Polícia Civil de Joinville abre inquérito para apurar responsáveis por desabamento de empresa

Duas mulheres morreram soterradas nesta segunda (18) após desabamento do prédio da FGM Produtos Odontológicos

Dor e comoção. Este eram os sentimentos de amigos e familiares que participaram dos funerais das duas mulheres mortas durante o desabamento de parte de uma empresa na zona Norte de Joinville. Linize Pickler, 24 anos e Gislaine Lima Borges, 37, trabalhavam na FGM Produtos Odontológicos e morreram soterradas na manhã de segunda (18). Nesta terça, durante os velórios, as famílias não quiseram falar com a imprensa. Linize será enterrada no Cemitério Nossa Senhora de Fátima. Ela era noiva e não tinha filhos. Já a funcionária Gislaine foi cremada em Jaraguá do Sul, era casada e deixou um filho.

Carlos Júnior/ND
Acidente foi às 7h10 na FGM Produtos Odontológicos, no bairro Bom Retiro

A Polícia Civil de Joinville instaurou um inquérito para apurar as responsabilidades do acidente. O caso está com sendo investigado pelo delegado Rodrigo Gusso, da delegacia de Pirabeiraba, que nesta terça já começou a ouvir testemunhas. A investigação não tem prazo para ser concluída.

Também nesta terça, os peritos do IGP (Instituto Geral de Pericias) voltaram ao local do acidente após novas verificações liberaram a estrutura à empresa. O laudo do IGP deve apontar as causas do acidente e ajudar a polícia Civil a entender o que de fato aconteceu para apurar as reponsabilidades. O documento deve ficar pronto em 30 dias.

O prédio onde aconteceu tragédia foi liberado pela Defesa Civil para que a FGM possa fazer a limpeza dos escombros e tomar as medidas necessárias para reforma. Segundo o coordenador do órgão em Joinville, Márnio Luiz Pereira, a empresa foi notificada. “Nossas equipes monitoraram as condições em que ficaram as estruturas da empresa. Notificamos a FGM que precisa apresentar um parecer técnico, assinado por um engenheiro das estruturas após o incidente”, informou. Márnio disse ainda que a empresa já está providenciando este material e que o prédio da frente não sofreu avarias.

Pela manhã, a movimentação na FGM era pequena. Os trabalhos se resumiam à limpeza. Os funcionários foram liberados do expediente até quinta-feira. A assessoria de imprensa informou que a diretoria e todos os funcionários estão consternados diante da tragédia e que está dando todo o suporte necessário as famílias das vítimas. A empresa também comunicou que já contratou dois engenheiros civis para fazer um laudo paralelo do que pode ter motivado o acidente.

CREA não encontrou irregularidades

Na tarde desta segunda, os fiscais do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) de Santa Catarina visitaram a FGM Produtos Odontológicos e não encontraram nenhuma irregularidade. “Viemos conferir se estava sendo feito algum reparo, obra na estrutura que desmoronou, ou nas imediações que pudesse ter contribuído para o desabamento. Nada de irregular foi constatado. Havia apenas uma pequena obra, próximo ao prédio onde está sendo construído espaço de 30m² onde deve ser instalado um gerador, mas isso não interferiu. Agora o caso está nas mãos do IGP e Polícia Civil. Eles são os responsáveis em desvendar o que o pode ter provocado o desabamento”, afirmou o diretor regional do Crea Gilmar Germano Jacobowski.

O acidente

O desabamento foi registrado às 7h10, no prédio dos fundos da FGM Produtos Odontológico. A empresa foi criada em 1993 e é especializada na produção de clareamento dental e materiais utilizados pelo setor odontológico. Atualmente ela atende o mercado nacional e internacional e têm mais de 300 funcionários. A tragédia só não foi maior porque o expediente na fábrica começa às 7h30, e poucos colaboradores estavam na empresa no momento.

Na segunda-feira Linize e Gislaine resolveram chegar mais cedo. As duas estavam no primeiro pavimento da empresa no setor de logística. Linize trabalhava na FGM desde 2011 com analista de processos. Já Gislaine era funcionária desde 2015 e atuava como coordenadora de produção.

O prédio que desabou tinha três pavimentos. No térreo ficava o estoque com os produtos que iriam ser despachados para São Paulo na próxima semana. O setor de logística ficava no primeiro andar. No segundo andar estavam três caixas d’água, sendo duas de 55 mil litros e outra com capacidade para 5.000 litros. Juntos, os equipamentos podem pesar até 55 toneladas quando estão cheios. A empresa informou que apenas uma das caixas tinha água. Foi a laje onde estavam estas caixas d’água que desabou sobre o segundo pavimento, onde estavam as funcionárias. O peso e o impacto fizeram com que o primeiro pavimento também desabasse atingindo o térreo.

Outras quatro funcionárias que estava no local tiveram ferimentos. Elas foram levadas ao Hospital da Unimed, em Joinville, e receberam alta após passarem pelo pronto socorro. 

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