Praias de Palhoça dão sinal verde para o verão

Município tem todos os pontos de coleta de água aprovados pela Fatma

A rede de esgoto ainda não chegou por lá. Tratamento sanitário, então, nem se tem projeto em andamento. As praias do Sul de Palhoça, no entanto – que teriam bons motivos para estar entre as mais poluídas da região – estão justamente na área limpa do mapa catarinense e integram os locais liberados pela Fatma (Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina) nessa temporada. Afinal, o que é que a Palhoça tem?

Flávio Tin/ND

ND percorreu o circuito de balneários procurados por banhistas e onde a Fatma faz análise da água – desde a praia de Fora à Guarda do Embaú – para mapear o que torna o município cada vez mais procurado e o que os moradores esperam para que, nos próximos anos, o status se mantenha.

No primeiro desembarque, a faixa de areia não é das mais largas. Com pouco mais de 15 passos em linha reta, é possível sair da estrada, cruzar a orla e tocar os pés na água. Nem por isso os frequentadores deixam de aproveitar a localidade de Pontal, na praia de Fora. A qualidade da água tem sido – coleta após coleta – aprovada para banho e uma garantia de lazer perto de casa para quem vive ali.

“A praia aqui é uma piscina, perfeita para ensinar a nadar. Você anda 70 metros para dentro e a água ainda bate na cintura”, dispara o professor de educação física Fábio Negrão. Ele escolheu o local para dar aulas de natação de graça para a comunidade e é responsável pela concentração de pessoas – coisa rara de se ver no local – todas as terças e quintas-feiras.

Frequentada, principalmente, pelos próprios moradores, o cenário da região se forma por pequenas embarcações de pesca atracadas em poitas e casas de, no máximo, dois pisos no entorno da orla. Comércio e opções de alimentação não são um ponto forte – típica característica de um balneário que, basicamente, não recebe alto contingente de visitantes na temporada.

Depois de encarar a BR-101 – o principal acesso das praias locais – a praia do Sonho é a segunda parada do circuito. Um dos balneários com a maior faixa de areia do município, é o principal destino para quem caminha, joga frescobol ou gosta de ficar na água sem ser incomodado pelas ondas. “Aqui não se vê esgoto, não se vê sujeira na água e o mar é tranquilo. A família pode vir e brincar com as crianças”, conta Marcelo Assunção, 41 anos, ao lado do sobrinho, Paulo Feixe, de 2.

Guarda do Embaú e Pinheira, as mais procuradas

Flávio Tin/ND

Depois de passada a praia do Sonho e a Ponta do Papagaio – ponto extremo de terra que forma uma das únicas penínsulas da costa de Palhoça – vem a famosa Pinheira. Turistas como o psicólogo gaúcho Gilberto Ribas e os filhos Vitor e Vinícius aproveitam o dia na faixa da praia que fica no centrinho do bairro sem se preocupar.

Mas, apesar das placas indicarem que o mar está próprio para banho e de se verem peixes nadando nos trechos mais rasos, tem frequentador que já ligou o alerta por ali. “O mais urgente é criar uma rede de tratamento. As pessoas estão vindo para cá, estão construindo e isso vai ter consequências. Hoje, a gente nem ouve falar em projeto de saneamento”, protesta Vânia Córdova Cardoso. Moradora local e frequentadora da Pinheira há 12 anos, ela toma alguns cuidados e indica quem vem de fora a fazer o mesmo. Vânia também se cuida e nunca leva a sobrinha-neta, Sara Pereira, 6, para brincar próximo às áreas de córrego, como o rio que desemboca na localidade de Mar Aberto, também na Pinheira. “A gente nem chega perto do riozinho, porque nunca sabe o que estão soltando ali”, alerta.

Situação oposta a que desfruta a família gaúcha Ubiratan Roehrs Pereira e Renata dos Santos Ribeiros pouco mais de cinco quilômetros dali, na Guarda do Embaú. Nas águas do rio da Madre, no coração da Guarda, que a filha do casal – Rafaela de apenas um ano e sete meses – tomou o primeiro banho de água salgada da vida. “A gente procurou um lugar que desse para aproveitar a praia com ela, tinha que ser um lugar tranquilo e, depois de todos esses problemas de poluição [fazendo referência à questão ambiental de Canasvieiras, no Norte de Florianópolis], um local que fosse limpo”, destaca.

É justamente nesse trecho da Guarda do Embaú que é feita a coleta de água para análise da Fatma. A água do rio é escura se comparada ao azul do mar, mas com baixa concentração de bactérias. É um dos 135 pontos próprios para banho de Santa Catarina – segundo o último relatório, divulgado na última sexta-feira; outros 76 estão na lista de impróprios.

 Sem rede de esgoto, geografia é a aliada

O Sul de Palhoça pode não ser o principal cartão postal da Grande Florianópolis quando o assunto é praia e regiões badaladas no verão, mas tem praticamente todos os atributos para conservar o selo de “praia limpa” dado pela Fatma. A localização e a silhueta de poucas curvas são seus principais atributos nessa corrida pela preservação dos balneários.

A condição de mar aberto é o que não deixa, literalmente, a água sem saneamento que desemboca no mar ficar concentrada nas praias do município. Correntes, ventos, movimentação das marés, e a própria concentração de sal, explica o responsável técnico do órgão, Marlon Daniel da Silva, ajudam a “diluir” a concentração de esgoto e tornam a qualidade da água com menor concentração da bactéria Escherichia coli, presente em fezes de animais e humanos.

Mesmo em praias próprias para banho, Silva orienta os banhistas a ficarem longe dos córregos para evitar os trechos que concentram água sem tratamento. “É o lugar onde há maior chance de contaminação”, aponta.

A porção Norte de Palhoça, onde fica a costa de águas calmas e a área mais urbanizada da cidade (como a Ponte do Imaruim e o centro), é imprópria para banho há décadas, e por isso, não tem pontos de coleta para análise da balneabilidade.

Promessa de saneamento

A prefeitura afirma que elabora um projeto para a primeira estação de tratamento no município. O sistema de esgotamento sanitário, adianta o secretário de Infraestrutura Eduardo Freccia, projeta a criação da Estação da Baixada do Maciambú, que atenderia os bairros da Guarda do Embaú e da Pinheira. “Essa é a nossa prioridade. Mais tarde, a ideia é ir incluindo as outras regiões no sentido Sul para o Norte”, afirma.

A proposta inicial é que a estação seja feita na região do Morretes e teria capacidade para atender a projeção de crescimento da população local para os próximos 20 anos. Atualmente, estima-se que somente a região das praias recebe mais de 100 mil pessoas no pico da temporada. A previsão é de que a licitação ocorra ainda no primeiro semestre desse ano. O investimento inicial foi avaliada em mais de R$ 10 milhões.

 

 Confira a galeria de fotos das praias de Palhoça

CONHEÇA OS BALNEÁRIOS

:: Praia de Fora (engoba Pontal, Marivone e São Vieira)

– Qualidade da água nos últimos dois meses: própria para banho
– Local da coleta: rua Antônio Julio Fagundes
– Temperatura média da água: 29°C
– Condição do mar: água rasa e mar calmo
– Condição da orla: faixa de areia estreita
– Quem mais frequenta: nativos

:: Praia do Sonho

– Qualidade da água nos últimos dois meses: própria para banho 
– Local da coleta: rua Canindé
– Temperatura média da água: 24°C
– Condição do mar: água rasa e mar calmo
– Condição da orla: faixa de areia larga
– Segurança: presença de salva-vidas
– Estrutura: banheiros químicos
– Quem mais frequenta: nativos e turistas

:: Praia da Pinheira

– Qualidade da água nos últimos dois meses: própria para banho
– Locais da coleta: rua Beira Rio (Norte), em frente ao posto salva-vidas e rua dos Pescadores (Sul)
-Temperatura média da água: 25°C no Norte e 21°C no Sul
– Condição do mar: calmo com área reservada para o acesso de barcos e motos aquáticas
– Condição da orla: faixa de areia larga
– Segurança: presença de salva-vidas
– Estrutura: banheiros químicos
– Quem mais frequenta: turistas

:: Guarda do Embaú

– Qualidade da água nos últimos dois meses: própria para banho
– Local da coleta: no rio, em frente à vila
– Temperatura média da água: 26°C
– Condição do mar: propício para a prática de esporte
– Condição da orla: faixa de areia larga
– Segurança: presença de salva-vidas
-Estrutura: banheiros químicos
-Quem mais frequenta: turistas

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