Prefeitura de Florianópolis anuncia que Beira-Mar estará própria para banho em agosto

Atualizado

Nesta quinta-feira (21), ao inaugurarem a Unidade de Recuperação Ambiental capaz de tratar até 13 milhões de litros de esgoto por dia a Prefeitura de Florianópolis e a Casan dão um passo importante que pode reescrever a história da balneabilidade na região central da cidade.

Inspirada em modelo bem sucedido na Califórnia (EUA), a proposta adaptada pela equipe técnica da Casan para Florianópolis é a primeira do país que pretende recuperar a balneabilidade de uma praia contaminada tratando a contaminação que chega pelas redes de drenagem.

Ao longo de um ano, o consórcio vencedor da licitação (Fast/CFO) implantou 3,6 mil metros de rede coletora em uma área de grande movimentação de pedestres, instalou 15 grandes estruturas de concreto e 31 válvulas bloqueadoras (tipo bico-de-pato) e ergueu a URA (Unidade de Recuperação Ambiental) com capacidade para tratar até 13 milhões de litros/dia.

Projeto de despoluição da baía norte – Reprodução/ND

Informações divulgadas pelo município e Casan dão conta que sem o lançamento de esgoto e com o tratamento que vai despejar água limpa na baía, a expectativa é de que os padrões ideais de balneabilidade podem ocorrer ao longo dos próximos 90 ou 120 dias aproximadamente.

Para o Prefeito Gean Loureiro, trata-se de um marco para a cidade de Florianópolis. “Tenho muito orgulho como manezinho e como Prefeito de colocar em prática esse projeto e agora proporcionar essa experiência para a população. Não só pelo fato de entregar a obra em tão pouco tempo, mas também pela questão histórica das pessoas acharem que era um feito impossível”, acrescenta.

Orçado inicialmente em R$ 24 milhões, o preço da obra caiu para R$ 17,1 milhões na disputa de licitação – mas somará R$ 18 milhões ao final com acréscimos motivados por alterações na parte elétrica do projeto e por interferências no assentamento da rede. “É um custo baixo se levado em conta que a despoluição total da Baía envolvendo os demais municípios foi estimada, no passado, em cerca de R$ 1 bilhão”, diz o engenheiro Joel Horstmann, Superintendente Regional Metropolitano, responsável pela obra. “Sem falar que a balneabilidade permitirá, além do aproveitamento de lazer e a recuperação ambiental, o desenvolvimento turístico e econômico de toda a região”.

Espírito de praia do centro

As lembranças de um banho de mar na Beira-Mar Norte são para poucos. Pelo menos dois aterros, nas décadas de 1960 e 1980, modificaram bastante o visual das praias do Müller, que ficava entre a altura da Rua Arno Hoeschl e a Praça Esteves Júnior; da praia de Fora, da altura do Beiramar Shopping em diante; e São Luiz, dando lugar a Avenida Rubens de Arruda Ramos, mais conhecida como Beira-Mar Norte.

Os registros históricos mostram que as praias eram mais frequentadas pelos moradores da região central, numa época em que as casas das ruas Bocaiúva e Almirante Lamego tinham, normalmente, os fundos dos terrenos para o mar.

Despoluir as águas da Baía Norte e devolver o espírito de praia ao Centro de Florianópolis é um desafio que já foi tentado, ou pelo menos anunciado, em outras ocasiões. Um desses episódios que ficaram marcados na memória do manezinho —como são chamados os nativos—foi a promessa do então prefeito Esperidião Amin, que em 1989 prometeu não só despoluir as águas das baías, mas também de que seria o primeiro a fincar guarda-sol na areia, em plena avenida Beira-Mar.

Em 2012, um projeto que pretendia despoluir as duas baías foi encaminhado ao Ministério do Planejamento, mas nunca teve qualquer encaminhamento. A obra pretendia fazer a integração do esgotamento sanitário de Florianópolis, São José, Biguaçu, Santo Amaro da Imperatriz, Palhoça e Governador Celso Ramos ao custo, na época, de R$ 1 bilhão.

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