Por mais mulheres na política

Angela Albino

Deputada federal (PCdoB/SC)

dep.angelaalbino@camara.leg.br

Divulgação/ND

É sabido que o dia 8 de março, internacionalmente conhecido como um símbolo na luta pelos direitos das mulheres, é um marco de comemorações no Brasil e no mundo. Porém, não podemos nos limitar a comemorar as importantes conquistas obtidas no século 20 e nestes primeiros anos do século 21. Queremos mais. O momento é propício para debatermos sobre a importância do aumento da participação feminina nos espaços de poder.

Discutir o tema se torna ainda mais relevante quando constatamos que, apesar de sermos a maioria do eleitorado brasileiro (52,13% dos mais de 141 milhões de eleitores aptos para votar são mulheres), ainda somos sub-representadas nos poderes Executivo e Legislativo federal, estaduais e municipais. A discussão ganha força diante da proximidade das eleições municipais deste ano de 2016, e também pelo perigoso avanço no Congresso Nacional de pautas contrárias aos interesses das mulheres, em particular das trabalhadoras. O mais recente exemplo disso foi a votação de destaque que retirou do texto base da Medida Provisória 696/15
a expressão “da incorporação da perspectiva de gênero” do objetivo do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos.

Isso evidencia o quanto a baixa representação feminina nos espaços de poder reflete na ausência de políticas públicas para mulheres. Esse cenário aponta para a necessidade de uma maior mobilização feminina, principalmente, para que mais mulheres se coloquem à disposição da política e concorram às eleições que se aproximam e ocupem as cadeiras disponíveis nas câmaras de vereadores e prefeituras, no maior número de cidades possíveis. Em Santa Catarina, temos que aumentar o quantitativo de mulheres na política.

Somos o Estado com um dos menores índices do país, apesar de sermos 51,3% do eleitorado catarinense. Prova disso é o fato de nas duas últimas legislaturas só homens terem sido eleitos para a Câmara de Vereadores de Florianópolis. Esse quadro de baixa representatividade feminina nas esferas de poder precisa urgentemente mudar, ou não conseguiremos transformar a realidade das brasileiras e catarinenses.

Definitivamente, se as mulheres não tiverem como pauta prioritária a ocupação de espaços políticos, estaremos fadadas ao obscurantismo. Só assim nós, mulheres, seremos vistas também como uma força política. Nossa conterrânea lagunense Anita Garibaldi, revolucionária do século 19, conhecida como a Heroína dos Dois Mundos, já dizia: “Não tenha medo de viver, de correr atrás dos sonhos. Tenha medo de ficar parada”.

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