Petrópolis

Como falar de um lugar sem falar de suas pessoas? Podemos descrevê-lo geograficamente, falar as características do lugar, as mudanças provocadas pela natureza, pelas tensões climáticas, mas, quando se quer falar da história desse, das modificações ali causadas pelas mãos do homem, então, melhor é avalizar a imagem que nós temos, pela boca de quem realmente conhece, e por isso, para falar do Petrópolis, tive a ajuda de duas figuras ímpares: Seu Ari da Cunha e Seu Nelson de Aviz.

Falando com a paixão que tem aqueles que tem amor a suas raízes, seu Aviz chegou à biblioteca onde trabalho, perguntando porque eu havia esquecido de escrever sobre o bairro Petrópolis, sabendo que eu havia escrito sobre todos os bairros da cidade a um tempo atrás. Mero deslize, seu Aviz! Munido de informações, me encheu de orgulho, por mostrar que temos pessoas apaixonadas e ferrenhas defensoras de seus lugares. Com seu Ari não foi diferente. Atuante no bairro, conhecido pela associação de moradores e ativista dos direitos da terceira idade, apareceu aqui com a paixão vestida nos olhos, uma paixão pela sua história, pela sua vitória, pelo seu bairro.

Em conversa, falaram-me do bairro de uma maneira não encontrada nos livros de história. Historicamente, aprendi que ele foi terra pertencente ao senhor Paulo Schroeder, localizadas dentro do bairro Itaum. Em 1 de abril de 1968 o bairro Petrópolis foi criado, e a partir dali, cresceu. Paulo Schroeder está imortalizado no nome de sua principal avenida, que brinda nossa cidade. Mas naquela época, o emaranhado de construções e ruas de hoje em dia, era, em sua maioria, uma grande pastagem onde se cultivava arroz, onde o morador de hoje, Seu Sonho, nem imaginava que um dia, um Teco-Teco fez daquelas plantações, nos idos de 1969, uma pista de pouso! Aquele avião desgovernado pousando nas terras do velho Schroeder foi um assunto que marcou a história do bairro, e que o seu Avis e seu Ari não deixam esquecer, até mesmo, porque na hora em que o avião aterrissava (ninguém ficou ferido), o senhor Ari da Cunha saía de seu curso de casamento. Foi aquela correria! Vacas correndo, gente aparecendo e se espantando com a possível desgraça!

Passado o tempo, as terras do Paulo Schroeder foram vendidas para a Cohab. Anos depois um formigueiro de gente foi chegando e povoando um morro bem no centro do bairro, que ficou conhecido como Morro da Formiga; hoje, um lugar em pleno desenvolvimento! Ficaram para trás, as corridas de cavalo na Raia que o senhor Paulo Schroeder tinha em sua propriedade, as plantações de arroz, e uma floresta de cerejeiras onde as pessoas descansavam à sombra. Mas nasceram ali, tantas outras histórias! Coisas grandiosas como uma árvore que fará 50 anos que o seu Ari viu crescer, e outras que há de florescer na vida de cada um que mora ali.

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