Praça 15 é reaberta ao público no Centro de Florianópolis

Atualizado

Com algumas intervenções e programação cultural, foi reaberta nesta quinta-feira (7) a Praça 15 de Novembro, no Centro de Florianópolis. A praça estava fechada desde a quarta-feira (27), para os festejos de carnaval.

Praça 15 reabre com melhorias e apresentações culturais – Flavio Tin/ND

Essa é a segunda vez que o município fecha a Praça durante o Carnaval para a preservação, já que em anos anteriores a cidade arcou com prejuízos de milhares de reais por conta da depredação.

Durante o período em que ficou isolado com tapumes, o local recebeu serviços de limpeza, poda, manutenção em bancos e canteiros e melhorias na iluminação. O coreto, no entanto, continuará fechado pelas próximas semanas para reforma a ser feita pelo grupo adotante.

Para o engraxate Luís Peixoto, que trabalha há 35 anos no entorno da Praça, o fechamento foi ótimo e já deveria ter sido adotado há muitos anos. “Deveria começar desde o Berbigão do Boca até o término do carnaval. Nos anos anteriores, as plantas ficavam todas quebradas e o solo só no barro, tudo depredado. Era ruim tanto para os comerciantes quanto para os clientes que evitavam até passar por aqui”, relata.

Luís Peixoto aprova o fechamento da Praça durante o carnaval -Flavio Tin/ND

Segundo a prefeitura, haverá reforço diário no policiamento para intensificar a segurança e a abordagem aos moradores de rua que costumam perambular ou se instalar nas redondezas.

A ação foi decidida em reunião na quarta-feira da semana passada (27), no gabinete do prefeito, com diversos órgãos da prefeitura, Ministério Público e Polícia Militar. De acordo com o secretário de Segurança Pública, Alceu de Oliveira, este é um novo olhar para a Praça 15. “Aproveitamos o tempo em que ela ficou fechada para preparar as melhorias e reabri-la com segurança e cultura em um ambiente preservado que faz parte do coração da cidade”, reforça.

Apresentações culturais

Das 10h30 às 18h, a Praça recebeu atividades artísticas e culturais, como o Boi de mamão Arreda Boi, da Barra da Lagoa; uma roda de rendeiras, ratoeiras e fuxiqueiras; Banda do Exército; contação de histórias e orquestra de Choro
do Campeche.

Dona Rosa do Santos Cruz participou da roda de rendeiras na reabertura da Praça 15 – Flavio Tin/ND

A moradora do bairro Sambaqui, Rosa dos Santos Cruz, 83 anos, era uma das rendeiras na roda instalada na Praça. Ela conta que aprendeu a fazer renda de bilro aos sete anos de idade, observando a mãe, que não tinha muita paciência de ensiná-la. “Naquele tempo a gente não tinha emprego, então fazia renda para tirar um dinheirinho. Também era raro ir à escola, porque a gente saía para a roça ou para vender alguma coisa. Eu vendia camarão e leite e quando voltava já não dava tempo de ir à escola, por isso até hoje leio muito pouco”, conta.

Dona Rosa faz parte do grupo de rendeiras do Sambaqui e diz que aproveita apresentações como essa para passear e se distrair. “Já sou viúva, estou com filhos e netos criados, vou ficar em casa fazendo o quê?”, pergunta, animada.
Pouco mais de uma dezena de artesãs passaram a tarde tecendo e expondo seus trabalhos, relembrando a cultura que traduz um modo de vida que atravessou gerações e acabou caracterizando o artesanato ilhéu.

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