PF mira em grupo suspeito de usar aviões para trazer drogas e armas da Bolívia para SC

Atualizado

Policiais federais realizam na manhã desta quinta-feira (13) uma operação para cumprir sete mandados de prisão contra suspeitos de tráfico internacional de drogas e armas em Santa Catarina. Há indícios de que os investigados integrem uma facção criminosa e utilizem aeronaves para trazer as substâncias ilícitas da Bolívia para o Brasil. 

Os suspeitos estão sendo presos nas cidades de Balneário Camboriú, Bombinhas, Itapema, Porto Belo e Florianópolis. Segundo a Polícia Federal, algumas das drogas chegam a ser enviadas para outros países por meio dos portos localizados no litoral catarinense. 

Aeronave apreendida em Biritiba Mirim/SP – Foto: Polícia Federal/Divulgação/ND

No Estado, os policiais ainda cumprem 15 mandados de buscas e apreensão. A Polícia Federal também realiza ações em Canelinha e Brusque.

Batizada de Narcos, a operação ocorre paralelamente na Bahia Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Ao todo, são cumpridos 24 mandados de busca e apreensão e 17 mandados de prisão. Quatro dos alvos já se encontram presos e são suspeitos de trabalhar no esquema dentro do sistema penitenciário. 

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A apuração colheu fortes indícios de que o grupo atuava também no contrabando de armas de calibre restrito. Quase duas toneladas de cocaína e 12 a aeronaves foram apreendidas durante a investigação. Nas diligências anteriores,  alguns integrantes foram presos em flagrante. O homem apontado como líder da facção foi detido em 2019 no Pará. 

Esquema era coordenado por Santa Catarina

Nelson Luiz Confortin Napp, delegado da PF e responsável pela investigação afirmou que os presos desta ação coordenavam toda a produção e execução do esquema. O protagonismo do Estado foi observado também quando a polícia detectou atividades nos aeroportos catarinenses.

“A investigação apurou que toda a coordenação de onde interceptamos as drogas, era de Santa Catarina. Aeródromos da região foram utilizados”, confirmou Napp.

PF foi recebida a tiros

De acordo com a PF, uma das características da organização é a periculosidade. Em uma das ações, na cidade de Itaituba, no Pará, os agentes federais foram recebidos a tiros de armas de grosso calibre. Na ocasião, um dos líderes foi preso em flagrante. 

No curso do trabalho investigativo, identificou-se ainda que os principais suspeitos possuíam patrimônios milionários registrados em seus próprios nomes e no de terceiros.

Além das prisões, a Justiça decretou o sequestro de imóveis de alto padrão.

Na lista divulgada pela polícia, há apartamentos em Itapema Bombinhas, Porto Belo e um sítio em Canelinha. 

Também foram sequestrados automóveis de alto valor, incluindo uma BMW X6 e uma Land Rover. Vinte e cinco investigados tiveram os bloqueios das contas decretados. 

Por suas condutas, os investigados poderão ser indiciados pela prática dos crimes de tráfico, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos.

MPF e outros órgãos ajudam na ação

Droga apreendida em SP durante a investigação  

Durante a operação, a Polícia Federal conta com apoio da PRF (Polícia Rodoviária Federal), da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e da Polícia Civil. O Ministério Público Federal também acompanhou.

A deflagração decorre do deferimento de medidas cautelares pelo Juízo da 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itajaí, depois de investigações que revelaram que a organização criminosa faz uso de aeródromos localizados nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará e Amazonas.

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