Pinturas em ruas de Navegantes: falha técnica e atos de vandalismo

Atualizado

As pinturas malfeitas em ruas do bairro Porto das Balsas, em Navegantes, Litoral Norte do Estado, foram resultados de falha técnica da máquina, mas, em algumas situações, de atos de vandalismo.

Esta foi a conclusão da sindicância aberta pela empresa Sanitary, contratada pela Prefeitura para pintar os meios-fios, e também do poder municipal.

Esta pintura, por exemplo, a máquina nem teria condições de fazer, segundo a Sanitary – Foto: Internet/Divulgação ND

Imagens compartilhadas pelas redes sociais revelaram traços tortos, borrados, mas o que mais chamou a atenção foram os contornos de carros e motos estacionados junto à calçada.

Contornos pintados onde estão os veículos também seriam atos de vandalismo – Foto: Internet/Divulgação ND

“Todos os depoimentos que tomamos enfatizaram que a máquina não fez esses contornos. Entendemos que houve, sim, anormalidades técnicas, como respingos, borrões, mas também atos de vandalismo, talvez para nos prejudicar e, principalmente, prejudicar a administração municipal”, destacou Rafael Soares Sandrine, diretor da Sanitary.

A tonalidade da tinta usada nos contornos é diferente da usada pela empresa, continua o diretor, que chegou a registrar um Boletim de Ocorrência para investigar a suposta sabotagem.

As pinturas do meio-fio foram realizadas pela empresa na última terça-feira (18). No mesmo dia, o secretário interino de obras, Arlindo Nunes Barbosa, entrou em contato com a Sanitary para entender o que estava acontecendo e exigindo reparação.

Na noite do mesmo dia, uma equipe da empresa terceirizada lavou todas as pinturas sem nenhum custo adicional para a Prefeitura. E no dia seguinte novas pinturas foram feitas nos meios-fios.

No dia seguinte às falhas na pintura, a empresa refez o trabalho – Foto: Prefeitura de Navegantes/Divulgação ND

“Além do erro técnico, alguém se aproveitou da situação e fez alguns atos de vandalismo. A máquina da empresa não iria fazer contornos tão grotestos”, concorda Arlindo Barbosa.

Após o ocorrido, a empresa Sanitary chegou até a emitir uma nota oficial informando que a operação de pintura de meio, realizada mecanicamente, apresentou problemas técnicos, o que resultou em imperfeições no acabamento e qualidade final. No entanto, quando o diretor da empresa esteve in loco constatou o vandalismo, principalmente, no quadrado onde está uma placa de mototáxi. “Tecnicamente, a máquina não consegue fazer isso”, frisa Rafael Sandrine.

O diretor da Sanitary informou, ainda, que rescindiu o contrato de trabalho com os operadores e contratará uma nova equipe, que passará por treinamentos para uso da máquina. “Vamos reforçar os procedimentos.”

Ainda segundo o diretor, nenhum cronograma de obras deixou de ser cumprido por conta deste episódio.

No início da noite desta sexta-feira (21), a Sanitary Conservação e Limpeza se manifestou oficialmente por meio de nota.

Confira a nota na íntegra:

A Sanitary, empresa contratada para conservação e limpeza no município de Navegantes, diante dos fatos ocorridos nesta semana – na execução de trabalhos de pintura em vias públicas do município – esclarece: assim que tomou conhecimento e ficou ciente dos fatos ocorridos pela má execução dos trabalhos, abriu uma sindicância interna e solicitou automaticamente que os serviços fossem paralisados.

No mesmo instante foram disponibilizados equipamentos e mão-de-obra qualificados para a limpeza das ruas e calçadas. A empresa mobilizou equipamentos (varredeira mecanizada, caminhão pipa, mini carregadeiras) com objetivo de corrigir os defeitos.

Pela forma incorreta que os serviços foram executados naquela tarde, a Sanitary registrou um Boletim de Ocorrência para apuração dos fatos, com a abertura da sindicância foi apurado a negligência dos colaboradores, provocando a demissão imediata dos cinco contratados envolvidos no processo de pintura. A má conduta na execução dos serviços está sendo visto pela empresa como sabotagem. Toda a equipe contratada recebeu treinamento para realizar os serviços de pintura de vias públicas no município, com equipamentos de alta tecnologia.

A conclusão da Sindicância revelou que os colaboradores não seguiram os padrões determinados pela empresa, inclusive para os quais foram efetivamente treinados, não tendo ficado claro entretanto se os colaboradores assim agiram por má fé ou influência externa, já que um dia antes, em 17/02/2020 os mesmos colaboradores haviam feito o mesmo trabalho em outras ruas, de forma absolutamente correta.

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