Pessoas em situação de rua na Lagoa da Conceição preocupam comunidade, em Florianópolis

A população em situação de rua é um problema social de longa data em Florianópolis, principalmente durante a temporada de verão. Na Lagoa da Conceição, no Leste da Ilha, a presidente da Amola (Associação dos Moradores da Lagoa da Conceição), Eliane Gomes Marcel Butin, afirma que a presença de pessoas nessas condições aumenta consideravelmente nesta época do ano. Ela nota que a maioria não é de Florianópolis e que parte delas está envolvida com alcoolismo, caracterizando o cenário também como um problema de saúde pública.

“A gente percebe que alguns desses moradores cometem pequenos furtos pontuais e aproveitam oportunidades para ter esse comportamento. Às vezes também há abordagens para pedir dinheiro que são um pouco agressivas, mas não costumam ser violentas”, afirmou Eliane.

Pessoas em situação de rua são problema social em Florianópolis - Marco Santiago/ND
Pessoas em situação de rua são problema social em Florianópolis – Marco Santiago/ND

Entre as ações realizadas pela prefeitura para essa população estão as abordagens da secretaria de Assistência Social, para encaminhamento ao Centro Pop, onde são oferecidos serviços de documentação e passagem de retorno para cidade de origem; além de atendimento na Passarela da Cidadania, para café da manhã, almoço, banho, janta e pernoite. No caso de atendimentos terapêuticos para essa população, a secretaria da Saúde, que faz a gestão do serviço, informou que o município está encerrando o convênio com o Lar Recanto da Esperança, onde pagava por 60 vagas, e até o fim do mês deve lançar novo edital para rever o contrato e os valores. Até lá, não há vagas.

Assim como na região da Lagoa, o Centro da Capital e as praias têm um aumento de pessoas nessa condição durante a temporada de verão. De acordo com a secretária de Assistência Social, Maria Cláudia Goulart da Silva, as abordagens ocorrem pela manhã, a partir das 6h, e têm roteiro agendado. Muitas vezes são feitas de forma interinstitucional. “Nessas ações também participam Comcap, Guarda Municipal e Superintendência de Serviços Públicos”, detalhou.

A presença da Polícia Militar na região da Lagoa, conforme a presidente da Amola, é constante. “Só que a polícia não pode expulsar o morador de rua, porque ele tem o direito constitucional de estar lá”, disse. Em meio a rondas, os agentes monitoram possíveis casos de insegurança pública. “As pessoas em situação de rua se concentram mais no centrinho, na praça Bento Silvério, na ponta do Pitoco, na praça Pio 12 e na orla da Lagoa”, disse Elaine. Segundo ela, a maior concentração é no Centrinho, onde os moradores de rua ficam nas proximidades da ponte.

Como presidente do conselho de segurança da Lagoa da Conceição, Eliane também acompanha o trabalho de abordagem da prefeitura. “Começamos a mapear os moradores e tentar identificar quem são e de que forma acabaram nas ruas”, comentou. É fundamental, explica ela, que a população se conscientize e evite doar esmolas, comida e roupa. “Isso ameniza o sentimento de caridade, mas não traz benefícios para os moradores de rua”, comentou Eliane.

O índice de pessoas que vêm a Florianópolis realizar um “turismo mais alternativo” e “em busca de oportunidades”, como explica a secretária de Assistência Social, também provoca o aumento da população em situação de rua. “A prefeitura se organiza e se prepara para isso. Só no primeiro semestre de 2017 foram encaminhadas 510 pessoas de volta para suas casas”, conta Maria Cláudia.

Ataque à equipe de reportagem

Na quinta-feira (17), equipe da RICTV sofreu um ataque na Lagoa da Conceição, quando um homem tentou atingir a repórter Karina Koppe com um pedaço de madeira. Pouco tempo depois, ele retornou ao local ameaçando a jornalista e o cinegrafista Valdir Andrade, tentando agredi-los novamente. Antes de ir embora, a equipe foi surpreendida de novo, desta vez por uma pedrada no vidro traseiro do carro. O agressor também quebrou outros vidros, que atingiram a repórter com estilhaços. Os jornalistas conseguiram fugir a pé e o agressor chegou a tentar dirigir o veículo da emissora. 

“Ficou claro que esse homem não é meramente um morador de rua, é um risco à segurança pública”, disse a presidente da Amola. “Se a pessoa tem distúrbios mentais e não possui capacidade para agir sem ocasionar risco para a sociedade, o Estado tem que intervir”, completou Elaine. O agressor, que foi preso pela primeira vez em 2006 e, em 2017 esteve novamente atrás das grades, foi contido por populares ate a chegada da polícia.

>> Homem agride equipe de reportagem da RICTV durante vivo na Lagoa da Conceição

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