Plantado em ambientes urbanos, Garapuvu sofre com ações climáticas

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Curioso, o homem mexia no que era um Garapuvu até a tarde de terça-feira, 29 de outubro. A árvore imponente fora reduzida a galhos espalhados à margem do laguinho da UFSC (Universidade de Santa Catarina). O forte vento derrubou seu caule e copa, destruindo também parte da história da própria instituição. Plantada na universidade há mais de 30 anos, o que restou dele foi apenas o tronco.

A árvore de mais de 30 anos não resistiu ao vento – Foto: Divulgação/ND

A grande árvore de flores amarelas era uma das 15 espalhadas pelo campus. Sem folhagem suficiente para fornecer uma sombra durante todas as estações do ano, o Guarapuvu não recebia muitos visitantes. Mesmo sem um grande público o cercando, ele exercia majestade. Um exemplo é a homenagem que recebeu da reitoria, que batizou o maior auditório da UFSC com seu nome.

Sua queda era uma tragédia anunciada. “Ela é uma árvore que não se adapta aos ambientes urbanos. Tínhamos algumas espelhadas pelos campus, duas inclusive próximas a prefeitura, que acabaram apodrecendo”, conta a prefeita da UFSC Soeli Soares de Moraes. Soeli, que trabalha na universidade há 26 anos, conta que o Guarapuvu próximo ao lago estava em situação de risco desde 2010, quando passou por uma avaliação minuciosa. Sua queda era esperada, mas não tinha data certa.

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De madeira mole e perene, ele não resiste as fortes rajadas de vento, ou mudanças climáticas bruscas, como as tempestades que atingiram a cidade na última semana. Seu habitat natural é no meio da Mata Atlântica. Atingindo quase trinta metros, ele se espalha entre o litoral da Bahia e Santa Catarina, sendo a árvore importante principalmente no Vale da Paraíba, em São Paulo, e em Florianópolis. Nas duas localidades, o Guarapuvu é símbolo histórico.

O Garapuvu é a árvore símbolo de Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

Tombado como patrimônio em 1992, o Guarapuvu não pode ser derrubado por ação do homem. A Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis) estima que hoje em Florianópolis existam centenas da espécie espalhadas por vários bairros da Capital. Há um no Morro da Queimada, um no caminho que segue para o Norte da Ilha pela SC-401, alguns na Costa da Lagoa.

“Ela é uma árvore pioneira, o que significa que se adapta a ambientes com pouca luminosidade, com baixa oferta de nutrientes e possui uma elevada taxa de reprodução”, afirma o biólogo Allisson Castro. Essa característica favorece seu aparecimento em regiões de mata fechada da Ilha.

Árvore é símbolo de Florianópolis

Sua madeira mole é usada na construção da canoa de um pau só, modelo popular entre os pescadores manezinhos. Sua utilidade, porém, já era conhecida pelos índios e foi apropriada aos portugueses que aqui chegaram.

Gosta do verão. É na época de calor e aumento de população que ele escolhe para se mostrar florido. As grandes flores amarelas não passam despercebidas por turistas e moradores durante os meses de outubro, novembro e dezembro.

Árvore era usada na construção da canoa de um pau só – Foto: Anderson Coelho/ND

Com nome científico de Schizolobium parahyba, ele recebe diversos apelidos tão populares, que acabam que não são unanimidade. É chamada de Guarapuvu, garapuvu, guapiruvu, birosca, faveira, pau-de-vintém. Todas consideradas formas corretas e reconhecidas.

Na UFSC, não existem planos de replantar um guarapuvu ou outra árvore no lugar. O processo, conta a prefeita Soeli, precisa passar por várias etapas burocráticas dentro da universidade e depende também de uma autorização da Floram.

Características do Guarapuvu

Nome científico: Schizolobium parahyba

Catalogação: 1825 por José Mariano da Conceição Veloso

Nomes populares: Guarapuvu, garapuvu, guapiruvu, birosca, faveira, pau-de-vintém, pau de tamanco entre muitos outros

Habitat natural: Mata Atlântica

Altura: pode atingir trinta metros

Floração: outubro, novembro e dezembro

Onde pode ser encontrada em Florianópolis: Córrego Grande, Pantanal, Morro da Queimada, SC-401, Trindade.

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