Polícia Civil deve investigar ação da PM em festa de aniversário na Grande Florianópolis

Atualizado

A Polícia Civil já ouviu membros de uma família que relataram um episódio de violência policial durante uma festa de 15 anos na Grande Florianópolis na madrugada do último domingo (12). 

Após a ação de agentes da Polícia Militar que acabou em confusão, balas de borracha e feridos no Centro Comunitário do Bairro Bela Vista, em São José, familiares da aniversariante foram até a 3ª Delegacia de Polícia Civil, em Florianópolis, e pediram uma investigação do caso. 

Menor foi atingida por balas de borracha – Foto: Flavio Tin/ND

Segundo Camila, mãe da aniversariante que pediu para não ter o sobrenome revelado, durante uma apresentação de coreografias o salão foi invadido por policiais militares, que não se identificaram e nem disseram o porquê de estarem ali, por volta da 1h10.

Apesar dos apelos para que eles não atirassem, os policiais utilizaram bala de borracha. Uma adolescente de 12 anos foi atingida na coxa, sofreu convulsão e foi levada ao hospital desmaiada. 

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No pátio do Centro Comunitário – que tem acesso por outra rua – havia uma outra festa onde a música estava alta. “Eu acho que denunciaram porque o som estava alto. Aqui a música estava baixa porque tinha criança com autismo e não pode ter barulho. Eles arrebentaram a porta e entraram, não vieram pela frente, não falaram nada com a gente”, disse.

Camila contou ainda que foi algemada e sofreu agressões físicas e verbais. “Uma policial disse: ‘aquela ali é a dona da festa, pode prender’. Então eu perguntei o porquê ela mandou eu calar a boca e disse ‘tu vai ter o que merece’ e sempre me xingando de preta suja”.

Outras pessoas foram atingidas por golpes de cassetetes e quase todos que não conseguiram fugir receberam spray de pimenta nos olhos, inclusive crianças, conforme Camila.

Corpo de delito e corregedoria

Familiares da aniversariante foram ao IGP para fazer exame de corpo e delito – Foto: Flavio Tin/ND

Nesta segunda-feira (13), oito convidados que ficaram feridos durante a ação foram até o IGP (Instituto-Geral de Perícias) para realizar exames de corpo e delito. A análise será incluída na investigação. 

De acordo com uma prima da aniversariante que não quer ser identificada, as vítimas também pretendem acionar a Corregedoria da Polícia Militar de Santa Catarina.

O órgão é responsável pela análise e investigação de denúncias de infrações administrativas praticadas pela polícia.

Na delegacia 

Após a confusão, duas pessoas foram levadas pela PM para a 2ª Delegacia de Polícia Civil, em Barreiros. No local, Camila disse que houve descaso. “Ele [agente] saiu na porta e disse ‘resolvam isso vocês’ e entregou um papel para a gente assinar e ser liberado”. O documento, um TC (Termo Circunstanciado) foi assinado. 

De acordo com a Delegacia Regional de São José, com base nas informações repassadas pelo delegado plantonista, em nenhum momento houve recusa de atendimento à família citada em reportagem pela Central de Plantão de São José, já que a ocorrência foi atendida pela PM que lavrou o devido Termo Circunstanciado.

“Sobre o Boletim de Ocorrência registrado pela família na 3ª Delegacia de Polícia da Capital, tão logo a Polícia Civil de São José o receba serão tomadas as devidas providências legais de investigação pela delegacia da área do fato”, afirma, por meio de nota, a Polícia Civil.

O Boletim de Ocorrências foi registrado no domingo em Florianópolis, mas será enviado à 2ª DP nos próximos dias. Como o caso ocorreu em São José, são os agentes da região que atenderão o caso. 

Nesta manhã, no entanto, a reportagem tentou entrar em contato com o delegado que ficará  responsável pelo caso, mas não recebeu retorno. A assessoria da Polícia Civil também foi procurada. Contudo, até a última publicação deste texto não houve resposta. 

PM afirma que convidados se recusaram a baixar som

Procurado pela reportagem, o tenente-coronel Eduardo Gonçalves, responsável pelo 7º Batalhão da PM, afirmou que os policiais foram chamados para atender uma ocorrência de som alto. 

No local, os convidados na festa se recusaram a baixar o volume e, a partir daí, foi necessário chamar reforço. “Eles se recusaram e enfrentaram a guarnição, aí foi necessário medidas de de segurança e chamar reforço”, disse. 

Ainda, segundo tenente-coronel, os agentes estavam com câmeras no uniforme que gravaram toda a ação. “Em toda a ocorrência de destaque são vistas as câmeras. Isso facilita muito o nosso trabalho”.

Os convidados da festa, no entanto, afirmaram que alguns policiais estavam sem câmera de monitoramento. O grupo também afirmou que outros agentes estavam sem identificação. 

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