Prédio histórico perdeu características e foi demolido em Joinville

Dono do terreno optou por fazer a demolição e limpeza no fim de semana

Construído no final do século 19 e início do século 20 o prédio localizado na rua Procópio Gomes, 602, esquina com Plácido Olímpio de Oliveira, foi demolido no fim de semana, em Joinville. “O imóvel original tinha características e tipologia arquitetônica de ecletismo, uma mistura de estilo clássico, barroco e renascentista”, explica o pesquisador da história do município, Dilney Cunha. Embora o imóvel estivesse, desde maio de 2002, na lista de UIP (Unidade de Interesse de Preservação) não estava em processo de tombamento histórico. Nos últimos anos, neste endereço, funcionaram várias casas noturnas – a última boate Ivyx Club Mix.

Gisela Müller/ND

Trabalho começou no sábado e no domingo antigo casarão já não existia mais

“O prédio começou a ser descaracterizado no início da década de 90”, informa o historiador Bruno da Silva, da fundação FCJ (Cultural de Joinville). Em 21 de julho de 2003 o Ippuj (instituto de Planejamento) fez uma vistoria no imóvel e foram elencados 13 itens de alteração na arquitetura original. Entre eles a demolição do muro; a retirada dos gradis; alterações na escada; desvalorização de ferragens antigas; retirada de esquadrias e emparedamento; fechamento de janelas; demolição de paredes internas; e demolição de um galpão anexo. À época os proprietários eram Luiz Fernando da Costa Cunha e a esposa Clara. “Constatou-se que a edificação apresentava alterações que descaracterizaram totalmente a que se pretendia preservar”, consta no documento.

Com base nisso, a comissão Comphaam (Comissão do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural do Município de Joinville), com 18 membros de instituições públicas e privadas, entendeu ser inviável o tombamento. Outra vistoria foi feita em 27 de junho de 2012. Baseado neste último parecer, a Seinfra (Secretaria de Infraestrutura) autorizou a demolição do imóvel neste ano. Hoje o terreno pertence a Dois Reis Incorporadora e Imobiliária Ltda. O endereço vai receber um prédio comercial. “Estamos estudando o local, poderá ser uma clínica, mas está certo que será um prédio comercial”, afirmou a proprietária Rosimeri Welter. Seis caminhões e uma máquina retro-escavadeira trabalharam desde as 7h de sábado (5) até esta segunda (7). Os resíduos foram transportados para um terreno no bairro Itinga. O documento de demolição descreve “um prédio em alvenaria com área de 695,63 metros quadrados”.

Legislação pouco conhecida

Em 2011 foram aprovados na Câmara de Vereadores de Joinville os projetos de lei complementar 363 e 366. Um instituiu o inventário do patrimônio cultural de Joinville e outro prevê compensações aos proprietários, respectivamente. Para os donos de imóveis históricos a nova legislação traz benefícios, entre eles, a dedução e isenção tributária; edital de apoio a restauração; IPTU progressivo; transferência do direito de construir; preservação integral ou parcial dos bens. A regulamentação também define a área de entorno, regulamenta a comunicação visual e prevê uma revisão a cada dez anos.

“Sem saber do benefício da lei muitos proprietários tomam uma atitude drástica de derrubar os imóveis sem saber que a lei traz uma série de benefícios a eles”, comenta a arquiteta restauradora Simone Harger, também especialistas em gestão de patrimônio cultural e economia criativa. A nova lei define o grau de proteção de cada bem e a esfera de tombamento: municipal, estadual ou federal.

Ao longo da avenida Procópio Gomes há quatro imóveis tombados ou em processo de tombamento: Lar Abdon Batista, no número 749, preservado pela FCC (Fundação Catarinense de Cultura); a residência de Otto Jordan e Hans Jordan, 848, está sendo restaurada; e o casarão do ex-prefeito de Joinville Procópio Gomes de Oliveira, 1.270. O imóvel construído por Frederico Kamradt, em 1955, e vendido para Antônio Budal e Alice Budal Arins, localizado no número 974 está em fase de tombamento pela FCJ. “Destes imóveis estamos fazendo um estudo aprofundo”, comenta Bruno da Silva, da fundação FCJ. Tanto o prédio demolido como essa listagem em tombamento foram construídos no mesmo período.

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