Polícia se nega a impedir referendo pela independência da Catalunha

DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) – Conforme se aproxima o domingo (1º), data do controverso referendo pela independência da Catalunha, disputas políticas criam um cabo de guerra nas instituições espanholas que já afeta forças policiais e ministérios.

O problema mais recente ocorreu nesta quarta-feira (27) com uma série de recusas da polícia autônoma catalã, conhecida como Mossos d’Esquadra, em cumprir ordens do Ministério Público em Madri.

A Procuradoria tinha ordenado que os Mossos cercassem seções eleitorais onde será realizada a votação, na tentativa de impedir o referendo no fim de semana.

Os representantes da polícia, porém, avisaram que não planejam cumprir a ordem.

Pere Soler, diretor da polícia catalã, escreveu em uma conta em rede social: “Que ninguém se equivoque. A principal missão é garantir direitos, e não impedir o seu exercício”.

Mais tarde, Josep Lluís Trapero, major dos Mossos, afirmou que as ordens do Ministério Público ameaçam a ordem pública. Serão cumpridas, disse, mas de maneira “proporcional”. Ele não detalhou como.

Os Mossos são oficialmente subordinados apenas ao governo catalão e podem atuar apenas dentro da própria região —uma das liberdades da Catalunha, que tem mais independência do que outras partes da Espanha.

Mas, em meio à investigação judicial sobre o referendo, considerado ilegal pelo governo central de Madri, o Ministério Público recebeu o poder de dar ordens diretas à polícia catalã.

Isso levou a uma onda de críticas contra os procuradores, acusados de estarem excedendo os seus poderes.

O conselheiro do Interior da Catalunha, Joaquim Forn (espécie de ministro regional) também desafiou as ordens do Ministério Público e disse que os Mossos vão permitir o referendo no domingo.

Para tentar resolver a disputa, também foi anunciada nesta quarta-feira uma mudança nas investigações sobre a legalidade do referendo. O caso sairá das mãos do Ministério Público e irá para o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha.

POLÍCIAS

A Catalunha, região no nordeste da Espanha com 7,5 milhões de habitantes (16% do total) que já goza de autonomia, quer se separar por completo de Madri.O governo espanhol se recusa a atender a demanda, afirma que o referendo é ilegal, e planeja impedi-lo. O episódio levou a a conflitos institucionais.

A situação se complica porque Madri enviou centenas de membros da Polícia Nacional para a Catalunha para garantir a ordem durante o domingo. Há o temor de, no dia da votação, ocorrer um confronto entre defensores da independência catalã e as forças de segurança.

Diferente dos Mossos, a Polícia Nacional atua em todo o território espanhol e segue as ordens do governo em Madri.

Também foram deslocadas para a Catalunha tropas da Guarda Civil, uma espécie de polícia com atribuições militares ligada aos ministérios do Interior e da Defesa.

O envio das tropas foi criticado pelo governo catalão. O conselheiro Forn disse nesta quarta-feira que “a Polícia Nacional e a Guarda Civil vêm à Catalunha alterar a ordem”.

O governo catalão diz que não poder estimar o número de policiais enviados por Madri, mas afirma que houve um fluxo “em massa” em direção a região e que não foi informado oficialmente disso.

Apesar das críticas na Catalunha e das reclamações do governo local, o envio de policiais à região recebeu também celebrações organizadas em diferentes regiões da Espanha para festejar o deslocamento. Cidadãos aparecem em vídeos gritando “a por ellos!” aos policiais —algo como “peguem eles”.

“As imagens são inacreditáveis”, afirmou o conselheiro Forn. “É como se fossem a uma guerra ou colonizar, e ninguém lhes desautorizou.”

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