Polícia descobre quadrilha que aplicava golpes em SC e movimentou R$ 200 milhões

Carros de luxo, relógios, joias, bolsas e roupas de grife. Estes são alguns dos objetos encontrados na casa de um empresário suspeito de aplicar diversos golpes em Santa Catarina.

Segundo a Polícia Civil, após as investigações, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 27 de novembro, na casa do principal suspeito, em um condomínio de luxo em Matinhos (PR). Os policiais também estouraram o “QG” (quartel-general) da quadrilha, localizado em Tijucas, na Grande Florianópolis.

Galpão usado pela quadrilha em Tijucas (SC) estavam vários carros de luxo utilizados nos golpes. – Foto: RecordTV/ Divulgação

O delegado Pedro Henrique Mendes, do Departamento de Crimes Fazendários da Deic/SC, detalhou à equipe da NDTV que a quadrilha aplicou diversos golpes do tipo “pirâmide financeira” em catarinenses. Os suspeitos chegaram a movimentar R$ 230 milhões em dez meses.

A polícia não revelou o nome dos envolvidos, que também costumam viajar com aviões e helicópteros fretados. Até o momento, ninguém foi preso.

Vida de luxo

Durante o cumprimento do mandado na casa do principal suspeito, em Matinhos, os policiais encontraram artigos de luxo. Entre eles, um tênis avaliado em mais de R$ 7 mil, e cristais feitos sob encomenda, cujos valores passam de R$ 1 milhão.

Antes de chegar à casa do suspeito, os policiais monitoraram a movimentação de veículos em um galpão no município de Tijucas.

Conforme a corporação, o local funcionava como uma espécie de “QG” (quartel general) da quadrilha. Os carros de luxo – entre eles Ferrari, Lamborghini, Porsche e Mercedes – estavam no nome de várias empresas.

Empresa movimentou R$ 230 milhões em 10 meses

Segundo o delegado Pedro Henrique Mendes, a polícia chegou aos “sócios” da quadrilha após investigar a movimentação das empresas suspeitas.

“Nos surpreendeu que tais sócios possuíam mais de 50 empresas em Santa Catarina, e que essas empresas têm vários veículos no nome delas. Um dos suspeitos fez a compra de carros em um período muito curto e isso chamou a nossa atenção”, disse.

O delegado afirma que, em um período de dez meses, foram movimentados pela empresa cerca de R$ 230 milhões na compra de veículos, postos de gasolina e objetos de luxo.

Como funcionava o golpe

Segundo a Polícia Civil, o chefe da quadrilha atuava no esquema com uma espécie de “pirâmide financeira”, prometendo ganhos rápidos em pouco tempo.

“Ele chegava a cidades do interior de Santa Catarina e ganhava a confiança de empresários e profissionais liberais. Dizia ter direito a créditos de ICMS e que, por isso, conseguiria comprar carros de luxo por um preço bem abaixo do mercado. Essa vantagem era oferecida para os clientes e, assim, ele ia aplicando os golpes”, explicou o delegado.

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De acordo com o delegado, em um primeiro momento o suspeito, de fato, cumpria com o prometido e entregava veículos para os clientes – até mesmo para que esses beneficiados pudessem fazer a indicação para outras pessoas da região.

Nesta etapa do plano, o golpista levava o “prejuízo”. Porém, nos demais pedidos, ele ficava com o dinheiro investido dos clientes e fugia sem entregar os veículos.

“Primeiro, para duas ou três pessoas, ele entregava o veículo, até tendo um certo prejuízo, pode-se dizer assim. Num segundo pedido, para 10 pessoas, ele pegava o dinheiro adiantado e já não entregava. Aí, ia pra outra cidade e fazia o mesmo modus operandi”, detalhou Mendes.

Para o delegado, fica caracterizado o crime de lavagem de dinheiro. “Nós vamos confiscar esses bens para que possam ressarcir as vítimas que sofreram com os golpes milionários dessa quadrilha”.

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