Prédios do Centro Leste contam a história da educação em Florianópolis

Quem passa pelo centro de Florianópolis pode não imaginar o quanto de história a região guarda. Do Mercado Público, passando pelo Palácio Cruz e Sousa à avenida Hercílio Luz, o Centro foi palco de acontecimentos que marcaram a formação da cidade, que completa 347 anos no dia 23 de março.

Edifícios no entorno da Escola Antonieta de Barros guardam história da formação do Centro Leste da capital catarinense – Foto: Flavio Tin/ND

A parte Leste do centro histórico concentrou as primeiras instituições voltadas à educação na Capital, com destaque para a Escola Antonieta de Barros. O prédio, desocupado há dez anos, foi doado à Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) em dezembro de 2019 e será anexado ao Mesc (Museu da Escola Catarinense).

O nd+ buscou desvendar a história por trás das construções que rodeiam a escola.

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Centro Leste

Até o final do século 19, a região da Escola Antonieta de Barros era chamada de bairro da Pedreira. Um alto muro de pedra, onde foi construído o casarão que hoje abriga o Mesc, guarda a memória do antigo nome.

Nesse período era comum a prática de nomear ruas e bairros pela topografia do lugar, casa comercial ou habitação importante.

Prédio onde fica o Mesc e, ao lado, Escola Antonieta de Barros – Foto: FCC/Divulgação/ND

A ocupação do centro da Capital teve início no entorno da Praça 15. O movimento foi se expandindo ao longo dos anos, até alcançar o centro Leste, que passou a contar com casas comerciais, clubes, hotel e cinema.

Instituto Politécnico

Segundo o historiador Rodrigo Rosa, da FCC (Fundação Catarinense de Cultura) conta que a Casa José Boiteux, onde funciona a atual sede do IHGSC (Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina) e da Academia Catarinense de Letras, é um marco inicial no processo de realocação das instituições de ensino do lado Leste da Praça 15.

Casa José Boiteux, antigo Instituto Politécnico – Foto: Flavio Tin/ND

O prédio foi construído nos anos 1920, na avenida Hercílio Luz, para abrigar a primeira instituição de ensino superior de Santa Catarina, o Instituto Polytechnico. Nesse período, o edifício era considerado moderno para os padrões e era o segundo maior da Capital.

Escola Normal Catharinense

No mesmo período, em 1926, foi construído o edifício que abrigou a Escola Normal Catharinense, localizado na rua Saldanha Marinho. A cidade passava pela implantação de um plano urbanístico que compreendia, além do edifício sede da Escola Normal, a Ponte Hercílio Luz e o Palácio Cruz e Sousa.

Por causa de uma reforma no sistema de ensino, em 1935, a Escola Normal Catharinense passou a ser o Colégio de Educação. Em 1947 se uniu ao Colégio Estadual Dias Velho, nome antigo dado à Escola Antonieta de Barros.

Antiga Faculdade de Educação – Foto: Flavio Tin/ND

Já em 1964 passou a ser o endereço da primeira Faculdade de Educação do Brasil e, mais tarde, a partir dessa iniciativa, nasceu a Udesc. A Faculdade de Educação funcionou nas dependências do prédio até 2007.

Instituto de Educação Dias Velho

O prédio da Escola Antonieta de Barros, localizado na rua Victor Meirelles, foi construído na década de 1940 e, em 1947, recebeu o nome de Instituto de Educação Dias Velho.

Era formado por dois prédios: a Escola Normal (atual Museu da Escola Catarinense) e a edificação da Escola Antonieta de Barros, com uma escada que ligava ambas.

Escola Antonieta de Barros, onde funcionada o Instituto de Educação Dias Velho – Foto: Flavio Tin/ND

Antonieta de Barros foi diretora do Instituto entre 1945 e 1951. Em 1963, o colégio foi transferido para a avenida Mauro Ramos, passando a se chamar Instituto Estadual de Educação.

Conforme o historiador Rodrigo Rosa, a morte da professora Antonieta de Barros, em 1952, fez com que o poder público batizasse a escola com o nome dela. Figura marcante para a história do país, ela foi a primeira deputada estadual mulher e negra a ser eleita.

Museu Victor Meirelles

Com estética colonial, a casa que abriga o Museu Victor Meirelles, em frente à Escola Antonieta de Barros, data do começo do século 19. O prédio teve diversas funções ao longo dos anos, como açougue e comércio de secos e molhados.

Museu Victor Meirelles, em frente à Escola Antonieta de Barros – Foto: Flavio Tin/ND

O imóvel foi adquirido pela família do pintor Victor Meirelles, autor da obra “A Primeira Missa”, reconhecida nacionalmente. Ele nasceu no local em 1832. Em 1952, em meio a um surto modernizador, a casa passou a abrigar o museu que leva o nome do artista.

O historiador Rodrigo Rosa conta que o poder público decidiu alargar as ruas dessa região, demolindo os casarões de menor importância. A casa onde nasceu o artista, construída muito antes da proliferação dos automóveis, estava ameaçada de demolição, pois a ideia era dar lugar ao tráfego.

O plano era demolir uma parte da casa para que ficasse alinhada com a nova largura da via. A partir dessa ameaça, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), dedicou-se à implantação do Museu Victor Meirelles e ao tombamento do casarão, oficializado em 1950.

Cidade moderna

O projeto de modernização e embelezamento de Florianópolis teve início nos anos 1920, inspirado pelo discurso higienista que ocorria no Rio de Janeiro. Nesse contexto, a construção da avenida do Saneamento – atual avenida Hercílio Luz – foi um marco para o período.

Avenida Hercílio Luz na década de 1920 – Foto: FCC/Divulgação/ND

“O governador Hercílio Luz queria uma grande avenida para modernizar a cidade. Ele opta pelo lado Leste do centro. A construção da avenida é agressiva, com uma série de desapropriações nas margens para a construção de edifícios importantes”, explica o historiador.

Dessas desapropriações surgiram a Escola Normal Catharinense e o Instituto Politécnico.

Os cortiços que ocupavam as margens do rio da Bulha, que passa debaixo da avenida Hercílio Luz, foram demolidos e deram lugar a construções modernas e requintadas, como a Escola Normal Catharinense e o Instituto Politécnico.

Os antigos moradores encontraram abrigo nos morros, como o Morro da Caixa e Morro do Mocotó, na região central. O objetivo era reservar o leito do rio para os novos edifícios que contribuiriam para a criação da imagem de cidade bela e moderna que a capital catarinense queria apresentar.

Avenida Hercílio Luz – Foto: Foto Flavio Tin/ND

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