Prefeitura de Florianópolis estima 3,3 mil casos de coronavírus na região

Atualizado

A Secretaria de Saúde de Florianópolis estimou 3.300 infectados por Covid-19 na região. O anúncio foi feito pelo prefeito Gean Loureiro (DEM) em vídeo publicado nas redes sociais, e teve como base a comparação com a taxa de internação em UTI na China Continental.

A estimativa leva em conta, segundo a secretaria, a alta taxa de assintomáticos e a falta de testes. Segundo o prefeito, serão 23 mil testes recebidos nos próximos dias. O ímpeto da gestão municipal é tomar decisões análogas à Coreia do Sul, com testes massivos e uma posterior flexibilização gradual, com maior segurança.

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“No país asiático, por exemplo, foi detectado que 0,6% dos infectados pelo coronavírus foram para UTI. Na Grande Florianópolis, com cerca de 20 pacientes internados, a taxa indica que há uma probabilidade de cerca de 3,3 mil pessoas infectados”, explica a secretaria de saúde.

Segundo o médico Matheus Pacheco de Andrade, é fácil estratificar o número de pacientes na UTI, podendo assim chegar a uma estimativa de quantos infectados temos no município.

Fora da Ilha

As questões de subnotificação e dados subestimados têm sido tópicos bastante discutidos. Um dos pontos, aqui no Brasil, é de que não há uma portaria específica do Ministério da Saúde sobre o tema, fazendo com que muitos profissionais da saúde sigam as orientações epidemiológicas locais.

Contudo, essas orientações diferem entre si, e acabam entrando em conflito com a orientação informal do ministro Luiz Henrique Mandetta, que solicita notificação dos casos independente da gravidade.

Outro ponto é o ceticismo acerca do número de infectados na China. Patrick Perche, professor de microbiologia e ex-diretor do Instituto Pasteur, afirma que é “difícil acreditar que o país (China), mesmo com as medidas de confinamento adotadas, tenha tido tão pouco mortos”.

Karine Lacombe, do hospital Saint-Antoine, Paris, fala que “as autoridades chinesas provavelmente esconderam a verdadeira taxa de mortalidade”. Em 2002, o governo chinês admitiu subnotificar casos de SARS-CoV. O pronunciamento incluía a admissão de que as férias de maio foram reduzidas a um dia para desencorajar viagens e afins.

No fim do ano passado, o médico Li Wenliang tentou avisar outros médicos sobre sete pacientes que adoeceram em virtude do novo coronavírus. Contudo, a polícia chinesa o obrigou a assinar um documento afirmando que tal atitude constituía “comportamento ilegal”.

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