Piquenique na Beira-Mar de Florianópolis tem lanches e amizade na luta contra o câncer

Atualizado

O sol ficou entre nuvens, mas não tirou o brilho dos sorrisos de quem participou do primeiro “Pinknic” no final da tarde de domingo (20). O pequeno trocadilho é uma referência ao rosa, marca do mês em que atividades relacionadas à prevenção ao câncer feminino ocorrem com mais frequência.

Pinknic faz parte da programação do Outubro Rosa – Foto: Flávio Tin/ND

A tradicional caminhada pela Beira-Mar de Florianópolis foi trocada por um piquenique próximo ao trapiche onde também ocorre a feira de artesanato. Para Jurema Ramos dos Santos, coordenadora da Amucc (Amor e União contra o Câncer) – instituição organizadora do evento, o “Pinknic” gera mais interação entre os participantes e apoiadores.

“Aqui as pessoas estão reunidas, sentadas, compartilhando lanches. Podem conversar mais à vontade. Pessoas com câncer precisam disso, desse aconchego, de amizade”, ressaltou a coordenadora.

Reunir pessoas em torno de uma causa nem sempre é fácil, principalmente quando não se tem informações. Por isso os eventos no Outubro Rosa são importantes, como apontou Jurema, para que o maior número de pessoas tome conhecimento sobre os tipos de cânceres, especialmente o de mama – o que mais mata brasileiras.

“Durante uma panfletagem no Ticen [Terminal de Integração do Centro], várias pessoas disseram que desconheciam a doença, não sabiam dos exames. Muitas outras ainda têm medo de falar sobre a doença. São estigmas que temos que combater e isso se faz com informação”, disse.

Bia Salgueiro e o marido Francisco Almeida: parceria de verdade – Foto: Flávio Tin/ND

Companheirismo

Há três anos a programadora visual aposentada Bia Salgueiro convive com o câncer de mama metastático ao lado do marido, o acupunturista Francisco Almeida. Ontem, eles participaram do piquenique rosa e, mais uma vez, ressaltaram a importância da parceria para o enfrentamento e convívio com a doença.

“Sei que há casos em que o companheiro se afasta do outro quando surge a doença. Abandona o outro quando ele mais precisa de ajuda. Isso não é parceria”, comentou Almeida.

Parceria que eles encontraram na Amucc quando Bia precisou de remédios que estavam em falta no SUS (Sistema Único de Saúde). “Deixou de ser eu falando para ser um coletivo de mulheres exigindo seus direitos”, contou.

A forma que Bia encontrou para recompensar por toda atenção que tem recebido foi ser solidária. “Percebi o quanto as pessoas estão disponíveis para ajudar. Pensei: o que tenho feito? Então passei a retribuir. Todos nós precisamos de solidariedade”.

Grupo de amigas do “Espalhando amor” – Foto: Flávio Tin/ND

Amizades e almofadas

Há nove meses um grupo de amigas mudou o foco das reuniões mensais e a curtição sem resultado prático ficou no passado. Elas formaram o “Espalhando amor” e desde então distribuem almofadas em forma de coração em hospitais e asilos.

São 22 mulheres focadas em costurar almofadas que vão aquecer corações de crianças, adultos e idosos. Desde o início do projeto, elas distribuíram cerca de 300 almofadas.

Ontem, no pinknic, as amigas entregaram a quem participou um pequeno coração para lembrar que com amor fica mais fácil vencer as dificuldades.

“Temos todas que nos cuidar, se nós mesmas não nos lembrarmos de fazer o exame quem vai lembrar, quem vai cuidar da gente? Uma tem que apoiar a outra”

As amigas da Fraternidade Feminina Flor de Lis também participaram do piquenique na Beira-Mar. A vice-presidente do grupo disse que é importante todas as mulheres tomarem parte de eventos como esse. “Temos todas que nos cuidar, se nós mesmas não nos lembrarmos de fazer o exame quem vai lembrar, quem vai cuidar da gente? Uma tem que apoiar a outra”, ensinou Clô Fernandes Campregher.

Clô Fernandes Campregher (de chapéu) e a Fraternidade Flor de Lis – Foto: Flávio Tin/ND

Próximas atividades

25, sexta-feira

  • Renda-se à moda com as rendeiras – cultura, arte e artesanato

27, domingo

  • Apresentação do Coral Vozes de Santa Catarina e Dança Cigana

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