PIB de Santa Catarina cresce quatro vezes mais que a média nacional

Atualizado

Neste ano, a exportação de carne suíne teve o maior faturamento em 22 anos em
Santa Catarina

Enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, que é a soma de todas as riquezas produzidas no país, vem crescendo em torno 1% ao ano desde 2017, o PIB catarinense cresce aproximadamente 4%. O dado de 2017 é oficial, e foi divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em novembro deste ano. Em 2018, a estimativa do governo de Santa Catarina aponta um acréscimo de 3,6%, e a expectativa é que este ano o PIB catarinense cresça mais uma vez próximo de 4%.

Arte/ND

“No primeiro semestre a gente teve uma aceleração do crescimento em relação ao mesmo período do ano passado. Agora precisamos ver os resultados dos indicadores deste segundo semestre para ver como a gente finaliza dezembro”, enfatiza o economista da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Paulo Zoldan. De acordo com ele, as expectativas são boas porque Santa Catarina tem alguns dos melhores indicadores do país em relação à segurança pública, capital humano, eficiência da máquina pública e solidez fiscal.

Santa Catarina ocupa a segunda colocação no Ranking de Competitividade dos Estados, divulgado em outubro. O estudo analisou 69 indicadores. Quem lidera o ranking é São Paulo. Nos nove primeiros meses deste ano, a arrecadação de impostos em Santa Catarina cresceu 13,2%. Ainda há um déficit previdenciário para equacionar. É preciso ajustar despesas para o governo ter como investir em infraestrutura, mas para quem temia não ter dinheiro para pagar os salários dos servidores em dia, Santa Catarina deve terminar o ano com R$ 3,5 bilhões a mais que o orçado para 2019.

Otimismo e confiança

Para o economista do Observatório Fiesc, Henrique Reichert, o otimismo está se transformando em confiança e os empresários aos poucos estão retomando os investimentos. E quando a indústria investe, a roda da economia acelera. Dos 85.018 novos postos de trabalho criados este ano no Estado, 36.557 vagas foram geradas pela indústria de transformação. O setor de serviços foi o segundo colocado com 29.841 novos postos de trabalho. Até a construção civil que estava adormecida voltou a contratar e criou 10 mil vagas este ano. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e refletem os registros de janeiro até outubro.

“Há bastante o que se comemorar neste ano de 2019. E a gente percebe que a indústria foi uma das protagonistas dessa recuperação econômica no Estado. A gente faz pesquisa do índice de confiança do industrial e é cada vez mais forte o entusiasmo com a chegada de 2020. A locomotiva Brasil está começando a andar. A retomada do crescimento nacional deve aumentar as nossas vendas, favorecendo ainda mais a indústria aqui do Estado”, avalia o economista Henrique Reichert.

Santa Catarina é a sexta maior economia do Brasil

Em 2016, a economia catarinense encolheu e a Bahia tomou o sexto lugar. Em 2017, os catarinenses passaram a reconquistar a posição. O PIB voltou a crescer e Santa Catarina atingiu a histórica marca de R$ 277 bilhões, recolocando os catarinenses na sexta colocação no ranking. A Bahia, que tem o dobro da população catarinense, agora retornou à sétima colocação.  E Santa Catarina tem tudo para superar mais Estados, de acordo com uma previsão divulgada esta semana pela Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas). Segundo o estudo, Santa Catarina pode desbancar o Rio de Janeiro e se tornar o terceiro Estado do Brasil com maior PIB per capta quando os dados de 2018 forem divulgados.

Arte/ND

Os números oficiais foram divulgados em novembro deste ano pelo IBGE. Os dados são relacionados sempre a dois anos antes por conta da dificuldade em consolidar todas as estatísticas. Primeiro é preciso aguardar a divulgação dos dados contábeis das empresas, os números repassados por cada Estado, para então o IBGE aplicar a metodologia utilizada para verificar o tamanho da riqueza gerada em todos os cantos do Brasil.

Aumento do consumo interno deve compensar queda nas exportações

Crescer com o mundo desacelerando não é tarefa simples, mas se Santa Catarina consegue, o Brasil também pode. Ainda não se sabe até onde vai essa queda de braço comercial entre a China e os Estados Unidos. Como os dois são os maiores parceiros comerciais do Brasil, qualquer oscilação no consumo lá, afeta as exportações daqui. As vendas catarinenses para o exterior caíram 3,7% este ano em comparação ao ano passado. Por outro lado, as importações cresceram 7,6%.

Para o economista da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Paulo Zoldan, Santa Catarina está importando mais por que a confiança de vários agentes econômicos cresceu. Os consumidores, os empresários do comércio e da indústria estão mais otimistas em função da reforma da previdência e outras mudanças em discussão no Congresso. E a perspectiva é de um maior crescimento da economia nacional nos próximos meses.

De acordo com o economista Paulo Zoldan, 2020 será melhor do que 2019 para Santa Catarina – Foto: Eduardo Cristófoli/Divulgação/ND

Ele explica que apesar da conjuntura internacional não ser muito favorável, pela desaceleração da economia mundial, a economia catarinense é muito atrelada ao mercado nacional. Se com o PIB brasileiro crescendo 1% Santa Catarina cresceu 4%, no ano que se o Brasil passar de 2% os catarinenses poderão multiplicar suas vendas. “Isso tudo pode favorecer um desenvolvimento econômico bem maior que registramos este ano aqui no Estado. 2020 será melhor que 2019”, enfatiza Zoldan.

Exportação de carne suína bate recorde

Na contramão de outros setores que tiveram queda nas vendas para o exterior, as agroindústrias catarinenses comemoram o aumento nas exportações de carne suína. Este ano as empresas daqui enviaram para fora do país 373,5 mil toneladas de carne suína, gerando um faturamento de US$ 766,4 milhões. É o maior volume e o maior faturamento em 22 anos, desde que começaram as análises de dados de exportação.

O maior comprador da carne produzida aqui foi a China. É que teve um surto de peste suína africana em granjas chinesas, e o país teve buscar alternativas para suprir a demanda pelo produto. No acumulado do ano, as vendas para a China aumentaram 42,5% e o faturamento 63,8%.

Mais uma vez a qualidade dos produtos catarinenses e a eficiência com os cuidados sanitários fizeram toda a diferença. Diante da crise no país asiático, no mês passado os chineses habilitaram mais sete frigoríficos do Estado a exportar carne suína para a China. A transação milionária só foi possível pelo rigor no atendimento às exigências internacionais e o trabalho de fiscalização feito aqui. Santa Catarina é o único Estado brasileiro reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal como área livre de febre aftosa sem vacinação e área livre de peste suína clássica. Estes são requisitos fundamentais para acessar os mercados mais competitivos.

Série de reportagens Acelera SC

As incertezas que anestesiaram a indústria brasileira começam a perder o efeito diante da dinâmica economia catarinense. O Estado acaba de retomar o posto de sexta maior economia do Brasil e pode crescer ainda mais. Santa Catarina tem a menor taxa de desemprego do país (5,8%) e é o terceiro Estado que mais gerou novos postos de trabalho. Foram 85 mil novas vagas de emprego este ano – praticamente o dobro de 2018 (41.718). O Grupo ND preparou a série de reportagens Acelera SC sobre o desenvolvimento econômico catarinense e as perspectivas de crescimento do Estado.

Mais conteúdo sobre

Economia