PM encerra festa com bombas e gás de pimenta neste domingo em Florianópolis

A noite deste domingo (20) terminou com bala de borracha, bombas de efeito moral e gás de pimenta no Centro de Florianópolis. Passava da meia-noite quando a Polícia Militar interveio cobrando a dispersão de pessoas que se reuniam próximo aos bares da rua Victor Meirelles. Cerca de cem pessoas permaneciam no local, segundo relatos.

Vídeo gravado no local registra o que seria o começo da confusão, segundo relato do autor, no momento em que a polícia disparou o primeiro jato de spray de pimenta:



Mais cedo, cinco mil pessoas circularam pela região durante show gratuito da banda paulista “Francisco El Hombre”. O evento ocorreu no espaço entre a antiga Escola Antonieta de Barros e o Museu da Escola Catarinense, e lotou as ruas do entorno. Por volta das 22h o show encerrou, mas parte do público permaneceu nos bares das redondezas. 

A reportagem ouviu quatro pessoas que estavam no local no momento da abordagem da polícia. Segundo eles, a PM fez uso excessivo da força. Pelo menos cinco pessoas teriam sido alvo das balas de borrachas. A PM também usou cassetetes. Uma mulher que caiu no chão fraturou o dedo e feriu o queixo ao tentar deixar o lugar correndo das bombas. A ação dos policiais, segundo as testemunhas, foi direcionada especialmente aos que tentaram registrar a confusão com o celular.  

“A polícia pediu para acabar com o barulho, o bar fechou e o pessoal ficou na frente cantando Chico Buarque. Eles chegaram em várias viaturas e tentaram tirar o celular de uma menina que estava filmando. Eu saí correndo e tentei filmar, mas eles apontaram arma na minha direção e atiraram”, contou uma das atingidas.

“Teve um show no centro mais cedo, tinha muita gente ainda ali. Fazer um evento desses no centro e não ter o mínimo de tolerância não tem propósito”, emendou outra jovem.

Projétil usado pela PM na noite de domingo no centro de Florianópolis - Cíntia Bittar/Divulgação/ND
Projétil usado pela PM na noite de domingo no centro de Florianópolis. Ao fundo estabelecimento fechado pela PM – Cíntia Bittar/Divulgação/ND

O músico da banda Cartas na Rua, de Porto Alegre, Marcelo da Luz, que participou do evento e ainda estava no local quando a polícia chegou, disse que a ação ocorreu de forma inesperada. Ele conversou com a reportagem e disse que os PMs estavam no local 15 minutos antes de a ação começar. “O pessoal já estava indo embora quando a polícia mandou dispersar. Um colega da banda foi questionar o motivo da abordagem e tomou um tiro na barriga”. Marcelo também foi atingido nas costas e levou uma cacetada no ombro.

Músico foi atingido no abdômen por bala de borracha - Arquivo Pessoal/ND
Músico foi atingido no abdômen por bala de borracha – Arquivo Pessoal/ND

Marcelo foi atingido no ombro - Arquivo Pessoal/Divulgação
Marcelo foi atingido no ombro – Arquivo Pessoal/Divulgação

PM defende que som estava alto e foi necessário uso da força

Pelo menos seis viaturas atenderam a ocorrência que teria se iniciado, segundo a PM, com um chamado de perturbação do sossego. “A polícia esteve no local e pediu educadamente para baixarem o volume do som. Não acataram a ordem e, como forma de provocação, aumentaram o som”, afirmou o major André Rodrigo Serafim, do 4º Batalhão da PM.

Segundo o PM, o público teria recebido os policiais com palavras de baixo calão o que, segundo ele, motivou a necessidade de uso da força: “A guarnição foi lá para desligar o som e começou um grande tumulto, arremessaram garrafas e latas contra os policiais que pediram reforço. Houve a necessidade do espargidor de pimento para dispersar a multidão e chegar no local para tomar as providencias administrativas. Eles continuaram resistindo contra a guarnição e houve a necessidade também do uso de elastômetro [bala de borracha]”, completou o major. 

Um estabelecimento comercial, aonde o público se reunia em frente, também foi interditado pela Polícia Militar por falta de alvará. 

*Colaborou Catarina Duarte

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