Prefeitura de Florianópolis amplia ações de inclusão da pessoa com deficiência

Atualizado

Programa Porta a Porta facilita a locomoção do cadeirante que mora em locais de difícil acesso   – Divulgação/ND

“Toda ação voltada às pessoas com deficiência é muito importante. Eu costumo caminhar muito no Centro e percebo o investimento por parte do município em facilitar o nosso dia a dia. Agora uso sempre o sinal sonoro aqui perto do Ticen (Terminal de Integração do Centro) e da rodoviária (Rita Maria). Me ajuda muito a atravessar a rua. Também notei muitas mudanças nas calçadas, o que ajudou no meu deslocamento para ir e voltar para casa, já que uso o transporte coletivo”. O depoimento de Alessandra da Rosa, deficiente visual, se refere a algumas das iniciativas implantadas na Capital pela Prefeitura de Florianópolis nos últimos anos, voltadas às pessoas com deficiência.

Uma destas ações é a instalação de sinais sonoros para aumentar a segurança e a acessibilidade na travessia de pedestres com deficiência visual. A prefeitura adquiriu cem equipamentos, que serão espalhados em até 25 pontos de Florianópolis. Inicialmente foram instalados dois aparelhos na primeira rota Acessivel (Ticen – Rita Maria em maio deste ano). Posteriormente, foram implantados mais quatro equipamentos em outros pontos, a fim de fazer com que as pessoas se habituem a utilizar os sinais.

“Nosso objetivo é ampliar cada vez mais a inclusão na Capital. Queremos facilitar ao máximo o cotidiano das pessoas com deficiência, para que elas possam se locomover e realizar suas atividades cotidianas da melhor forma possível”, afirma o prefeito da Capital, Gean Loureiro.

A faixa de pedestres entre o terminal rodoviário Rita Maria e o Ticen foi o primeiro ponto que recebeu o equipamento sonoro. A prefeitura ainda pretende investir em campanhas publicitárias para divulgar e orientar o público sobre o uso destes equipamentos.

Foram ainda implantados pisos táteis, que orientam as pessoas com deficiência até o equipamento sonoro. Ao chegar até o dispositivo, o pedestre deve acionar o botão, que dará as coordenadas necessárias de acordo com o trânsito do momento. O sinal, que é exclusivo para pessoas com deficiência visual, não antecipa a travessia, apenas avisa o momento em que o pedestre poderá atravessar em segurança.

Sete veículos realizam hoje gratuitamente o transporte das pessoas com deficiência na Capital – Divulgação/ND

De casa ao trabalho e até à praia

Facilitar a locomoção do cadeirante que mora em locais de difícil acesso e o levar ao seu destino para atividades relacionadas à saúde, educação e ao trabalho é o objetivo do programa Porta a Porta. A iniciativa, realizada por meio da parceria entre Prefeitura de Florianópolis e a Aflodef (Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos), garante o direito ao transporte gratuito e de qualidade as pessoas com deficiência que moram em locais onde há a ausência de transporte regular e áreas consideraaos de vulnerabilidade social. A iniciativa já realizou mais de 7.000 atendimentos em quase dois anos de operações, de acordo com Alexandre Luz.

Hoje, sete veículos adaptados são utilizados para o serviço. “Poder sair de casa e realizar suas atividades normalmente é muito importante para o cadeirante, que ganha autoestima e melhora sua qualidade de vida. Isso também ajuda muito na independência das suas famílias”,  explica José Roberto Leal,  presidente da Aflodef.

Ainda por meio do Porta a Porta, os moradores de Florianópolis contam com o programa o Floripa dáx um banho, implantado pela Prefeitura de Florianópolis em dezembro do ano passado, que possibilita que os cadeirantes aproveitem as praias da Capital em cadeiras anfíbias. Florianópolis é a cidade catarinense com o maior número de balneários adaptados para esse uso. São nove no total: Jurerê Internacional, Ingleses, Ponta das Canas, Barra da Lagoa, Joaquina, Campeche, Lagoa do Peri, Armação e Cachoeira do Bom Jesus. A iniciativa é promovida pelo município, em parceria com a iniciativa privada e Corpo de Bombeiros Militar.

Para ter acesso a este serviço, o cidadão deve fazer um cadastro junto à Aflodef e solicitar o transporte um dia antes de a atividade ser realizada. Após cadastro, quem é cadeirante pode utilizar o serviço do Porta a Porta para deslocamento para consultas médicas, atividades escolares, de esporte e trabalho. Mais informações sobre o funcionamento do projeto estão disponíveis pelo número da Aflodef: 3228.3232.

Programa Floripa dáx um banho auxilia pessoas com deficiência a tomar banho de mar em nove praias da Capital que foram adaptadas – Divulgação/ND

Criação de rotas acessíveis

Para facilitar o deslocamento de pedestres com e sem deficiência, o município deu início, em setembro de 2017, ao projeto Rotas Acessíveis, que integra o programa Floripa Inclusiva e prevê melhores condições de acessibilidade e conforto para os pedestres. O primeiro trecho das obras foi realizado em setembro de 2017 entre o Terminal Central e o terminal rodoviário Rita Maria. No local, foram adaptados cerca de 275 metros que beneficiam pessoas com deficiências, idosos, condutores de carrinhos de bebê e viajantes que estejam carregando malas.  “Já lançamos o Porta a Porta e agora, com o Rotas Acessíveis, vamos conceder à pessoa com deficiência a verdadeira inclusão social. Queremos mudar a realidade dessas pessoas por toda a cidade”, explica o prefeito Gean Loureiro.

Os passeios (calçadas) foram alargados e o piso foi trocado por outro também de concreto, mas de melhor qualidade. As pequenas rampas de acesso às travessias de ruas, cujas inclinações causam transtornos, foram retiradas, e o pavimento, nivelado com lombo-faixas. Além disso, o piso também passou a ter sinalização tátil e visual para auxiliar os deficientes visuais no direcionamento e alertá-los para as travessias de ruas.

Ao todo, explica Alexandre Farias Luz, coordenador municipal de Políticas Públicas para a Pessoa com Deficiência e para a Pessoa Portadora de Doença Rara, serão elaboradas mais quatro rotas, que contemplam os pontos com maiores fluxos de pedestres com ou sem deficiência. O investimento soma cerca de R$ 3 milhões, contemplando a requalificação de calçadas.

O direito de brincar

Crianças sentem a emoção de brincar no balanço pela primeira vez – Divulgação/ND

“É muito emocionante poder ver a alegria dela ao brincar. Ela sempre queria participar, se sentir incluída e hoje eu pude ver ela realizar esse desejo”, afirma a mãe de Rafaela, 15 anos, que tem paralisia cerebral e pôde, pela primeira vez, sentir a alegria de brincar de balanço por meio dos brinquedos adaptados disponibilizados pela Prefeitura de Florianópolis.

O Renan também conseguiu andar de skate em um dos equipamentos adaptados. “Isso é muito importante, porque quando a gente vai nos parquinhos, eles sempre querem ser como as outras crianças e agora isso é possível por meio dessa iniciativa”, acrescenta a mãe Joelma Andriotti.

Florianópolis é a primeira cidade do Estado a investir nestes equipamentos, que estão disponíveis à população desde 2019 em um kit com quatro brinquedos acessíveis móveis: gangorra, balanço, tirolesa e skate adaptado. Eles foram desenvolvidos de forma segura para crianças e jovens com deficiência, pela empresa In Move, de Curitiba (PR), referência em brinquedos adaptados. Todos eles são desmontáveis, fáceis de guardar e de transportar, garantindo que sejam usados em qualquer ambiente. Os equipamentos são utilizados nos eventos do Floripa em Movimento, nos finais de semana e a ideia é que, durante a semana, sejam utilizados nas escolas municipais. “Cada vez que ofertamos mais mobilidade e lazer a essas pessoas, estamos avançando na inclusão e rompendo as barreiras da acessibilidade”, destaca o Prefeito Gean Loureiro.

Skate adaptado é um dos brinquedos levados para os eventos do Floripa em Movimento – Divulgação/ND

Padronização das calçadas

Calçada com padrão incorreto de acordo com o manual elaborado pelo Ipuf – Divulgação /ND

O modelo de calçadas adotado para a orientação de pessoas com deficiência visual mudou desde fevereiro do ano passado, quando o Ipuf lançou o Manual Calçada Certa, com regras diferentes para os espaços públicos usados pelos pedestres, baseadas na atualização nacional das normas técnicas de acessibilidade. Com isso, o órgão mudou o modelo que vem sendo adotado atualmente para a orientação das pessoas com deficiência visual.

A nova orientação prevê várias mudanças em relação ao antigo modelo. Além do local de instalação das guias, que deixam de ser colocadas no meio do passeio, a cor também será diferente. O piso tátil a partir de agora é preto, e acordo com o órgão, porque garante maior contraste para pessoas com baixa visão.

Padrão correto a ser utilizados nas calçadas segundo o manual da prefeitura  – Divulgação//ND

De acordo com o Ipuf, as calçadas com piso tátil no meio do passeio, em sua maioria, não são as mais adequadas porque o piso fica muito próximo de obstáculos como postes árvores, lixeiras, etc.  “O manual foi elaborado em conjunto com a Acic (Associação Catarinense para Integração do Cego) e Aflodef e é destinado a orientar a construção e reformas de calçadas no município. A intenção é garantir uma uniformidade entre as construções, dentro das Normas Técnicas vigentes no Brasil”, afirma Alexandre Luz, coordenador de Políticas Voltadas à Pessoas com Deficiência na Capital.

Outros projetos realizados pela prefeitura

Primeira turma do EJA para pessoas com deficiência se formou em julho deste ano – Divulgação/ND

Projeto Floripa Acessível – voltado a garantir o emprego para estagiários com várias deficiências, garantindo a independência e aumentando a auto estima destes trabalhadores.

Criação de salas multimeios – Para avançar no processo de inclusão, a Prefeitura de Florianópolis em ampliado o número de salas multimeios para o atendimento educacional especializado. Em 2016 eram 23 salas, em 2019 são 35 para atender crescimento dos alunos com deficiência na rede. Em 2016 havia 655 estudantes. Já em maio de 2019, eram 1092. Essas salas são constituídas de mobiliários, materiais didáticos, recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos.

Processos de qualificação – todas as áreas que planejam ou executam ações ou atendem pessoas com deficiência estão passando por cursos de qualificação. O objetivo é que as equipes se atualizem sobre as mais modernas técnicas  voltadas ao tema.

Educação de Jovens, Adultos e Idosos – A Prefeitura de Florianópolis implantou neste ano um polo da EJA (Educação de Jovens, Adultos e Idosos) na sede da Aflodef. A primeira turma concluiu estudos no último mês de julho. Por intermédio da Secretaria Municipal de Educação, o objetivo é que filiados ou não da entidade possam se alfabetizar e concluir o ensino fundamental. As aulas ocorrem sempre às terças e quintas-feiras, das 13h30 às 16h30, na sede da Aflodef ( rua Rui Barbosa, 708, Agronômica, Florianópolis).

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$1.000,00 reais neste portal.

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