Porsche Boxter é arrematado em leilão da Polícia Federal por R$ 176 mil

Fernando Mendes

Porsche foi apreendido na Operação Arrastão em 2009

Veículo foi apreendido na Operação Arrastão

O carro mais cobiçado do primeiro leilão realizado pela Polícia Federal após a Resolução 30, do Conselho Nacional de Justiça, foi um Porsche Boxter S, modelo 07/08. O veículo, que ficou por dois anos parado no pátio da PF, teve um lance inicial de R$ 170 mil e foi arrematado por R$ 176 mil. O comprador do conversível amarelo foi um revendedor de Itapema.   Além deste, que teve uma atenção especial no auditório da Polícia Federal na tarde de ontem, mais nove automóveis e uma moto, apreendidos durante operações policiais, foram vendidos por preços abaixo de mercado.

A proposta lotou o auditório. Durante aproximadamente uma hora, todos os veículos foram vendidos, que somaram um montante de  R$ 482 mil. O dinheiro será depositado em uma conta judicial enquanto corre o processo judicial. “Caso os envolvidos sejam condenados o dinheiro será confiscado e direcionado para a União. Caso eles sejam absolvidos recebem o dinheiro de volta”, explica o juiz da 2ª Vara Criminal de Tijucas, Pedro Carvalho.

A  maioria dos carros leiloados pela PF foram originados de apreensões da Operação Arrastão, realizada na Comarca de Tijucas em 2009. Entre eles está o Porsche, que segundo o delegado Ildo Rosa, pertencia a Aleander Muller, que pagou R$ 230 mil no veículo. “Há suspeitas de que ele seja envolvido com  maquinas caça-níqueis e jogatina, em Brusque, no Vale do Itajaí. Ele comprou o veículo em uma terça-feira e foi preso na sexta-feira”, lembra Rosa.

O empresário de Itapema Sandro Argenta, 33, que comprou o Porsche no leilão, pretende revender o veículo. “Estou habituado a revender carros importados. Vim para buscar exclusivamente este modelo”, comemora o novo proprietário, que parabeniza pela iniciativa da PF. “Acho ótimo, uma forma de não deixar carros como este apodrecendo”, avalia. O primeiro leião antecipado do Brasil foi promovido com base na Recomendação nº 30 do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A proposta é a alienação antecipada de bens apreendidos de criminosos.

Carros no terreno da União devem ser leiloados

 De acordo com o superintendente Ademar Stocker   em Santa Catarina cerca de 30 mil carros apreendidos apodrecem nos pátios da Polícia Federal. A iniciativa é uma forma de diminuir este número. “A tendência é se espalhar este sistema por todo o Brasil”, aponta. Na Capital, recentemente o terreno na área central da cidade, que pertence ao Patrimônio da União e está cedido provisoriamente ao Ministério Público Federal, está sendo usado para abrigar carros apreendidos que estão com processos administrativos em trânsito.

O local escolhido, na baía sul, ao lado do Camelódromo de Florianópolis e Direto do Campo é alvo de crítica por parte de comerciantes do entorno que reclamam que os carros parados atraem marginais além de insetos e ratos. “15 carros que estão ali já estão com pedido de leilão. Falta só um ajuste entre o Tribunal de Contas da 4ª Região e o leiloeiro para que os veículos possam ser leiloados”, explica Stocker.

Para o juiz Pedro Carvalho é necessário um desprendimento dos poderes envolvidos para a realização da vendo. Segundo Carvalho, a realização do processo legal pode ser realizada em seis meses. “É preciso uma comissão bem constituída para avaliar caso a caso, mas é possível. O Estado não pode arcar com este ônus”, salienta.

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