Prefeitura avalia medidas para amenizar congestionamentos no início da zona Sul de Joinville

Transitar pelas ruas do início da zona Sul de Joinville é uma tarefa complexa que requer coragem, paciência e muita atenção, tanto para pedestres como para quem se desloca de bicicleta, moto, carro ou transporte coletivo. A região é afetada pela conjugação do grande fluxo de veículos, ruas estreitas e de mão dupla em sua maioria, poucas ciclovias, calçadas sem acessibilidade, poucos corredores exclusivos para o transporte público e fluxo intenso dos trens de cargas. Em certos trechos, como na rua Florianópolis, filas intermináveis não são mais uma exclusividade dos horários de pico e se formam praticamente o dia todo.

Carlos Junior/ND

Congestionamentos acontecem no trecho inicial da rua Florianópolis em vários períodos do dia

Nesta quarta-feira, a inauguração de um hipermercado no bairro Bucarein acrescentou um fator extra para o agravamento do trânsito entre os bairros Itaum, Guanabara, Floresta e Anita Garibaldi. Congestionamentos foram intensos durante todo o dia. Um dos pontos mais críticos foi no acesso da avenida Procópio Gomes com a rua Florianópolis. A fila no sentido centro-bairro já começava no cruzamento da avenida com a rua Inácio Bastos. O trajeto de carro ou de ônibus entre a Inácio e a Guanabara chegou a demorar 40 minutos.

Segundo moradores locais, o problema com o trânsito na região dos três bairros é histórico. A professora Maria Sueli da Silva, 54 anos, mora há 16 anos na rua Florianópolis e já foi vítima da imprudência de motoristas e da falta de mobilidade. “Há quase oito anos eu saí de casa e tentava cruzar a rua, na faixa de pedestre, quando fui atropelada por um motoqueiro. Fui parar no hospital. A gente já viu muitas pessoas se machucarem e até morrer aqui. O trânsito é intenso e quando não é o congestionamento é o excesso de velocidade que causa transtornos”, comenta a moradora. Ela sugere a instalação de um binário na rua Florianópolis e mais faixas de pedestres com semáforos para orientar a travessia.

Fabrício Porto/ND

“Quando não é o congestionamento é o excesso de velocidade que causa transtorno”, diz Maria Sueli da Silva, moradora da rua Florianópolis

Mudança no sentido de ruas

Dados da Fundação Ippuj (Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville), apontam que, só na rua Florianópolis, por exemplo, circula uma média de 20 mil veículos diariamente. A Prefeitura garante que tenta minimizar os problemas do grande fluxo de veículos naquela região. No curto prazo, uma mudança no sentido de quatro vias que cortam a rua Florianópolis deve servir como paliativo para desafogar o trânsito.

O diretor-presidente do Ippuj, Vladimir Constante, explica que o congestionamento na rua Florianópolis, no sentido Centro-bairro se dá devido a quatro semáforos entre as ruas Emílio Stock e Graciosa. “Existem quatro ruas que cortam a Florianópolis entre o final da avenida Procópio Gomes e a rua Emilio Stock, que são de mão dupla. Com isso, os semáforos acabam funcionado em sistema de três estágios, o que ocasiona uma retenção por um tempo significativo do fluxo de veículos na rua Florianópolis. Estamos estudando algumas mudanças no sentido destas vias, e isso deve dar mais fluidez ao trânsito”, comenta.

O projeto do Ippuj prevê que a rua Graciosa, que hoje tem pontos em que o trânsito segue em mão dupla e única, seja transformada toda em mão única, partindo do Parque da Cidade até a rua Monsenhor Gercino. Mesma medida seria adotada para a rua Valença, que seguiria em direção única da rua Guanabara até a rua Arlindo Pereira de Macedo. Para fazer o contrafluxo, as ruas Guanabara e Emílio Stock seguem em mão única no outro sentido.

“Esta proposta está sendo discutida com a associação dos moradores daquela região. Nossa conversa está avançada e a sugestão na mudança das vias tem repercutido de forma positiva. Se tudo der certo, os sentidos das vias podem ser alterados ainda neste semestre”, anuncia o presidente do Ippuj.

Assegurados recursos para binário

Uma alteração mais complexa no trânsito entre os bairros Bucarein, Itaum e Guanabara deve acontece em 2017, quando a prefeitura pretende implantar um binário entre as ruas Florianópolis e Monsenhor Gercino. A primeira faria o trajeto exclusivo no sentido bairro – centro, enquanto a Monsenhor faria o acesso no sentido ao bairro. O binário começaria no final da avenida Procópio Gomes e no início da rua Monsenhor Gercino e seguiria até a rua Arlindo Pereira de Machado, em frente ao Cedup (Centro de Educação Profissional Dario Geraldo Salles).

O recurso para implantação do binário está assegurado e faz parte do Programa PAC 2 da Mobilidade do Governo Federal, que destinou R$ 105 milhões para obras de mobilidade em Joinville. “Este projeto está em fase de desapropriações de alguns terrenos, pelos quais serão feitas as ligações entre as ruas Monsenhor Gercino e Florianópolis, na lateral do Hiper Condor. As obras devem começar no próximo ano”, acredita o diretor-presidente do Ippuj, Vladimir Constante.

Outra proposta que está no Plano Diretor de Joinville é o alargamento da rua Florianópolis. Constante afirma que este projeto continua no Plano Diretor, mas sem data para ser colocado em prática por conta da complexidade e quantidade de desapropriações que precisariam ser custeadas pelo Executivo.

Pontes

Ainda a respeito da mobilidade no trânsito da zona Sul, há os projetos de quatro pontes que já deveriam estar prestes a serem inauguradas, mas sequer saíram do papel. Três devem ter as obras iniciadas neste ano. Uma das que está em estágio mais avançado é a que vai ligar o Bucarein ao Guanabara, entre as ruas Coronel Francisco Gomes e Nacar, passando por trás da Arena Joinville. Segundo o diretor-presidente do Ippuj, Vladimir Constante, o projeto de construção da ponte está sendo finalizado para ser encaminhado para a aprovação do SPU (Serviço de Patrimônio da União).

Outra ponte no Guanabara será a que vai ligar a rua Anêmonas com a rua Esteves Junior, passando por trás do terminal do transporte coletivo do bairro. Esta também está na fase de encaminhamento da documentação para aprovação da obra pelo SPU. Já a ponte que ligará o bairro Bucarein ao Boa Vista, unindo as ruas Morro do Ouro e Aubé está em fase de atualização de orçamento para então ser licitada.

Por fim, a ponte entre os bairro Adhemar Garcia e Boa Vista, importante obra para descongestionar a malha viária da zona Sul, ainda precisa de recursos para sair do papel. O diretor-presidente do Ippuj afirma que alguns estudos ambientais e projetos arquitetônicos já foram realizados. Duas licitações para a produção dos projetos executivo e ambiental da ponte já foram feitas e as empresas ganhadoras aguardam a liberação de recursos de aproximadamente R$ 3 milhões, do poder público, para dar início aos projetos. Depois disso, a Prefeitura ainda precisará buscar formas de conseguir os recursos para a construção da ponte. O custo da obra está estimado em R$ 60 milhões.

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