Precoces e alvissareiros talentos

Duda, minichefs e Manu são exemplos de criatividade entre crianças

Nesta quarta-feira (16) a cidade assistiu a mais um capítulo da consagração de um jovem talento local, quando Eduarda Henklein, a Duda, foi reconhecida por uma instituição nacional como a mais jovem baterista feminina do Brasil. Conheci a menina pessoalmente na semana passada, e fiquei impressionado com a desenvoltura e a categoria dela, tanto na execução dos acordes em caixas, repiques, surdos e timbales (guardadas, claro, as devidas proporções inerentes a uma criança de 6 anos) quanto na conversa. Atenta, quis saber o motivo de eu ficar escrevendo enquanto o papo rolava com ela, mãe, pai e irmã. Expliquei-lhe que aquelas anotações de transformariam na reportagem que sairia no jornal dias depois, e no final ela ainda atentou para a capa da “agenda”, adornada com o escudo do JEC.

Saí da residência dos Henklein, no bairro Profipo, com a alma lavada e a satisfação de ver que o talento existe – é genético, no caso da filha de músicos – e pode ser cultivado desde cedo, formando os profissionais do futuro. Duda é uma ilha de criatividade em meio ao marasmo cultural que venho observando nas crianças desta geração. O índice de leitura vem diminuindo cada vez mais no Brasil, e um dado de pesquisa me assustou: só três em cada dez brasileiros leram um livro em 2014.

Além de Duda, sei que há mais talentos precoces por aí. É só uma questão de garimpá-los e lapidá-los. Como as crianças que participam do reality Master Chef Junior, por exemplo. Com certeza sua vocação culinária vem de casa, e os pais incentivam – já começa que as crianças têm habilidade para lidar com forno e fogão. Claro que o coração infantil e adolescente é mais sensível, o que significa lágrimas doloridas quando um preparado desanda, queima ou desmorona. Mas que é bonito de ver, ah, isso é.

Ainda na senda das habilidades domésticas e artesanais, o leitor do ND vai se deparar, nos próximos dias, com outra figurinha carismática, Manuela Canabarro, a Manu Pets. Ela, aos 10 anos, já teve momentos de celebridade nacional no programa Hora do Faro, na Record, mostrando sua ação voluntária em prol dos cães. Manu costura roupinhas caninas, mas, acima de tudo, sua habilidade está a serviço de uma causa comunitária e humanitária. É uma amiga dos animais. Outro talento precoce a nos animar.

Duda, Manu e os chefs mirins têm em comum o talento nato para alguma atividade. Também desfrutam de ambientes propícios, famílias incentivadoras, professores etc. etc. Sei pessoalmente como isso é importante na formação profissional. Se me tornei jornalista, devo muito ao incentivo de meu pai e minha mãe me presenteando com livros desde que aprendi a ler; depois, no colégio, às irmãs carmelitas insistindo nas provas orais de leitura e nas declamações de poesias; no ginásio, entre tantos e bons mestres, ao profeta professor Arnaldo, um dia vaticinando que eu seria cronista.

Você, que agora lê esta crônica, penso que o faz mais por prazer que obrigação. Se for pai ou mãe, incentive os filhos a ler; se for criança ou adolescente, não pare. Precisamos descobrir e lapidar mais talentos.