e encerro com a crise política de 2015”, explicou.

Para o pesquisador, o momento crítico que atingiu o Brasil após a primeira década do século 21 é um fenômeno que não ocorre mais do que uma vez em um século. Segundo ele, a situação econômica acabou agravada pelo contexto político, principalmente após as eleições de 2014, quando “o PT quebrou algumas regras não escritas da política” para se manter no poder.

“O PT destinou cortes públicos para eleger Dilma, sacrificou o orçamento para isso; mentiu muito mais do que o contexto político permite; e perdeu capacidade de diálogo com a oposição. Pra mim, esses três fatores foram determinantes para a estagnação”, explicou.

Esse contexto, segundo Pessôa, levou o Estado a se tornar insolvente, ou seja, gastando mais do que arrecada, diante de um Congresso paralisado, incapaz de abrir o orçamento público e buscar o equilíbrio das contas públicas.

“A insolvência do setor público gera uma enorme insegurança. Não se sabe o que vai ocorrer no outro dia e inviabiliza o investimento privado. A crise fiscal só pode ser resolvida pelo Congresso Nacional. A Presidência da República lidera essa mudança, mas a decisão é do Congresso, dos políticos”, aponta se dizendo otimista com a possibilidade de aprovação da reforma da Previdência.

Para o pesquisador, mesmo que a retomada da economia ocorra de forma razoável nos próximos anos, ele acredita que dificilmente o país retornará ao quadro político e social que estava antes de 2014. “Nós estávamos em um ponto que o país tinha vivia uma situação de hiperemprego. Ou seja, o nível de desemprego estava abaixo da média histórica. Além disso, ainda tivemos mudanças importantes na CLT e essas mudanças levam no mínimo 10 anos para refletirem na economia. Com a terceirização e outras mudanças, acredito que a taxa natural de emprego sofra mudanças”, afirmou.

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