Ponte Hercílio Luz é a nova aliada na melhoria da mobilidade da Capital

Atualizado

Uso da Ponte Hercílio Luz no sábado de Carnaval (22) medida tirou 62,6 mil carros de circulação, o equivalente a uma fila de 375 quilômetros de veículos – PMF/Divulgação/ND

Desde abril do ano passado, a Prefeitura de Florianópolis tem colocado a questão da mobilidade como uma das prioridades da atual gestão. Entre as ações para conquistar uma melhoria significativa no trânsito está a aposta em novos modais de transporte e no uso racional de recursos e equipamentos já disponíveis no município.

Uma dessas estruturas é a Ponte Hercílio Luz. Reinaugurada em 30 de dezembro do ano passado, a ponte vem sendo testada de várias formas para ajudar no escoamento do trânsito. O primordial, no entanto, é privilegiar o pedestre, o ciclista e o uso do transporte público coletivo como pilares centrais da melhor fluidez no deslocamento.

Com apoio do Governo do Estado, a prefeitura da Capital liberou a Ponte Hercílio Luz para o transporte coletivo. E a prova cabal de que essa forma de utilização é efetiva ocorreu no sábado de Carnaval (22). Comumente, este é o dia em que o maior número de foliões circula na região central.

De acordo com a Secretaria de Mobilidade e Planejamento Urbano, aproximadamente, 80,7 mil pessoas utilizaram ônibus para acessar o Centro da cidade. A medida tirou 62,6 mil carros de circulação, o equivalente a uma fila de 375 quilômetros de veículos (distância de ida e volta de Joinville).

“Consideramos positiva a iniciativa estratégica de abrir a Ponte Hercílio Luz para um dia de muito movimento no Carnaval, como o sábado. Alcançamos mais um marco na mobilidade urbana de Florianópolis, já que mais pessoas optaram por deixar seus veículos particulares em casa e aproveitar a festa em segurança”, afirma o secretário de Mobilidade Urbana de Florianópolis, Michel Mittmann.

Dos 80,7 mil usuários de transporte coletivo, 12,6 mil recorreram às linhas municipais; 65,1 mil usaram linhas intermunicipais e 3 mil foram transportadas pelo ônibus gratuito da cervejaria organizadora da festa.

Para o coordenador do Observatório da Mobilidade Urbana da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Bernardo Meyer, em muitos locais a cidade está sendo “devolvida às pessoas”, com aumento de área de calçadas e melhoria da acessibilidade das mesmas. “A região da cabeceira da Ponte Hercílio Luz é um exemplo emblemático. Entretanto, faz-se necessário criar uma rede maior de vias exclusivas para o transporte público, de modo que as viagens sejam mais rápidas e não precisem competir com veículos individuais nas vias”, opina.

Investimento no transporte coletivo, assim como em outros modais além do rodoviário, melhoram a mobilidade na capital catarinense – PMF/Divulgação/ND

“A melhoria das condições de mobilidade urbana passa pela qualificação e a priorização ao transporte público, de modo que as pessoas passem a confiar no sistema e usá-lo em seus deslocamentos diários, como já ocorre em várias cidades do mundo. Isso é fundamental para reduzir o número de carros nas ruas e a poluição atmosférica”, diz Meyer.

Regras de uso

Mesmo antes da reinauguração, já se discutia o uso prioritário da ponte por pedestres e ciclistas, além de tradicional ponto turístico.

Quem faz a gestão desse patrimônio histórico é o governo estadual, por meio da Secretaria de Infraestrutura, porém as vias do entorno são de responsabilidade do município. Sendo assim, os dois poderes estabeleceram regras para uso do equipamento.

São elas:

Pedestres e ciclistas: podem fazer a travessia completa pelas passarelas todos os dias e fazer visita pela pista de rolamento, com acesso pelas cabeceiras insular e continental, até o início do vão central (sábados e domingos);

Tráfego de veículos: transporte coletivo municipal, transporte escolar e veículos oficiais e de emergência (segunda a sexta);

Eventos e atividades com fins comerciais: só podem ser realizados mediante autorização da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade e dos órgãos responsáveis pelo patrimônio (Fundação Catarinense de Cultura, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural de Florianópolis).

No bairro Santa Mônica, estão sendo feitas novas calçadas, repavimentação asfáltica e sinalização viária. Na sequência, será implantada a ciclovia no canteiro central – PMF/Divulgação/ND

Outros modais de transporte

A prefeitura também investe em novos modais de transporte. O programa Mais Pedestres, por exemplo, ampliou o número de intervenções e avançará para a área continental. Inclui revitalização de passeios de prédios públicos e melhorias em escadas, rampas e corrimões nas comunidades.

Já o Mais Pedal, faz intervenções em outras regiões da Ilha e do Continente criando travessias seguras em locais onde já existem ciclofaixas. Também foi definido o modelo de comunicação horizontal para ciclorrotas, que compartilham o espaço com os carros. A meta é aumentar os corredores de bicicletas de 96,2 quilômetros para 158,5 quilômetros, conectando localidades e diferentes modais.

Nesse aspecto, destacam-se duas obras importantes. Uma, já em andamento, é a revitalização da Avenida Madre Benvenuta, no bairro Santa Mônica. No local, estão sendo feitas novas calçadas, repavimentação asfáltica e sinalização viária. Na sequência, será implantada a ciclovia no canteiro central. Os investimentos na via urbana que faz a ligação entre os bairros da Trindade e Itacorubi chegam a R$ 5,22 milhões.

A segunda ação será realizada na Avenida das Rendeiras, na Lagoa da Conceição. O edital para realização das obras foi lançado em 6 de fevereiro e os trabalhos devem começar em maio, com previsão de término antes da temporada de verão 2020/2021. Esse projeto está orçado em R$ 5,25 milhões, sendo R$ 3 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal.

Em médio e longo prazos, também devem ser adotados modais como transporte marítimo, teleféricos e elevadores em planos inclinados. “O transporte marítimo é uma alternativa importante a ser explorada, em função de nossa condição insular e pode ser um modo complementar ao sistema de transporte público. Entretanto, é um modal que exige subsídios públicos elevados para operação e é importante que esteja integrado a um transporte eficiente de ônibus com corredores exclusivos”, afirma Bernardo Meyer.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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