Polícia Militar ocupa áreas de conflito no Monte Cristo e realiza comando de trânsito

Atualizado

As áreas de conflito entre as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e PGC (Primeiro Grupo Catarinense), no bairro Monte Cristo, onde ficam as comunidades Chico Mendes e Novo Horizonte, na região continental de Florianópolis, foram ocupadas pela Polícia Militar no final da tarde  quinta-feira (2). Cerca de 30 policiais armados realizaram comando de trânsito, na rua Professor Egídio Ferreira. Eles verificavam documentações de veículos e revistavam pessoas suspeitas, enquanto o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) circulava nas áreas críticas das comunidades, com armas para fora da janela das viaturas como uma forma de inquietar o crime organizado.

Policiais armados realizaram comando de trânsito - Marco Santiago/ND
Policiais armados realizaram comando de trânsito no Monte Cristo – Marco Santiago/ND

A movimentação policial foi uma resposta aos acontecimentos desta semana, nos quais os grupos rivais estabeleceram intenso tiroteio na região do Monte Cristo. O medo e o pânico rondam os moradores do bairro.

Na localidade, há relatos de que moradores do conjunto residencial Panorama estão dormindo na sala por causa dos tiros. O condomínio fica na rua Professor Egídio Ferreira, ao lado das duas comunidades. “Tenho vontade de sair daqui, mas por causa da violência os imóveis estão desvalorizados. Meu apartamento está avaliado em R$ 150 mil, mas não consigo vendê-lo por R$ 100”, disse um morador.

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O subcomandante do 22º BPM (Batalhão da Polícia Militar) do Continente, Rodrigo Carlos Dutra, tranquilizou a comunidade e afirmou que todos os dias chegam informações no batalhão de que integrantes do PCC, que moram na comunidade Novo Horizonte, vão invadir a Chico Mendes, reduto do PGC, e vice-versa. “Para evitar este confronto, estamos diariamente com policiamento ostensivo no bairro”, afirmou.

O resultado do comando de trânsito resultou na apreensão de diversos veículos com documentação irregular e motoristas sem habilitação. Não houve apreensão de armas e nem de drogas.

“Eles são abençoados deveriam estar aqui todos os dias”

Indiferente do temor da maioria dos moradores, um menino de 11 anos, filho de traficante preso, já se acostumou com a violência. “Acho até legal. A gente fica jogando bola e nem liga pra isso”, disse,  referindo-se aos tiroteios.  O garoto é bem quisto pelos policiais nos dias de folga saem com ele e levam ao restaurante. Mas também cobram do garoto o bom comportamento, frequência na sala de aula e as atividades escolares.

Quem também já se acostumou com o dia a dia da correria do tráfico de drogas e dos confrontos armados é a assistente social Luzia da Rosa, 88 anos, que mora sozinha e ainda faz serviços voluntários de internação de alcoolistas.  Ela  afirma que os traficantes a respeitam e nunca entraram na casa dela. “Saio de manhã para fazer os atendimentos voluntários e retorno no final da tarde, nunca tive problemas com eles”.  Questionada sobre a presença da polícia no bairro, dona Luzia foi ligeira e objetiva:  “Eles são abençoados, deveriam estar aqui todos os dias”.

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