Prédios tombados são identificados com placas em São José

As 21 edificações receberão uma placa explicativa contendo dados históricos e a importância do prédio no passado do município

Marco Santiago/ND

Antiga Casa de Câmara e Cadeia onde fica atualmente a Casa de Cultura de São José

Eles contam histórias sem dizer uma palavra. Hoje estão brancos, amarelos. Amanhã podem estar azuis ou verdes. As cores fortes destacam a arquitetura que emolduram o Centro Histórico de São José.  Os centenários prédios hoje tombados permaneceram de pé -graças ao bom senso de seus proprietários-, até que pudessem ser protegidos pela lei municipal. Seriam 22 edifícios, não fosse a demolição do Entreposto da Praia Comprida. A construção do século 19, foi ao chão em agosto de 2010, para dar lugar ao estacionamento de uma danceteria.

A quem pertenceu? Como foi utilizado? Qual sua importância no passado?  Essas e outras respostas estarão nas placas de identificação, preparadas pela Secretaria de Cultura de São José. De acordo com o diretor do arquivo histórico do município, Milton Knabben cada edifício tombado pela Lei 18.704/2005, já estaria com a lâmina colocada em sua fachada, não fosse um problema no material com o fornecedor. “Queremos todas no mesmo padrão. Vieram diferentes por isso mandamos refazer”, afirmou sobre o atraso dos trabalhos, que tinham início previsto para o mês de março.

Três prédios passam por estudos sigilosos para tombamento

Para evitar que edifícios em processo de tombamento sejam demolidos, como no caso do casarão da família Max, na Fazenda Santo Antônio, Milton Knabben afirma que sua equipe trabalha em sigilo. “A demolição na calada da noite foi uma lição para nós”, admitiu, adiantando que pelo menos três edificações passam por estudos para posterior tombamento, detalhe: sem divulgação nenhuma, nem mesmo dentro das repartições públicas. “As vezes precisamos medir e fotografar os prédios sem levantar suspeitas”, revelou.

O diretor lembra que no caso do casarão Max, e na demolição do Entreposto da Praia Comprida, os proprietários respondem judicialmente pela destruição dos históricos prédios. “Não podemos punir ninguém. Mas o Ministério Público pode”, alertou sobre o processo que é iniciado com denuncia da procuradoria do município ao MP, mas que pode ser feita pelo cidadão comum.  A multa a ser paga pelo proprietário, em caso de demolição irregular, é o mesmo valor venal do imóvel contando com terreno e edificação demolida.

Incentivo fiscal para preservar história

Os proprietários de edifícios protegidos recebem desconto no IPTU. O valor varia entre 30% e 70% é determinado pelas benfeitorias recentes na edificação. Quanto mais investimentos, mais desconto no imposto. “Esta é uma forma de incentivar e apoiar os proprietários”, avaliou. Knabben observa que as construções estão em pontos bem valorizados e que na maioria das vezes o interesse em comprá-las se dissolve ao descobrir que o local é tombado. “A maioria dos interessados quer ‘patrolar’ tudo. Mas, temos empresários que buscam prédios históricos para abrir restaurantes e barzinhos”, afirmou sobre a tendência atual na cidade.

Prédio se deteriora enquanto investidores não aparecem

O casarão nº 2870, na rua Getúlio Vargas, na Praia Comprida, nem de longe reflete seu passado. O local pertenceu a Jáu Guedes da Fonseca, que adquiriu o espaço em 1930.  Fonseca foi secretário particular do então governador do Estado, Nereu Ramos. Razão pela qual muitas das conversas na casa giravam em torno da política e dos políticos. O glamour ficou no passado. Assim como a conservação do prédio que está a venda por R$ 1,5 milhão. O problema é que os interessados querem o terreno e não a velha construção. E como não podem demolir, os três herdeiros da família Moreira se vêem refém da longa espera por um comprador disposto a investir no histórico ambiente. José Henrique Moreira, 62 anos, mora em uma parte do casarão de 1.997 metros quadrados, deteriorados pela ausência de reparos. “Os prédios podem ser totalmente modificados interiormente”, completa o diretor de Cultura.

 Construções tombadas

– Casarão do Clube 1º de Junho

– Sobrado da Municipalidade

– Igreja de Nosso Senhor do Bonfim

– Beco da Carioca

– Casa da Câmara e Cadeia

– Casarão da Família Moreira

– Casarão da família Gerlach

– Igreja de Nossa Senhora de Fátima e Santa Filomena

– Conjunto de seis Casarios Construídos no século XIX e início do XX

– Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros

– Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos

– Casa de comércio da Família Petry

– Pier do Rio Maruim

– Casarão da Família Kowalski

– Entreposto Comercial da Praia Comprida (derrubado)

– Theatro Municipal Adolpho Mello

– Usina do Sertão do Maruim

– Solar dos Ferreira de Mello

– Igreja Matriz de São José

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