Pontes para admirar, pontes para funcionar

Em São Paulo, ponte estaiada chama atenção assim como a Hercílio Luz, mas há quem critique a obra por não atender 100% as necessidades de mobilidade da obra no trânsito paulistano

Estou em São Paulo nesta semana participando de um curso sobre jornalismo digital. Na tarde de terça-feira (12) fomos até uma empresa de internet para um visita técnica e da sala de espera, que fica no 32º da torre Norte do conjunto de prédios WTC, fiz a foto abaixo. Descontado a poluição do rio Pinheiros e a sujeira no vidro (não sou louco de abrir o vidro numa altura daquelas, não tem?), a foto destaca a Ponte Estaiada Octávio Frias de Oliveira. Bela construção arquitetônica, inaugurada em 2008, com seus 1.600 metros de comprimento e 138 metros de altura.

Alexandre Gonçalves/Arquivo Pessoal

Vista do 32º da torre Norte do WTC, em São Paulo

Ouvi críticas de colegas de curso que vivem em São Paulo. “Não serve para nada, não passa ônibus”. Achei o comentário curioso, mas captei a ideia paulistana de que toda e qualquer obra no trânsito de São Paulo preciso facilitar a mobilidade de todos os tipos de veículos para facilitar a vida de todos os tipos de pessoas, os com-carro e os sem-carro. Diante da morosidade diária do trânsito por aqui, totalmente compreensivo esse desejo por maior uso e utilidade de uma obra dessa proporção. A questão é que não pode haver sobrecarga. Mas se há esse impeditivo, o modelo de ponte escolhido foi o mais adequado?

Mas faço uma confissão: no fundo, no fundo, para quem está acostumado a admirar uma ponte como a nossa Hercílio Luz, com seus muitos significados, mas que faz apenas figuração no quesito mobilidade, não fiquei muito preocupado em saber se a ponte estaiada atende ou não os anseios dos paulistanos. Não passei pela ponte na terça e nas idas para o curso, passo longe de precisar cruzá-la. Por isso, me ocupei apenas em admirar a obra, como bom turista, assim como aqueles que vão até a cabeceira da Hercílio Luz nos fins de tarde olhar e admirar nosso monumento.

Foi divertido viver esse papel “relax” de ver uma ponte e nem se ligar se ela atende como deve os moradores da cidade. Sei que talvez esteja sendo “sacana” ou pouco solidário com meus colegas e amigos que moram em São Paulo. Mas será que quando passam os olhos pela Hercílio Luz, eles, os turistas, não agem da mesma forma? Se está aberta ou não para o tráfego, não parece fazer a diferença. Não há culpa em apreciar a ponte pela estética, pela beleza arquitetônica e dar de ombros se a abra serve ou não para a cidade, se atente em 100% o que espera a população?

No fim das contas, voltando para o curso após a visita técnica, fui pensando se um dia eu é que irei reclamar quando um colega vier falar da beleza da Hercílio Luz. Vou poder dizer: “Não serve para nada, não passa ônibus”? Ou só vou balançar a cabeça concordando com a opinião dele: “Pois é…”

Quem pode responder?